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domingo, 14 de maio de 2017

Acreditar ou partir

Engraçado como a história se repete. Ou talvez não... Cem anos depois do milagre de Fátima, e num só dia, o Papa esteve em Portugal, o Sport Lisboa e Benfica sagrou-se tetracampeão nacional de futebol, e, surpresos, admitamo-lo todos (ainda que por uma sistémica descrença nacional), ganhámos a Eurovisão. Para mim, contudo, as duas vitórias não foram surpresa... talvez devesse começar a apostar online. 

Toda esta conjugação de eventos poderia ser apenas uma coincidência, ou algo de divino. Mas não, cá para mim, não foi uma coisa nem outra, pois a energia anímica vertida sobre a sociedade portuguesa, derivada do primeiro dos três factos, potenciou os outros dois. E interpreto que o Benfica alcançar o "tetra", até seria expectável, mas o Salvador (e lá está a simbologia messiânica do nome, para mais a 13 de maio de 2017) vencer a Eurovisão, caros crentes... desabafem e assumam que isto pode ser considerado milagroso. Talvez seja a reedição dum hipotético milagre que sucede de cem em anos, neste dia, deste mês. E é também curioso que em 1917 as aparições foram largamente adoradas (e instrumentalizadas) na Rússia, em ano de revolução bolchevique, e que à época englobaria Kyiv, (cujo território estaria contudo em disputa) e agora, sucede a vitória do concurso da Eurovisão numa simetria inversa. 

Portugal é hoje em dia, ainda que de um modo escamoteado, um dos países mais católicos e religiosos, do mundo. Pelo que o vigor de um estado laico por cá é questionável. Talvez se verifique um pouco, porque as leis assim o ditam, ou até porque o primeiro-ministro descende de hindus, e esse respeito por esta diversidade transmitir-se-á, em parte, na pesada estrutura vertical da sociedade portuguesa. Lembremo-nos também que Portugal tem a cruz de Cristo estampada seis vezes na sua bandeira... No fundo, a explicação para esta pseudo-laicidade, reside em, por um lado, o "estado laico" ser um princípio republicano francês e em, uma vez mais, termos copiado um conceito legal sem perceber a sua validade por cá, e, por outro lado, em Portugal a religião ser tão estruturante à população, que então, restar-nos-á aceitar esta extrema e inevitável religiosidade, ou partir para outro lugar. Pois não acredito em milagres.


















Fotografia: Sintra.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Estátuas da Liberdade

Quando regressava a casa vindo das celebrações do primeiro de maio, subi a artéria central do centro de Lisboa, a Avenida da Liberdade. Qualquer alfacinha já lá passou imensas vezes mas acho que quando regressamos e revemos os lugares, há sempre coisas novas que observamos, tal como quando vemos o mesmo filme duas vezes, à segunda há novos pormenores de que nos apercebemos. E assim vi-a de um outro modo.

Ao subir a avenida, um conjunto de estátuas cruzou-se no meu caminho. A primeira de todas, do histórico libertador da América do Sul e Central, Simón Bolívar, a quem se presta uma eterna admiração na República Bolivariana, e lá está o nome dele na etimologia, da Venezuela. Ou na Bolívia, a quem se dedicou todo o nome do país. As árvores da avenida abriram-se num dos passeios laterais, perante o elevado e imponente vulto em bronze verde, deste militar. Ao ler as inscrições na base da estátua, com a lista dos países por ele libertados - Venezuela, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador e Panamá - é-me despertada uma imagem de gritos de guerra, revolução, sofrimentos e alegrias populares. Como se todas as lutas e batalhas pela independência, feitas de vitórias e derrotas, do vermelho sangue e da água salgada do choro e suor dos militares, ali estivessem plantadas em respeito àquela pessoa. Não deixei de reparar que foi em 1978, ainda no rescaldo da nossa mais recente revolução, que se homenageou aquele prolífico libertador popular.

Mais acima, um busto, também de bronze, no topo de uma coluna branca, que nos dá pela altura do tronco. O vulto é de Chopin, o génio compositor musical, de naturalidade polaca, e a quem se prestou, há pouco tempo atrás, uma tímida homenagem, ali no outrora "Passeio Público". Deste ponto, ao olhar para o outro lado das faixas de rodagem, vislumbrei um imponente trabalho em pedra granítica e bronze, no qual lia, à distância, em letras grandes inscritas na pedra, "Primeira Guerra Mundial", erigido em homenagem às vítimas, guerreiros e sobreviventes portugueses deste nefasto episódio da história contemporânea. Dela emanava dor e sofrimento mas também vitória, nacionalismo e união dos soldados. Enquanto a via, no plano por detrás, harpejava incessante a bandeira na janela do consulado de Espanha, à porta do qual uma patrulha de polícias armados com metralhadoras até aos dentes, por lá se entretinham, para sempre, à procura de um qualquer sinal terrorista, e com que critérios, sabia-se lá. O máximo que viram, terá sido talvez, embora na residência do embaixador, aquando da memorável manifestação de 15 de outubro de 2012. De resto, nada... e a um custo elevado para o erário público.

O pendente desta avenida que se expande desde os Restauradores (lugar de outra importante estátua aos nossos heróis de 1640) até à "Rotunda", intimida mais do que cansa, e por isso depressa subi outro trecho até ao cruzamento com a Alexandre Herculano, onde são homenageados o político Oliveira Martins, o nosso Almeida Garrett, e outro grande escritor, também político liberal e deputado patriota, que dá nome a esta transversal da "Avenida".



Já no topo da estrada e fim da "Liberdade", aguardava-me não uma rotunda, mas antes uma "turbo-rotunda" (versão melhorada da primeira com duas rotundas separadas e concêntricas), inaugurada há poucos anos atrás, mas com um assinalável erro de planeamento na drenagem de águas, identificado no dia da inauguração, por um cidadão anónimo. A estátua, feita de um exagero de pedra e metal, foi feita em honra de alguém que, tendo feito coisas boas por cá, perseguiu e matou muita gente. Sempre que se apura o campeão nacional de futebol, o alvoroço ao redor deste lugar é exagerado, e só possível num país que respeita tanto ou mais este desporto do que a própria religião. Qual a diferença entre os dois? Perguntava-me e refletia enquanto caminhava.

Depois de calcorrear este ex-libris, pelo menos rodoviário, da cidade, não deixava de me orgulhar de que, se na outra costa do Atlântico Norte, há uma estátua da Liberdade, por cá nós temos todas estas as estátuas na "Liberdade".

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Gales ali tão perto

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Apenas a duas horas de comboio de Londres, sita a capital de um dos estados que formam o Reino Unido. Na sua designação em português, é mais do que estado, sendo mesmo um país, de Gales. Desde a gare ferroviária de Paddington, localizada na posição estratégica centro-oeste do mapeamento londrino, a partir das cinco horas da manhã circulam velozes e sofisticadas composições de locomotivas e carruagens da marca Hitachi, ao serviço da Great Western Railway (GWR), empresa à qual foi adjudicada a exploração comercial da linha que liga Londres ao País de Gales. E sim o nome desta linha, tal como o da ilha britânica e quase tudo o resto, é também Great. Mas de onde advirá esta eterna e incessante necessidade de este povo se auto-declarar grandioso em tudo? Talvez porque a ilha, em si, é de pequenas dimensões, sendo então imperativo ludibriar os demais - apenas duas vezes e meia maior do que Portugal, e já incluindo aqui a Irlanda do Norte. Mas, por esta ordem de ideias e de afirmação duma pseudo-grandeza, Portugal é também grandioso, ainda para mais, depois de ganhar o campeonato europeu de futebol, o Euro 2016. E se esta necessidade de auto-engrandecimento ainda seria vista como algo crível antes da descoberta do novo mundo, depois desse marco na humanidade, já não faz qualquer sentido, pois o grande de outrora, em área pelo menos de um ponto de vista mais objetivo, já não o é agora, num tempo civilizacional em que países como o Brasil, Canadá, México ou E.U.A. "rebentam" com a pequena Grã-Bretanha, em área.

Estação de Paddington - Londres.






















Pela linha GWR deslizava a composição, ora suave e com baixa turbulência na cabina permitindo assim desfrutar mais da paisagem, ora célere e já trepidante na carruagem de passageiros. Os bilhetes, aconselho a que os comprem antecipadamente, pois a lei do mercado tudo rege neste cantinho do mundo, não fosse o inventor do axioma da oferta e da procura, também ele britânico, o profeta capitalista Adam Smith, apologista da confiança numa mão invisível que rege a sociedade. Na internet, encontram-se bilhetes baratos, logo nos resultados cimeiros da lista do google, e ora, se os vir, agarre-os e "não deixe para amanhã o que puder fazer hoje", pois na estação de Paddington, os bilhetes serão entre 2 a 3 vezes mais caros, dependendo da hora de saída e da procura pelos bilhetes (lá vem de novo à terra o santo Adam Smith, que se manifesta em todos os aspetos económicos desta pequena grande ilha...).

Cardiff, Cardiff, no horizonte. A oeste, e quase em linha reta, de Londres, capital do Reino, ainda, Unido. Reading, Swindon, o entroncamento ferroviário para Bristol, Newport - a primeira cidade galesa que cruzei nesta viagem, e enfim, Cardiff Central.








Um velho amigo aguardava-me à chegada. E ao tempo que não via este jovem. Em adolescentes tivemos um grupo musical de hiphop, e a vida, as relações, as tropelias e trabalhos desta vida, levaram-no para outros quadrantes na Europa... até Cardiff, que parecia ser enfim um destino final para este comparsa. Munido do seu expertise local pude usufruir mais do meu tempo na capital daquele país. A passagem por Newport, cidade mais a Este, já fora de uma beleza inolvidável. Bem cedo, parti do bulício de Londres, eram oito da manhã, duma estação apinhada de profissionais aprumados, a procurarem um lugar vazio no comboio. A maioria ia sair em Reading, lugar de significativo pólo universitário (e onde é que não há boas universidades neste reino, afinal?) assim como também um importante centro de operações da National Grid (ou seja, Reading é uma espécie de Vila Franca de Xira britância, do ponto de vista logístico), e no apeadeiro seguinte encontra-se Swindon, algergue para um cluster de empresas tecnológicas que, mais distantes de Londres, beneficiam da tranquilidade bucólica que os stressados engenheiros tanto precisam para conseguirem gerir as suas equipas. Depois, e passando por uma estação chamada Bristol, mas na verdade situada ainda a dez quilómetros dela, chega-se a Newport, onde o sol, erguendo-se a a Este, se fazia refletir e dourar pelo rio Usk que se estendia por braços de mar até ao sal do Canal de Bristol no Atlântico Norte.


Newport - País de Gales.



















"Cardiff central" é a estação a escassos metros dos principais cruzamentos da cidade. De lá caminhei, tendo parado poucos minutos depois numa loja de venda de instrumentos musicais. Era inevitável! Para perscrutar os preços locais, pois a verdade é que a tecnologia musical é mais ubíqua por estes lados do globo. E em Cardiff os preços poderiam tender a ser mais em conta, do que o poço inflacionário da capital do reino.

Esta cidade, de dimensões médias, é também ela, nos tempos que correm, dominada no seu cerne por um centro comercial. O centro urbano foi requalificado dando origem a uma nova biblioteca e um manancial de galerias, que embora rodeadas por igrejas renascentistas assim como ladeando o impressionante castelo desta urbe, não deixam de ser um conjunto arquitetónico desenquadrado do todo que é a ambiência medieval e mística de Cardiff. Mas os tempos atuais são pautados pelo predomínio do comércio, capitalismo e conhecimento, que é o que econtramos na rua The Hayes. Acrescerá ainda o dissabor de que estas obras de reconstrução no centro da cidade, levadas a cabo entre 2007 e 2010, foram financiadas pela União Europeia... e agora, fundos aproveitados, brexit! Mas verdade seja dita, muito também deram para a UE, os contribuintes do Reino Unido, pois todos nós participamos nos fundos coletivos, através do IVA/VAT. 

Ao caminhar no centro, na principal rua de comércio da cidade, a The Hayes, poderá o viajante reparar na estátua de John Batchelor, um empresário e político galês do século XIX, também presidente da câmara de Cardiff por um tempo, e a quem foi atribuído o epíteto de "amigo da liberdade", devido à sua campanha contra a escravatura.


 











  



Cardiff é uma cidade média, que no seu conjunto do centro e arrabaldes, abriga 350 mil habitantes. Duma ponta à outra, vão cerca de seis quilómetros, e se imaginarmos uma cidade como um círculo, pois esta não passará de metade, pois situa-se e cresceu em meia-lua, limitada pelo mar. Se tentar estabelecer um paralelo entre esta cidade britânica e uma portuguesa, apenas para que o leitor possa mais facilmente visualizar esta cidade pelo seu tamanho, apontaria para a área urbana de Setúbal, também assente na costa e limitada pelo mar, e o rio.

Seguindo caminho das recentes galerias até ao fim da rua The Hayes, a "rua direita" de comércio de Cardiff, avistamos então à esquerda o Castelo de Cardiff, e à direita a Câmara Municipal. A extensa, quadrangular e geometricamente perfeita forma do castelo impressiona e invoca o viajante até ela. Não obstante, o conjunto de edifícios da municipality e da universidade, além de bonitos incluem nele inscrições como "Poetry and Music". Ainda muito no centro, e mesmo ao lado do castelo que serviu de base à cimeira da OTAN/NATO em 2014 (e que não teve nem metade das manifestações que se viram em Lisboa em 2010 - ler o romance "Ativistas"), encontra-se o vasto, plano e apaziguador Bute Park, e que tem de facto motivos para se convidar alguém para lá ir... "bute lá?" :) Como é apanágio nos países anglófonos desenvolvidos, os bancos de jardim são o espaço preferencial para fazer uma dedicatória oficializada a alguém perecido, o que é visível pelas imensas pequenas placas colocadas a meio do encosto do banco, onde muitos locais prestam homenagem a entes queridos. Cerceando os vislumbres que se tem da cidade a partir da estação de comboios, marca também presença o estádio municipal pelos seus elevados, curvos e portentosos arcos metálicos, deste recinto desportivo que há bem pouco tempo, em 2015, recebeu alguns dos jogos do campeonato do mundo de rugby.  





  

 


 


Pelas ruas da cidade, respirava-se a frescura marítima, enquanto se passeia por um misto de história e obras urbanas mais recentes. As placas de trânsito e com direções são bilingues, com espaço também para o galês, língua de matriz celta e praticamente indecifrável para o habitual falante e leitor de inglês. 




 





No que refere à gastronomia, o que esperar da culinária nativa britânica? Ainda que a maior gentileza, agradabilidade e singeleza de Cardiff e do País de Gales, possam ser também manifestadas na comida local, optei por, e não resisti, a sentar-me à mesa num restaurante de inspiração portuguesa (sim, e de inspiração apenas, porque a comida já estava algo cafrealizada no ecossistema local), onde me serviram um bife na pedra acompanhado de uma cerveja super bock. O Nando's das galerias de restauração Brewery Quarter estava lotado, e como tal, servi-me deste cantinho pseudo-lusitano ali ao lado. De destacar os maus modos do gerente do espaço que ao saber que sou de Lisboa, se fechou na conversa, expressão facial e se enrolou em atrasos dos pedidos para a mesa. Ainda estas infantilidades norte-sul... e talvez ainda mais presentes, fora deste retângulo à beira-mar plantado.

No final do passeio, "merenda comida, companhia desfeita", e se não eu aprecio este adágio, desta vez foi mesmo assim, rumando a Londres de volta e num bilhete mais barato, pois a procura pelas três da tarde é menor... Oh Adam Smith que estais no céu.... :) é imperativo lembrar. Bem, e no fim do dia, de regresso a metrópole londrina, pensava para comigo que com Gales ali tão perto, esta Bretanha não é assim tão grande.













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quinta-feira, 14 de abril de 2016

PROIBIÇÃO DO MMA! ISSO NÃO É DESPORTO!

Excelentíssimos(as) Senhores(as) Deputados(as),

Venho por este meio até Vossas Excelências, solicitar que seja debatida a ocorrência de inúmeros combates e o treino de praticantes para a modalidade "Mixed Martial Arts" em Língua Inglesa, mais conhecida pelo acrónimo MMA, e que em Língua Portuguesa, é também conhecida como "Vale Tudo". Ora apenas pelo nome em Português, já será possível depreender a violência que está subjacente a esta prática.

Como os Ex.mos(as) Deputados(as) saberão, há poucos dias atrás um jovem português faleceu na República da Irlanda, na sequência de um combate deste tipo, tal como poderão constatar pelo artigo noticiado em:
[1] http://www.dnoticias.pt/actualidade/desporto/580587-lutador-portugues-de-mma-morre-apos-combate-na-irlanda

Mais grave ainda é que vários canais televisivos nacionais transmitam despudoradamente estas práticas desumanas em que cujo objetivo, é muitas vezes espancar o adversário até um estado de quase-morte. E foi esse o caso deste jovem português que faleceu poucos dia depois num hospital irlandês, tão graves que foram os traumatismos cranianos que lhe foram infligidos. Neste momento, a polícia local já investiga o ocorrido.

A Sport TV emitia estes combates "MMA" / "Vale Tudo" até há poucos meses atrás, e agora a Benfica TV passa recorrentemente os combates de MMA da liga UFC na sua emissão, como se pode ver em:
[2] https://www.facebook.com/BTVcanal
[3] https://www.facebook.com/BTVcanal/videos/vb.877177535650566/1181088135259503/?type=2&theater

Por estar convicto de que é um imperativo defender a proibição destes combates "MMA" em Portugal, venho por este meio com todo o respeito por vós, sugerir e pedir que Vossas Excelências agilizem os meios possíveis na Assembleia da República para evitar estes atentados à dignidade humana em solo nacional, realizando:
- um debate parlamentar;
- ou propondo um decreto de lei;
- ou averiguando em sessões de inquérito junto das associações que defendem e apregoam esta prática.

Infelizmente, e talvez fruto do desemprego jovem e de baixos níveis de auto-estima nas franjas mais jovens da nossa população, principalmente residente nas periferias dos centros urbanos, mas não só obviamente, esta prática tem-se difundido bastante por entre a população jovem e adolescente pela via, inconsequente claro, de que ali veem para se afirmarem. E esta prática pode estar à beira de se tornar um cancro social nas camadas mais jovens dos bairros periféricos dos centros urbanos nacionais, que vendo-se numa situação de desocupação académica e/ou laboral, assim como muitas vezes usando esta luta como um recurso de auto-defesa ou ataque em situações de conflitos, usam estas práticas violentas e atentatórias da dignidade e da integridade humana.

De novo, há poucos dias faleceu um jovem Português de apenas 28 anos, na sequência de uma luta. E este não é caso único infelizmente.

Este tipo de combates violentíssimos degrada o ser humano e junta ao redor de um círculo com redes e em torno das TVs/PCs do nosso país, indivíduos que assistem a duas pessoas esmurrarem-se até estarem prontas para ir para o hospital, onde dias depois acabam por morrer. Desde 2012 que estas lutas ocorrem e desde então já cinco praticantes morreram tamanha é a violência desta prática. Os lutadores usam luvas, quando e se as usarem, mas que são muito menos espessas e não há proteções para a cabeça sequer. Os árbitros como já se terá depreendido limitam-se a nada fazer até verem alguém prostrado no chão do ringue sem os sentidos, e já em estado cianótico. Os comentadores e televisões que transmitem este circo, limitam-se a viver desta luta abjeta e estúpida. São claro incitadores da violência, ódio e sujam a humanidade, sendo também cúmplices desta violência gratuita. É injustificável que tais desportos sejam permitidos, e é atentatório da dignidade humana em Portugal, e como tal desrespeitador da Constituição da República Portuguesa.

O ódio gera ódio, e tem consequências graves na dignidade do ser humano. Agradeço a intervenção de Vossas Excelências Deputados(as), junto do Benfica TV, assim como de outras entidades que promovam e incitem à violência por parte desta prática desumana, para regular estes conteúdos violentíssimos e que com certeza impressionam e mal-educam a vasta maioria da população, e em especial os públicos mais sensíveis.

Claro que me surpreende também como é que as nossas autoridades permitem que isto aconteça!
MMA NÃO É DESPORTO e não deve ser transmitido! É injustificável que tais desportos sejam permitidos, e é atentatório da dignidade humana em Portugal, e como tal desrespeitador da Constituição da República Portuguesa.

Devemos claro expressar, a nossa solidariedade para com a família e amigos do jovem português, mas também deixar o alerta para que doravante, se reflita sobre a impertinência e desumanidade deste tipo de combate "MMA", e que se o proíba já, pois isso não é desporto.

Concluo afirmando que urge a proibição do "MMA", pois isso não é desporto!


Com os meus melhores cumprimentos e votos para continuação de bom trabalho,

João Aguiar

Membro Efectivo da Ordem dos Engenheiros

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Transgénicos Fora


Caros e Caras,

Não posso deixar de intervir sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM), vulgarmente conhecidos como Transgénicos, pois este tema é-me caro e já sobre ele me debato há vários anos, um década talvez.

E quanto a ele afirmo que:

Há provas científicas, ou seja irrefutáveis, i.e. não são questões ideológicas, políticas, interpretativas nem sociais, mas sim de ciências exactas, de que:
1) As plantações não transgénicas são mais rentáveis do que as transgénicas, ou seja, produz-se mais comida com sementes não transgénicas do que o contrário;
2) A ingestão de OGM provocou em ratos, problemas de infertilidade, e problemas renais - "vide" artigos científicos do Seralini;
3) Que o glifosato, o herbicida exclusivo para se poder plantar sementes transgénicas, provoca Cancro - "vide" recente missiva da OMS - Organização Mundial da Saúde.




Sobre isso, acresce que, e a título debatível, por não haver factos exactos, mas opiniões formuladas, com base no bom-senso e/ou na lei que:
4) Pelo princípio da precaução, um dos princípios basilares da União Europeia, e de muitas Constituições, não se deve deixar trilhar o caminho dos transgénicos, pois ele pode hipotecar gerações inteiras, havendo um risco de irreversibilidade nos danos por ele causados na Saúde Pública Humana, Animal e Vegetal. Logo deve aguardar-se mais tempo, vinte ou trinta anos, para se comprovar se os OGM são, talvez, logo se verá, efetivamente seguros. Até lá, ficam fora do mercado;
5) Os OGM não resolvem o problema da fome no mundo. Ver ponto 1 e considerar que são um negócio e não uma Acção de Caridade como por vezes as Multinacionais Agroalimentares dedicadas aos OGM fazem crer;
6) A vida não é patenteável! As empresas de transgénicos fazem pequenas alterações em seres vivos, ou vão buscá-los a lugares remotos como a Amazónia, para depois os patentearem. A vida é registável como sendo de alguém? Se sim, a partir desse momento, sempre que quisermos plantar algo, por exemplo uma semente desse ser vivo, temos que pagar um imposto a essas empresas! E pior, se não o fizermos podemos ser processados em Milhões de Dólares. Há o problema também da polinização cruzada que é incrontrolável. Pesquisar sobre um agricultor americano que foi processado pela Monsanto por, sem ele saber estar a crescer Milho, cujas sementes foram transportados de um campo anexo ao seu, e ele não poder controlar a ação dos Agentes Erosivos.

É estranho, anti-natural, uma negociata autêntica, um vexame à natureza, aos povos, aos guardiões de sementes, e como tal deve ser proibido. Que é, FYI, o que já está a acontecer pela Europa, América Latina e Ásia fora.

Mais informações:
www.stopogm.net - Plataforma Transgénicos Fora!
Uma plataforma portuguesa que luta pelo nosso país livre de transgénicos


Se alguém quiser posso recomendar Biblio e Filmografia sobre este tema, para evitar a maior proliferação de questões erróneas...

Saudações ecológicas!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Qual é a diferença entre mim e um grego?

Crónica publicada no Jornal Dínamo 04 de Fevereiro de 2015
www.jornaldinamo.com/wp/qual-a-diferenca-entre-mim-e-um-grego


No ensino obrigatório, os gregos estudaram a República de Platão, os Tratados de Geometria de Euclides, os pensamentos de Sócrates, o original, e estudaram a organização democrática da sociedade assim como os pilares do pensamento e das sociedades modernas.

Em Portugal, no ensino obrigatório, eu estudei e com muita fruição, “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, “Os Maias” de Eça de Queiroz e o “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garret, entre outros mais.

Agora tirem-se as conclusões.
Somos diferentes? Somos. Sem dúvida.

Os Gregos têm muito mais cultura democrática, republicana e filosófica do que nós? Sim. Sem sombra para dúvidas.

Os Portugueses vêem as oportunidades passarem-lhes ao lado, porque não exercem com inteligência, racionalismo e convicção o seu direito de decidir os destinos da nação ao votar de quatro em quatro anos?
Sim, é verdade.

Foto de George Rex
Creative Commons























A massa maioritária do eleitorado português é masoquista e gosta de votar, sem qualquer racionalismo e sem questionar, sempre nos mesmos que ao longo das décadas não têm defendido com veemência e democracia os interesses do povo de Portugal?
Sim, a massa lusitana é masoquista e gosta de fazer os mesmos erros várias vezes. Muitos dos votos são mesmo escolhidos com base no clubismo, assim como um benfiquista é inquestionavelmente desse clube até morrer.

O eleitorado grego foi racional, e decidiu desta vez, por exclusão de partes. Tal como no concurso “Quem Quer Ser Milionário”. Ora vejamos como terá pensado um/uma grego/a nas vésperas das eleições:

A hipótese A “PASOK”, nem pensar, dessa tenho a certeza que não. E o resultado ficou à vista: 4% dos votos. Passou de uma maioria a 4% em menos de 5 anos.

A hipótese B “Nova Democracia” já lá esteve também, só piorou a situação social, mais pessoas emigraram do país, mais desemprego jovem, e pior do que isso, continuou a não defender os interesses da Grécia na UE, sempre adoptando uma política de servilismo burro, incondicional e que não questiona ou renegoceia nada.

A hipótese C “Syriza” é a que sobra. Até que tem gente credível. No programa deles, têm propostas razoáveis, dizem que nos vão defender. E nós vimos no Parlamento Europeu que eles nos defendem mesmo. Então vamos votar neles!

Então, minhas amigas e meus amigos portugueses e portuguesas,
do que é que estamos à espera? A resolução de ano novo para 2015 é começar já a preparar o voto para o próximo Setembro/Outubro. Só estamos à espera que senhor Aníbal comunique a data do sufrágio. E desta vez, vamos com racionalismo. Não vamos cometer o mesmo erro duas vezes!


Crónica publicada no Jornal Dínamo 04 de Fevereiro de 2015
www.jornaldinamo.com/wp/qual-a-diferenca-entre-mim-e-um-grego

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Viagem Pessoal

1)

Não interessa o que eles foram
Nem tão pouco o que és.
Portugal é saudade,
Emoção e rigidez.

À teimosia, ignorância
e prepotência
É-lhes dado o espaço para
conquistarem a sociedade.

Ao sentimento, amor
e à liberdade,
é-lhes reservado o papel
de ingratidão, para ripostarem.

Sociedade nossa,
dividida em duas,
e cada vez mais,
bipolarizada.

E o diálogo,
entendimentos,
os sorrisos,
o comprometimento?



2)

Quando nascemos
de nós, nada sabemos.
E quando crescemos
assim nos mantemos.

As noites, as manhãs
e os dias vão-nos moldando
ao nosso próprio corpo,
e assim aprendemos.

Semblante que ganhas
o tom das mesmas palavras
que proferes
e dos olhares que diriges.

Íris que adquires
as tonalidades
de todas as
quatro estações

A sociedade consegue
ser fria,
má juíza e
vingativa.



3)

E na verdade,
não se quer
estar cá para
assistir a isso.

As tempestades por vezes
vêm direito a nós
e pouco ou nada
podemos fazer.

Pouco mais resta
do que escrever.
O sentir, as emoções,
e a comoção.

Ser livre de pensar,
espalhar
e gritar ao mundo
que somos livres de ser livres.



4)

Mas nem tudo é mau.
O que está meio bem
Também está meio mau.

Os meus pais são belos,
exemplares, humanos e irrepreensíveis.
Como lhes gabo as capacidades
Como os admiro, repleto de amor.

Todos vimos de lá.
De uma família, um berço,
do amor criacional
que nos nutre de bem-estar e auto-estima.

Todos vimos de lá,
desse amor
incondicional
que nos mantém vivos.

Todos vimos de lá,
e no final de contas,
não somos mais do que poeira
oriunda das estrelas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O que se passa em Portugal?

Notícias, pessoas, conversas. Passeios no Jardim da Estrela, ao centro de Lisboa. Um frenezim, melancolia e estática. Ao ver as notícias, as pessoas e o mundano, tudo continua igual. Mas cada dia que passa sei que estou certo. Sei que a governação deste país é cronicamente inviável, difícil e muito desempoderadora. 

Há uns anos atrás, numa altura em que visitava uma quinta nas serras algarvias, um alemão cientista auto-didacta (quer isto dizer que desenvolvia tecnologia de plasmas na sua pequena casa na montanha!), e lá a viver há mais anos do que os que estou vivo, me dizia: “Vocês portugueses têm um problema de confiança. Têm medo de conseguir!” E sim, sem dúvida. Cada vez mais concordo com ele. Temos que nos impôr. E sim, cabe-nos mudar a situação atual. É o desafio da nossa geração, de romper com estas teias de mendicidade europeia, a que nos temos agrilhoado ao longo das últimas décadas. 

As pessoas são o essencial em Democracia. Relembrando a etimologia desta palavra, temos “Demos” e “Cratos” em grego. O poder do povo. Mas sabemos que se passa o contrário. Um povo, uma classe política e um país subjugados ao dinheiro, ao lucro, à necessidade de as empresas criarem o capital, do qual, claro está, apenas uma ínfima parte é para pagar os rendimentos dos assalariados. O grande problema disso, é que é negligenciada uma importante parte da equação: as pessoas. Os portugueses não são empoderados. Porque poucas vezes se lembram deles. A começar pelos políticos, depois a continuar pelos próprios portugueses, que poucas se vezes se lembram uns dos outros, enquanto grupo, enquanto colectividade, enquanto povo soberano do seu destino, e claro, porque muitas vezes, nós mesmos, não nos lembramos de nós também. O tempo, o dinheiro, a família, os amigos, o trabalho, os superiores, as notícias. A vida pode dar-nos a felicidade, mas a quantos portugueses é que ela bate à porta?

Neste momento, a nós portugueses, não diria “Sim, podemos”, até porque essa linha tem direitos de autor, e para copiar, os espanhóis já usaram isso num partido da sua sociedade civil. Diria antes, “Portugueses, do que é que estamos à espera?!!!” Não temos que seguir fulano ou fulana. Apenas temos que nos seguir a nós mesmos. Dentro de nós temos a resposta a tantas questões. É a nossa inteligência tanto racional como intuitiva que deve reger as nossas acções e não a de mais ninguém. Se isso não estiver a acontecer, é porque o poder está agregado em excesso, e é porque a nossa opinião está a ser posta de lado, nem sequer indagada.

Nos dias que correm, o grau de instrução dos jovens, mesmo ao nível do ensino obrigatório, permite analisar e decidir o quotidiano com um grau de conhecimento muito acima do que havia há algumas décadas atrás em Portugal, na Europa e no Mundo. No passar dos dias, vão-nos pedindo coisas que não achamos correctas. E claro que há coisas e coisas, e temos que ponderar o seu real valor. Mas não podemos aceitar o que vai para além do razoável. A tua voz conta. E a voz do teu pensamento. A frustração de ir para casa com ideias que não foram expostas ou debatidas, não vale a pena, e na espuma dos dias, degrada este país. Levantemos a nossa voz. Pensamento já o temos. Confia em ti.

Foto de Pete

Foto com licença Creative Commons para Pete - www.flickr.com/photos/comedynose/4643185598

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Desabafo - TGV em Portugal

Bom, tenho visto coisas fora de Portugal e muitas vezes fico a pensar no que se passa dentro do nosso país. Queria desabafar sobre o tópico quente (será que ainda é? confesso que nao sei porque ja estou fora ha quase 2 anos e nao vejo as noticias todos os dias) do TGV - Comboio de Alta Velocidade.

Em Espanha existe comboio de alta velocidade - AVE - como lhe chamam.. Espanha é montanhoso - é o segundo pais europeu mais montanhoso depois da Suiça - tem impostos mais baixos do que Portugal e uma densidade populacional menor (92hab/km2 vs 115hab/km2 fonte wikipedia).

O que é que se passa para nao haver comboio de alta velocidade em portugal???
Falta de dinheiro publico? hmm.. nao parece mesmo...

É uma vergonha que apenas exista um comboio diario, e dos velhoes antiquados que liga Madrid a Lisboa, e apenas durante a noite.

Que fixe nao é? Depois o pessoal fica dependente dos camionistas para ter as prateleiras do supermecado cheio, e o carro com gasolina.

Portugal é um pais que sofre do seu isolamento do resto da Europa - tem apenas uma fronteira terrestre, com Espanha. Ou seja, dependemos das estradas espanholas, da conduçao espanhola, da terra espanhola para enviar ou receber produtos dos restantes paises europeus. Alem disso estamos dependentes de empresas privadas para fazer os transportes, que podem fazer greves quando quiserem. Que bom, nao é? Pois é claro que o estado deve fazer o maximo possivel de ligaçoes de transporte publico e estatal ao resto da Europa, atraves da Espanha, por comboio, e aumentar as ligaçoes por barco a França, Inglaterra.

Alem disso, muitos paises recentemente compromoteram-se a reduzir as emissoes poluentes drasticamente e ter 20% de energia total de fontesd renovaveis. Ora um otimo modo de fazer isso, é implementar mais transporte publico! Mais ligaçoes a Madrid e ao resto da Espanha parece lógico.

Num futuro proximo que cada vez mais se antecipa verde, onde o ecologico e sustentavel será um standard de vida, viajar de comboio será a melhor opçao. O aviao é de todos os meios o mais poluente, e o de carro polui imenso também. O comboio usa eletricidade, que se gerada de um modo verde, é a melhor opçao. Como se diria em engenharia.. é a soluçao otima!

Como é que os politicos nao veem isto???!!!

Bom, mas isto pode ser feito com mais ligaçoes de comboios normais. TGV entao porquê?

Porque as pessoas querem viajar rápido. As sociedades mundiais estao cada vez mais rapidas. Os politicos e o povo em geral (para terem mais emprego) nao querem que exista mais investimento em Portugal? Pois digo-vos que os empresarios viajam muito de comboio e se existe um TGV que liga a Lisboa, ele sera usado muito por pessoas de negocios, de Espanha, de França tambem (onde todas as ligaçoes ferroviarias intercidades do pais sao em TGV) e claro do resto da europa.

Porque TGV é a tecnologica atual e Portugal como um pais da uniao europeia ja desde ha quase 20 anos, e alem do mais isolado na ponta ocidental terrestre do continente, deve estar na ponta tecnologica mundial, ate porque dinheiro para isso, asseguro-vos que há. Se ha em espanha! Eles teem menor densidade populacional e pagam menos impostos. Mais, haver TGV é sinald e inovaçao, de desenvolvimento o que so por si atrai mais investimento.

Falta de dinheiro?
O pais é montanhoso?
O pais é pequeno?
Nao venham com essas cantigas.

(escrito a 6 de Agosto em El Burgo de Osma, Espanha)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Lisboa, aí vou eu!


Pois é amigos, já comprei a minha bicla, agora é só pedalar!