sábado, 6 de abril de 2019

O QUE FAZER EM JOÃO PESSOA? Paraíba, Brasil

Novo vídeo no canal de Youtube !
Venha comigo conhecer as melhores dicas para passeios, gastronomia e música na cidade que considero ser a capital estatal com mais qualidade de vida no Brasil - João Pessoa.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Sociedade sem Dinheiro

Uma da madrugada no aeroporto de Copenhaga, capital da Dinamarca, país portuário e fronteiriço entre a Alemanha, motor económico da Europa e a Suécia, país nórdico, pejado de natureza. O voo da Lufthansa aterrou já tarde devido a um atraso em Frankfurt, nova capital financeira da União depois do para mim já tão certo Brexit. E neste quadro, de repente dei por mim num átrio amplo e vasto de centenas de metros de comprimento por uns dez metros de altura de pé direito, de onde saíam comboios para a Suécia, assim como o metro para o centro da cidade e, deduzi eu, táxis, para onde bem quisesse. Vontade não me faltava para ir dar um salto até à Suécia, recanto onírico do mundo, no meu imaginário pelo menos, mas não era esse o plano. O metro para o centro já estava fechado e eu também já desejoso de chegar ao hostel, optei pelo táxi.

Como o país não aderiu à zona euro, a sua moeda Coroa Dinamarquesa ainda se mantinha, pensava eu… Então procurei a máquina de levantar dinheiro pelo tal átrio, onde via todos os tipos de automatismos que substituíam o ser humano àquela hora da noite. Assim alguém poderia dormir melhor ou estar desempregado também, dependendo do ponto de vista. Vi máquinas de bilhetes do metro, do comboio, umas do sistema ferroviário dinamarquês, outras do sueco, Também máquinas para comprar comida, até os jornais. Mas achar a tão habitual máquina de tirar dinheiro em papel, em Portugal pelo menos tão ubíqua, e há que reconhecer a funcionalidade dessa rede, por lá não encontrava, o que me intrigava… Até porque se a rede portuguesa era reputada como tão boa, talvez a dinamarquesa ficasse um pouco atrás… justificava-me no meu pensamento, refastelando-me também de certa forma. Mas pesquisei por uns bons dez minutos, fazendo figura de louco percorrendo aquele átrio de chegadas vazio de madrugada, com um mochilão às costas e uma mochila ao peito, estilo koala. Até que enfim encontrei o ATM mais escondido do mundo. Bem no cantinho do átrio, por baixo de umas escadas rolantes, junto a uma enorme parede de vidro com dez metros de altura, já numa área de pouca passagem e com um sem-abrido a dormir ao lado. Afinal também há aqui, pensei. A máquina e o sem-abrigo, infelizmente, claro. Mas como o país é seguro não estranhei a sua presença mas estranho era estar a máquina estar tão deslocada.


Nota que de nada me serviu nesta viagem...


















Depois de levantar umas notas, abri a porta e saí à rua, onde o frio me punha em sentido e energizando-me para esta viagem. Na fila do táxi estava uma família com dois filhos, ele de pele branca e ela de cor negra. O tom é indiferente, claro, e sempre foi, mas neste momento chamou-me à atenção por os pais deles serem também caucasianos. Achei lindo, incrível e mega avançado do ponto de vista social. Qual seria a probabilidade de me cruzar com este cenário socio-familiar, àquela hora da noite, naquele lugar, caso fosse raro? Praticamente nenhuma, pelo que assumi ser de facto a sociedade local muito muito muito avançada, mesmo. Um lugar onde a responsabilidade social é incorporada no elemento nuclear familiar, com compromissos mais longos que a nossa vida, como o de educar alguém. A Dinamarca apresentava-se como um lugar onde somos, acima de tudo, o que temos por baixo da pele. Então esta família na conversa, e esperando alguém, insistiu para passar à frente deles pelo que acabei por entrar no primeiro táxi. O carro era amplo, requintado e espaçoso, uma banheira autêntica, o que para táxi não é habitual. Aquele parecia ser o melhor táxi em que já viajei. Com um ecrã rectangular que ocupava uma grande parte do painel frontal, de onde um mapa GPS era desenhado indicando ao taxista o caminho, de um modo futurista, enquanto as suas rodas deslizavam por uma ampla auto-estrada de quatro faixas, tão estranhamente vazias àquela hora, que nos levava até ao centro da cidade. No início meti conversa com o taxista, que percebi ser imigrante pela forma de falar dele. É facto que o inglês é amplamente falado por lá, e ele manifestava dificuldade. Mas não querendo ele falar muito, eu também não continuei, até sentindo alguma antipatia inicial dele, desfeita também quando saímos da tal estrada e ele me indicou alguns pontos turísticos da cidade que novamente me parecia abandonada.

O destino era um hostel que encontrara na internet, no site hostelworld. E quando lá chegámos, ao ver  o valor da viagem no ecrã, passei-lhe a nota do banco de trás para o da frente, ao que ele se recusou terminantemente receber acenando-me com a mão - “No, no, no.” Estarrecido, indaguei o porquê. Ele disse-me que ali na Dinamarca só aceitavam cartões bancários e que não se usava mais dinheiro impresso. A princípio ainda achei ser um esquema do taxista para não me dar troco, porque, confesso estava a dar-lhe uma nota de bastante valor, pois a máquina só deu dessas. E já tendo visto várias situações no comércio, de fugirem às notas altas, ainda insisti um pouco que não tinha cartões comigo. Então com um frio a rondar os zero graus no exterior do carro, pedi um minuto ao taxista e saí a caminhar até ao hostel, onde procurei confirmar se assim era que se pagava um táxi do aeroporto, correndo o risco de fazer figura de desconfiado ou de turistão recém-chegado a uma utópica sociedade sem dinheiro. E assim era, confirmou-me o rapaz da recepção, que o dinheiro impresso praticamente fora tirado de circulação neste país. Apenas era usado de um modo residual. O hostel também não aceitou notas o que comprovava que ter um cartão era uma obrigatoriedade necessária para viver lá.

No dia seguinte caminhava por uma sociedade que me provocava uma sensação de utopia, despertando atenção, interesse e adrenalina em mim, ou uma versão economico-social da hormona talvez. Enquanto caminhava por ruas pejadas de bicicletas, sendo esta a cidade do mundo onde mais há neste momento, e onde o metro circulava sem maquinista, onde nas estações não havia bilheteiras com humanos, tudo era maquinal e sem torniquetes de acesso, onde o dinheiro era apenas de plástico, e onde molhava de modo ligeiro o cabelo e a roupa com os pingos de chuva do céu fosco e nublado tão típico da Europa mais setentrional, reflectia naquele modelo de sociedade. Seria este o melhor? Será que o capitalismo, a democracia e a república serão mesmo os menos maus ou que já temos vergonha de mexer no dinheiro, de o ver e cheirar, de o mostrar, de o usar, ou porque a preguiça e o chato em que a política se foi tornando para o público, não temos vontade de levantar da cadeira e ir até às mesas de voto. Assim como se tornou off-topic debater os prós e os contras de sermos mandados por reis e rainhas ao invés de votarmos com regularidade, munidos de livre arbítrio na pessoa que melhor achamos para liderar uma sociedade, ainda que os primeiros tenham a primazia da educação para este fim toldada e com conhecimento transgeracional acumulado. E qual a perda de privacidade numa sociedade em que todas as nossas compras ficam assim registadas associadas a um qualquer cartão, de um qualquer banco, de um qualquer dono accionista maioritário, de um qualquer país, que pode fazer o que entender com esses dados? A Dinamarca fazia-me pensar nisto tudo enquanto por lá andarilhava – numa nova visão do futuro, achando que este modelo se vai replicar daqui a uns anos ao restante globo.

Abraços e boas viagens !

Vosso,
João

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Novo Site











Boas,
Hoje foi lançado o novo site https://joaolopesaguiar.com/ onde divulgo os vários livros e vídeos de viagens que tenho publicado. Passem por lá !
Abraços !

Os Meus Descobrimentos - Volta ao Mundo em Couchsurfing








2.ª edição à venda nas lojas em Portugal e no Brasil, e nos sites https://osmeusdescobrimentos.com e https://joaolopesaguiar.com 
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#livro #viagens #travelgram #instatravel #viajar #viagem #travelvideo #osmeusdescobrimentos

sábado, 21 de julho de 2018

Apresentação no FMM em Sines











Quantos aqui conhecem o Festival Músicas do Mundo em Sines ?

Para mim é o melhor festival do mundo! E este ano surgiu a oportunidade de participar neste incrível caldeirão cultural, autêntico umbigo do mundo que invade a maior cidade do litoral alentejano durante os próximos dias.

A música do mundo, tão específica e radical quanto ampla e diversa toma conta da cidade de Sines e de nós também para nos inebriar num abraço de cultura. E para além dos ritmos e melodias há, claro, espaço para os livros também, para as estórias de viagem e os contos do mundo. Todos os dias com apresentações no Centro de Artes de Sines e de uma feira do livro e do disco na capela da misericórdia, junto ao Castelo. [1] [2] [3]

Aqui fica o convite incondicional a todos e todas bem como às suas trupes completas, para que passem esta quinta-feira, dia 26 de julho pelas 15h no Centro de Artes de Sines [4] para assistirem à apresentação do meu livro "Os Meus Descobrimentos - Volta ao Mundo em Couchsurfng".

Vai ser mega fixe! 🌐🌍
Conto contigo?



[1] fmmsines.pt/frontoffice/pages/956?news_id=1239
[2] fmmsines.pt/frontoffice/pages/401?event_id=564
[3] sines.pt/frontoffice/pages/704
[4] google.com/maps/@37.9567361

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Documentário - Os Meus Descobrimentos - Volta ao Mundo em Couchsurfing - Pt. I

O documentário já está disponível em quatro partes no leitor abaixo,
tal como no canal de youtube youtube.com/heinzaguiar
e no site osmeusdescobrimentos.com
Na primeira parte, há filmagens de Marrocos, Mauritânia, Senegal, África do Sul, Moçambique e Lesoto.
Agradeço que partilhem e façam like no vídeo.
Espero que gostem !
#osmeusdescobrimentos
#estamosjuntos





terça-feira, 17 de julho de 2018

Documentário - 18 de julho





















Esta volta ao mundo em couchsurfing, para além de ser contada num livro também é apresentada sob a forma de um documentário que lanço esta quarta-feira, dia 18 de julho. 

No filme podem conhecer os países, cidades e lugares por onde passei. Também entrevistei pessoas, filmei grupos de música e dança e contei para a câmara o que estava a viver em viagem.

O documentário sai amanhã no canal de youtube >> youtube.com/heinzaguiar
e no site do livro osmeusdescobrimentos.com

Espero que gostem !

terça-feira, 10 de julho de 2018

Podcast #11 - Perna partida, contratempo

Mais uma semana, mais um podcast :)
O episódio 11 desta volta ao mundo é a continuação do périplo musical pela África do Sul. Tão abundante é o seu talento musical que um só episódio do podcast não chegou... Desde o dançante kwaito aos clássicos dos afropop dos anos 80, passando pelos moçambicanos radicados em Jo'burg 340ml cujo nome homenageia o volume das garrafas de cerveja moçambicanas. E para além de músicas há também relatos de viagem por Bulungula, o Transkei, Garden Route e Cape Town. Sintoniza ! 🎧 Para ouvir carrega no player abaixo ou escuta todos os episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast



👉 Alinhamento de Músicas:
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- Lenyora by Thebe
- Gravação Sonora - Língua Xhosa
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- When you come back by Vusi Masahlela
- Nomalizo by Letta Mbuli
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- Don't Matter by Akon - calypso remix
-Tag Mahal by Kwaito music
- Shuffering and Smilling by Fela Kuti
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- Hang On To Yourself (rachel) by 340ml
- Doo Be Doo by Freshlyground
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul

👉 Episódio gravado em 2010 e agora republicado a propósito do recém lançamento do meu último livro.

sábado, 30 de junho de 2018

Podcast #10 - Republic of South Africa

Mais uma semana, mais um podcast :) O décimo episódio sobre esta volta ao mundo é uma viagem musical mais aprofundada ao extremo sul de um continente - África do Sul também conhecida como a Rainbow Nation - tamanha a sua diversidade. A música também verte e revela esta amálgama social e sonora. E para além de músicas há também relatos de viagem pelo Kruger Park, Pretoria e Durban. Sintoniza ! 🎧 Para ouvir carrega no player abaixo ou escuta todos os episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast



sexta-feira, 22 de junho de 2018

Podcast #9 - Moçambique, que palavra tão bonita!

Mais uma semana, mais um podcast :) O nono episódio sobre esta volta ao mundo é uma viagem musical mais aprofundada a Moçambique, trauteando ao som dos estilos mais contemporâneos como o pandza, o rap ou a passada locais, bem como revisitando marrabentas e kizombas mais clássicas. Pelo som de Ziqo, bem como pela música interventiva e feminista de Didácia, ao rap político de Azagaia ou com os intergeracionais Mabulu, a música deste povo é bonita, prolífica e recomenda-se. 🎧 Para ouvir carrega no player abaixo ou escuta todos os episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Podcast #8 - África Austral

No oitavo episódio do podcast sobre esta volta ao mundo em couchsurfing, vamos passear pelas repúblicas da África do Sul e de Moçambique e como banda sonora temos a música de intervenção do Hugh Masekela e a voz tradicional do Caiphus Semenya, nascidas entre a world music e o jazz, também dançaremos ao som do estilo electrónico local - Kwaito - pelos Spikiri, finalizando na lendária música e dança moçambicana - Marrabenta -, ressuscitada para os nossos tempos pela mão dos Mabulu. Sintoniza ! 
🎧 Para ouvir este e outros episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Podcast #7 - África Ocidental

No sétimo episódio do podcast sobre esta volta ao mundo, a viagem é feita até à pujante cultura musical da região mais a ocidente de África. Vamos passar pelo Mali, a Guiné-Bissau, o Burkina Faso, o Senegal e Cabo Verde, acompanhados pela majestosa kora de Toumani Diabaté, as vozes de Oumou Sangaré e Habib Koité, os ritmos dançantes e sincopados de Manecas Costa, bem como da excelente worldmusic dos nossos Terrakota, entre outros mais.
🎧 Para ouvir este episódio no player abaixo e todos os outros no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Podcast #6 - Entrada no Senegal


Durante esta viagem à volta do mundo fui colhendo dicas, músicas, conversas e entrevistas que depois coligi num podcast. Abaixo fica o sexto episódio, sobre o Senegal e se quiseres escutar todos os episódios basta ir ao site osmeusdescobrimentos.com .


 #omundoénosso 🌍

quinta-feira, 29 de março de 2018

O Velho e o Bar


"Só uma coisa é mais preciosa do que o teu tempo:
com quem o gastas." Leo Cristopher



Cabo Verde foi o lugar para onde viajei pela primeira vez fora dos confortos ocidentais da Europa e da América do Norte. Essa viagem foi com um grupo de jovens com quem fiz um périplo pelas várias ilhas deste arquipélago da Macaronésia. Era ainda miúdo.

E num salão da cidade do Mindelo o tempo lentamente tardava em parar. Eu era quase tão novo quanto os meus sonhos de criança e naqueles instantes o calor abatia-se-nos pelo suor na pele e pela humidade que escorria nas paredes do café.

À mesa falávamos de como era bom estar na ilha mas reparei que ao fundo da sala e de frente para mim, estava o único caucasiano que vira naqueles dias pela ilha de São Vicente. Era um homem já encurvado pela modorra do tempo e do clima, bem como pela idade e pela garrafa de gin que estava sempre ao alcance da sua mão. E ele estava embriagado.
























Ao vê-lo, só me lembrava de todas as imagens que desenhava na mente em miúdo enquanto estudava em casa e lia na escola o clássico "O Velho e o Mar" do Hemingway. A minha professora de português de então, a Maria Teresa Maia Gonzalez numa das suas entretidas e cativantes aulas, já nos ensinara que ele viveu em Cuba. E anos depois, este homem no bar foi o mais próximo que alguma vez encontrei dele. Como um sósia. E por instantes imaginava-o, tal como ao Ernest, mergulhado numa estufa de calor lentificador mas ao invés de Cuba, em Cabo Verde.

O tempo parava para ver, imaginar e viajar, mesmo já fora de portas. E muito provavelmente foi ali que me apaixonei por viajar, permitir-me sentar nos lugares e observá-los enquanto o tempo se dilatava.



João Aguiar

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Apresentações do Livro




Hey, 👉 Quem puder venha até estas sessões sobre a viagem e o livro. 🌐 Em fevereiro será pelo Norte e em março por Lisboa. 
+ info sobre os eventos:👉 Porto - www.bit.ly/palestraporto🌐 Murça - www.bit.ly/palestramurça👉 Guimarães - www.bit.ly/palestraguimaraes🌐 Aveiro - www.bit.ly/palestraemaveiro👉 FNACs Lisboa - em breve em www.culturafnac.pt
#osmeusdescobrimentos #naestrada



sábado, 13 de janeiro de 2018

Viagem Gastronómica: Boa-bao em Lisboa

Enfim passei no lugar mais trendy do momento pelas ruelas do Chiado (Ok... Taco a taco com o Ao 26). O Largo Rafael Bordalo Pinheiro depois de convertido à religião pedonal, está mais convidativo e bom para se caminhar (mas atenção aos tacões, senhoras...). E então, logo ao lado da El Diablo e onde foi até há não muito tempo atrás a Bucholz do Chiado, está o Boa-Bao.

À entrada e porque trazíamos uma mala de viagem connosco, simpaticamente foi-nos logo sugerido pelo empregado um lugar para a guardar. (Boa!) Sentimos de imediato que no interior do restaurante o tom é informal, embora os preços nem tanto... Mas já lá vamos. (Bow!) A decoração do espaço é efectivamente de bom gosto, ao mesmo tempo que simples e funcional. (Boa!) Optámos por ficar na parte traseira com um tecto translúcido para estarmos num espaço com mais luz, já que era de dia. Mas o único senão, apercebi-me depois, é que os empregados não ficam tão atentos àquele cantinho. (Bow!). Mas o atendimento, em geral é de qualidade e detalhista.

A comida chegou então e bastante depressa. E com ela também um conjunto de molhos servidos com originalidade. (Boa!) Destaco o frasco de gotas com molho de soja a lembrar soluções de florais de Bach ou as gotinhas para o nariz das crianças, que para os dim-sums dá muito jeito. Pedimos dim-sums de camarão, uma dose de carne de vaca e também um kimchi, que confesso desconhecia ser servido com curgete. Mas é mesmo assim.. Sempre a aprender. Mas fica o aviso a mais malta que espere que o kimchi seja uma couve avinagrada, aqui não é. Mas o que adorei mesmo foi a cerveja tailandesa. Muito fixe mesmo. A lembrar as cervejas tropicais do Brasil, Moçambique, Argentina ou Uruguai. (Boa!) Mas o preço de 3.5€ por garrafa é elevado (Bow!). E o pormenor de ter um "cooler" para a garrafa é desnecessário em Lisboa, devido à temperatura média local ao longo do ano ser bastante amena e estarmos longe de um clima tropical, como na Tailândia. Mas faz parte da experiência gastronómica ter esse suporte à garrafa e assim também promovem o nome da casa de uma forma mais original.

Agora o preço da refeição... Ora, vejamos: a qualidade da comida dos pratos que provámos é média, ou um pouco acima da média e em linha com muitos dos restaurantes chineses pela cidade (este não é chinês mas tem muitas coisas de lá bem como da gastronomia tailandesa, vietnamita e malaia). Não provei sabores muito apurados, inovadores ou arriscados. Contudo o preço é elevado face ao servido. Está certo que a loiça, a decoração, a luz, o espaço e os empregados são bastante mais trendy do que o habitual e que a localização é super central. Mas acho que 13€ por pessoa justificaria o serviço prestado. Já 20€ em média, por pessoa, parece-me demasiado e não é um preço realista nem ajustado à realidade lisboeta ou muito menos portuguesa.

Bem, e nesta ambivalência e dicotomia... Boa.. bow... boa...bow se fez um agradável intervalo de almoço para repasto. No final da visita ao restaurante, o saldo foi claramente positivo porque ficamos com vontade de voltar. Mas apenas com estes tópicos a registar: Em geral, acho o restaurante algo over-hyped e também over-priced. É bom mas não assim tanto, nem por este tanto também. Mas a verdade é que a experiência gastronómica por eles servida é, no cômputo geral, positiva. O espaço é simpático, está aprimorado e merece uma visita. Ao jantar o ambiente deve ser mais intimista e o espaço ganha outra dinâmica visual. Pelo que fiquei com vontade de lá voltar noutro dia e depois da noite cair. Até esse dia desejo continuação de bom trabalho à equipa.

Boa-Bao Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Locais de Venda



🔔📘 O livro Os Meus Descobrimentos está à venda em:

i) FNAC Alfragide / Algarveshopping / Almada / Amoreiras / Braga / Cascais / Chiado / Coimbra / Colombo / Évora / Faro / Gaia / Guimarães / Lagos / Leiria / Loulé / Madeira / Marshopping / Montijo / Nortshopping / Oeiras / Setúbal / Sta. Catarina / Vasco da Gama / Vila Real / Viseu - www.fnac.pt/localize-loja-fnac/w-4

ii) Lisboa
Livraria Ferin - Chiado - R. Nova do Almada
Livraria Ler Devagar - Lx Factory
Palavra de Viajante - Rua de São Bento
Livraria Ler - Campo de Ourique
Livraria da Cossoul - Santos
Letra Livre - Calçada do Combro
Livraria Papelaria Fonsecas - Intendente
Distopia - Rua de São Bento
Livraria Mais - Rua de Luanda, Parede
Livraria Linha de Sombra - Cinemateca - R. Barata Salgueiro
GATAfunho, loja de livros - Oeiras
Leituria - Rua Dona Estefânia
Livraria Menina e Moça - R. Cor-de-rosa, Cais do Sodré

iii) Porto

iv) Sines - A das Artes
v) Viseu - Livraria Alfarrabista Sidarta
vi) Guimarães - Almanaque 23
vii) Brasil - Livraria Cultura / FNAC Brasil

viii) Portugal - encomendar no site -
osmeusdescobrimentos.com/#compraonline
ix) Para qualquer parte do mundo - através da Amazon - disponível nos próximos dias

A lista completa está também em - osmeusdescobrimentos.com/#locaisdevenda

E o mapa das livrarias está
aqui.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

domingo, 7 de janeiro de 2018

Viagem gastronómica: Saikō em Lisboa

Reportagem ao Saikō
O novo sushi fusão de Lisboa

Resumo da Experiência: Este é o novo lugar no "business district' de Lisboa onde se serve Sushi de Fusão. Mas aqui mais do que a amálgama sensorial a que vários alfacinhas já se habituaram serve-se originalidade gastronómica com toques de Brasil, África, Ásia e Europa. E assim neste cantinho acolhedor do Campo Pequeno conseguem cabem quatro continentes. No final, o paladar sai satisfeito. De ressalvar que ao almoço há menus mais em conta que são de aproveitar. Até porque o preço na ementa, em geral, é para um segmento caro da restauração mas a qualidade dos produtos servidos bem como o trato e a forma da arte de servir justificam o preço. Ideal para negócios, jantares românticos - e atenção que vai haver uma promoção no dia dos namorados - e viagens gastronómicas sem sair da mesa. Bem-vindos ao Saikō.



Reportagem Completa
O novo sushi do "business district" de Lisboa

A convite da Rita e do Tiago que gerem o Saikō (leia-se "saikô") com o apetite já aguçado fui até este novo canto gastronómico da cidade. Lá sabia que iria provar um sushi inovador mas nesta casa, mais do que o sushi, o próprio conceito, o espaço e as pessoas são uma agradável e harmoniosa fusão.

Logo à chegada, como tínhamos mesa marcada, o Jorge, simpático e profissional empregado de mesa, abriu-nos a porta com um sorriso na cara convidando-nos a entrar e dizendo "Estávamos à sua espera Sr. João". Ora começando desta forma auspiciava-se desde logo uma agradável tarde de repasto. No serviço de mesa fomos atendidos pelo Lucas que ao longo das duas horas e meia seguintes nos serviu comida em formato de longa-metragem. Sim, isto foi uma autêntica maratona... Mas daquelas em que se corre por gosto. Até porque a gastronomia japonesa é, logo depois da nossa, a mais singular em todo o mundo. Quem não tem curiosidade para a degustar? Mas por trás dos funcionários do Saikō Campo Pequeno, bem como de toda uma equipa de cozinheiros, ajudantes de cozinha e lado a lado com os gestores (infelizmente a Rita nem o Tiago lá puderam estar neste dia), está o grande motor da casa (e no sentido mais literal também, já perceberão porquê). Então passo agora a apresentar-vos o Chef Péricles Lacerda. Este profissional, já com ampla experiência na área do sushi em Portugal (Zutchi, Tamagoshi, Sushimoto e Rio's), nasceu em Salvador da Bahia e como diz o próprio "Sou brasileiro mas fui criado no Estoril". Indica-nos ele também que o "Saikō é fusão, não é confusão!" O que faz todo o sentido tendo em conta o ar "clean", agradável e convidativo com que este restaurante nos brinda o olhar. Outra frase ainda que ele costuma dizer é que o "Saikō não vende sushi, mas vende sim a experiência".

E posto isto, vamos agora ao que ao que mais interessará aos leitores desta review na zomato... A comida: Começámos por pedir um chá. Até porque num restaurante de inspiração asiática o que mais poderia ser? Veio então o "sencha", um chá verde típico do Japão preparado com as folhas em contacto directo com a água quente, em oposição ao chá em pó também por lá utilizado. De sabor forte, com um travo amargo próprio desta folha oriental (que ressalve-se ainda cresce em Portugal, na ilha de São Miguel, para cá trazida a 1877 pelo mestre da arte de preparar chá, Lau-a-Teng). Mas como gosto deste chá servido numa malga ampla, com ar de ter vindo do Japão bem como o bule, e que nos permite beber descontraidamente e sem que metade do líquido se entorne não sabemos nós ou pouca gente saberá o porquê! O bule é sólido de ferro escuro esculpido geometricamente. E tudo encaixa neste espaço também ele de fusão com motivos árabes da praça de touros, bem como asiáticos. O jardim vertical é também um elemento engraçado e traz (mais) um toque de feng-shui ao espaço. E o bonsai à mesa no seu vaso com o nome do restaurante olha sobre nós o tempo todo. E como fica bem.

> "Saikō é fusão, não é confusão!" - Conta o Chef Péricles

Se antes das sopas se molham as bocas, como por cá se diz. Vou arriscar fundir umas palavras para deixar escrito que com os vossos pratos nos deixaram estupefactos. De uma apresentação irrepreensível. Nem um pequeno desvio de um molho havia. Nota máxima (nem sei se escrever Nota 20, como em Portugal, ou "Nota Deiz", como se diz no outro lado lusófono do Atlântico Sul. Bem, e assim começou provavelmente o mais belo desfile de sempre da gastronomia sushi dos últimos tempos. A marcha alimentar propriamente dita começou com as entradas. Algo surpreendente aí viria, claro. Veio então um prato com duas folhas de endívias recheadas com pasta de salmão, saborosíssimo aliás. E ladeadas com uma porção de pepino marinado e vagens de soja. Estas últimas podem ser revistas, acredito. Pois, por serem muito fibrosas, são difíceis de mastigar. E julgo não ser o único com esta opinião. Um pequeno reparo apenas. Mas saudáveis, lá isso as vagens de soja são.

















Seguiu-se o Ebi Especial Saikō. E que prato... De longe, e não desmerecendo os restantes, foi o meu preferido. E eu que nem sou grande apreciador de camarão. Mas isto estava genial. Mesmo. Julgo que o Chef Péricles fez este golpe gastronómico logo início para nos deixar meio que imobilizados ("vide" a nota final desta reportagem sobre a veia desportista deste chef). O camarão veio enrolado e com ovas do peixe japonês "massagō" em cima. Ladeado no prato pelos molhos "kimuchi" (vermelho) bem como a maionese do chef. E vem claro o gengibre que, em pleno inverno também serve para reforçar o sistema imunitário. Aconselho. Depois veio o Hakusai (não confundir com Hokusai... esse grande pintor japonês do qual recomendo conhecer a obra). Neste prato é servido salmão envolto em couve-lombarda, com molho de maionese, no final salpicado com milho torrado, aqui sim, algo bem baiano, brasileiro, do sertão e interior deste país onde existem tantos outros países. Adorei este prato! Incrível, mesmo. Nota dez, vinte ou cem... conforme a escala. Nota máxima, caros leitores. Isto vale mesmo a pena e pode mesmo até ser um expoente máximo do sushi de fusão lusófona. Um bela mistura e de "fusão mas sem confusão", pois os gostos combinam de uma forma divina. O quarto prato, e ainda a procissão ia a meio..., foi o "Soft Crab", explicou-nos o Lucas. São os rolos de sushi envoltos na alga marinha, mas preparados com caranguejo. E de novo, não sendo eu apreciador de caranguejo, isto está tão bem preparado que é impossível não gostar. Já na recta final veio um prato assaz original. Ovo de codorniz envolto em salmão cozinhado e com ovos de massagō no topo, e vieiras abraçadas por salmão abraseado. No mínimo original, e na verdade, muito saboroso. Principalmente o ovo de codorniz.

















No fim, e ainda antes das sobremesas (e que tabuleiro... já lá vamos!) foi-nos servido um prato com rolos de sushi com camarão, frito ao estilo tempura, e com salmão abraseado no topo. E repicado com molho agridoce tarê (também conhecido noutras latitudes como teriyaki). Muito fixe, mesmo. Então, para rematar, e como golpe final, vieram as sobremesas. E ainda algum espaço no trato digestivo lá se encontrou, para poder degustar esta irresistível mistura (depois da fusão) de comidas doces. Havia gelado de chá verde. Eu gostei. Mas fica desde já o aviso à navegação de que é um pouco azedo mas o chá verde é assim mesmo. Para quem o aprecie na chávena, pois deve provar este gelado que para mais é artesanal. Com ele, vinha também outra bola de chá de sésamo. Saborosíssimo também. E repito: para quem gostar destas sementes, então não hesitem em espetar a colher na tacinha. Para além disto, a tarte de lima é óptima. Bem como a mousse (embora confesse... a da minha mãe é a melhor do mundo e isso nunca será negociável!) A mousse de maracujá estava divinal e lembrou-me das que comi de facto no Brasil onde o maracujá é fresquíssimo, embora também o tenhamos na Madeira. E para os/as apreciadores de cheesecake, não sendo muito o meu caso, informo-vos que as de frutos vermelhos e de caramelo, nesta casa são especiais. Avançem para elas.

E fusão é isto. Para mais, em português. Como tal só tenho a recomendar este restaurante. No final desta "experiência", mais do que o sushi ser de fusão, a vida neste restaurante é de fusão. A começar pelo lugar que é um sushi numa praça de touros, ao Chef Péricles que, como diz ele, é "baiano mas criado no Estoril". Ao amável casal formado pela Rita e o Tiago que adoram viajar. Ao Jorge, oriundo de Angola, das periferia de Luanda e a viver em Lisboa há já mais de dez anos, ao Lucas que tão português que é o seu sotaque, ninguém diria ser ele nascido no outro lado do Atlântico Sul junto a uma das maravilhas da natureza, a Foz de Iguaçú. Mas maravilhosas foram as comidas que esta equipa toda do Saikō nos preparou e trouxe à mesa. Obrigado e muito respeito têm de mim. Fica então um especial reconhecimento, para além da originalidade dos pratos aqui servidos, também a todo o trabalho de pesquisa feito em torno da comida e da decoração japonesa, calculo eu ter sido pela Rita e o Tiago, para além do Chef Péricles, que aporta ainda mais autenticidade ao restaurante. É uma fusão mas que não perde as suas raízes da terra do sol nascente.

E não posso terminar sem desvendar o mistério do motor... Há que destacar ser o Chef desta casa, Péricles Lacerda também um vice-campeão europeu de jiu-jitsu em 2005, e ser também praticante de motociclismo de competição, tendo ganho já a Copa Dunlop Motovale. Não que eu seja um apreciador dos desportos motorizados nem muito menos violentos, que não sou. Antes pelo contrário, mas este baiano que passou pelo "sushimoto" tem de facto histórias para contar devido à sua veia gastronómica, desportista e empreendedora. Tem os meus créditos por isso. De ressalvar também os planos de expansão já em andamento do Saikō para Madrid e Miami. A poucos meses de este grupo de restauração completar um ano de existência, é admirável saber de tais planos. Pois cá estaremos à espera dessa notícia. E já que os portugueses levaram os peixinhos da horta, hoje em dia transformados em "tempura" então, estes portugueses podem muito bem levar o melhor sushi de fusão lusófono para estas paragens. Só não entendo é porquê diferenciarem Lisboa de Estoril. Se o último é também parte da Grande Lisboa. Eu diria a nível internacional e para o resto do nosso país que estão em Lisboa, Madrid e Miami. E em Lisboa diria que estão no Estoril, Campo Pequeno, Madrid e Miami. Julgo que fortalecendo a cidade temos todos a ganhar. Apenas esse reparo no impressionante relevo do vosso logótipo nas escadas. Então resta-me desejar um feliz 2018 a este restaurante, mais uma vez apelar a que Lisboa venha ao Saikō. E a que, como dizia na TV o Chef João Carlos Silva, façam o favor de ser felizes! De preferência no Saikō!

Saikō Campo Pequeno Menu, Reviews, Photos, Location and Info - Zomato

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Lançamento de Os Meus Descobrimentos

















📕 Próximo Sábado, 16/dez às 17h





Foram dez anos para até aqui chegar. A viajar, escrever, sentir e planear. E, sem dar por isso, fiz aquilo que é um livro. Compêndio de momentos, estórias, pessoas e lugares, que juntos fizeram esta viagem. Périplo na Terra, que afinal é mesmo redonda - e ainda há quem ache que não

Este livro é feito de tempo, dedicação, carinho e pensamento. Também o quis fazer de uma ponta à outra, por mim mesmo, sem interferências de terceiros ou editoras. Afinal de contas, o livro é em si mesmo, um trabalho e quando o passamos a outros para o finalizar, a obra despersonaliza-se. Para evitar isso, contei com a colaboração de pessoas que traduziram o que queria e com as quais, em conjunto, finalizei Os Meus Descobrimentos.

Eles estão agora a nascer. A ver a luz do dia e uma vida nova começar. De repente, Os Meus Descobrimentos deixarão de ser meus. Até porque nunca os imaginei assim. Que sejam nossos. Vividos por mim, mas partilhados em conjunto. 

E é curioso como uma longa estrada, de novo, jaz adiante. Vamos então descobri-la.


João Aguiar