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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Documentário - Os Meus Descobrimentos - Volta ao Mundo em Couchsurfing - Pt. I

O documentário já está disponível em quatro partes no leitor abaixo,
tal como no canal de youtube youtube.com/heinzaguiar
e no site osmeusdescobrimentos.com
Na primeira parte, há filmagens de Marrocos, Mauritânia, Senegal, África do Sul, Moçambique e Lesoto.
Agradeço que partilhem e façam like no vídeo.
Espero que gostem !
#osmeusdescobrimentos
#estamosjuntos





quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

terça-feira, 3 de maio de 2016

E-book do colectivo Portuguese Riders Crew

Este foi em equipa. Lancei o mote e imprimi o livro. Em edição de autor, portanto, e entretanto já esgotada. Mas está nas bibliotecas. E o livro está também aqui no blog em formato online. Boas leituras ;)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Programa de Rádio #5 - Mauritânia abaixo até ao Senegal

Emitido a 5 de Dezembro de 2009

Com o ponto de partida na capital mauritaniana Noakshott, rumo para sul no camião "Frankenstein", conduzido por dois espanhóis bascos que solidários com a viagem me ofereceram boleia. Conduzimos pelas terras arenosas da Mauritânia abaixo até avistar o Rio Senegal, onde a fronteira com o país homónimo deste curso de água, nos aguarda com várias surpresas.


Músicas:
Khalifa Ould Eide & Dimi Mint Abba "Hassanya Love Song" [Música Moura / Mauritânia]
Youssou N'Dour - Set [Mbalax / Senegal]
Cheik N'Digël Lô - Jeunsesse Senegal [Mbalax / Senegal]

Fotos:
Mauritânia - Fevereiro / Março de 2008


Senegal - Março 2008 - Pôr-do-sol sobre o deserto


"Os Meus Descobrimentos" é um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em http://www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã.

Se estás no facebook e não consegues ver o player do programa e as fotos, visita o blog: http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Programa de Rádio #4 - Na terra dos Mouros

Programa #4 - Emissão a 21 de Novembro de 2009

Passeando na terra dos Mouros, a Mauritânia. A entrada no país é atribulada ao ficar com o jipe onde seguia em boleia, preso numa extensão de areia com minas. Da primeira noite no país, dormida em Noadibou com uma grande lagostada na barriga, vamos de boleia até à capital Nokashottt, onde sou recebido num bairro típico da cidade com irrecusáveis sessões de chá.



Músicas:
Khalifa Ould Eide & Dimi Mint Abba "Art's Plum" [Música Moura / Mauritânia]
Nuru Kane [Gnawa fusion / Senegal]
Etran Finatwa "Ildeman" [Blues do deserto / Níger]
Khalifa Ould Eide & Dimi Mint Abba "Hassanya Song for Dancing" [Música Moura / Mauritânia]

Fotos:
Mauritânia - Fevereiro / Março de 2008


"Os Meus Descobrimentos" é um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã.

Se estás no facebook e não consegues ver o player do programa e as fotos, visita o blog: http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Registo #3 - Mauritânia-Senegal

Saint-Louis, Senegal

Amdulah, Amdulah! (Graças a Deus! em árabe)

A sorte tem sido generosa comigo até aqui. Posso até dizer que a minha fé em Deus aumentou desde que saí de Lisboa. Muito provavelmente também tocado pela forte presença da religião em Marrocos e na Mauritânia. Afinal de contas o nosso Deus é o mesmo deles! Para quê tantas guerras? Enfim, isso é uma outra discussão com pano para mangas...

Cheguei a Noakshott, capital da Mauritânia com os 2 franceses que me deram boleia desde Marrocos, Layoune. Mohamed, do couchsurfing encontrou-se comigo num albergue na cidade. Estava com ele, estava com Deus, percebi em poucos instantes. Instalou-me num quarto que ele próprio aluga para receber amigos seus do couch surfing. Levou-me à casa da sua família, onde me sentei no chão com eles, confraternizando e vendo as notícias e a novela na TV (estão em todo o planeta!). Ofereceu-me peixe grelhado de almoço, improvisámos música com dois baldes, uma guitarra e batendo palmas. Que mais se pode ter numa recepção? Belisquei a pele e senti de novo a realidade do sonho que estou a viver.
Mauritania - Noakshott Mauritania - Noakshott - colores del cielo
Roupa típica da Mauritânia. Pôr-do-sol. Nouakshott, Mauritânia.

O quarto onde pernoito é humilde e fica num subúrbio de Noakshott - Sebkha. O prédio tem um grande átrio de entrada, partilhado pelos seus dois pisos e para o qual todos os quartos são virados. Famílias de quatro e mais pessoas vivem todas num só quarto igual ao meu, com cerca de 4mX4m. Vive-se mal e a áfrica negra está cada vez mais próxima e real.

A tradição do chá é muito forte na Mauritânia. Sentadas no chão, as pessoas reunem-se em torno de um fervedor de água, partilhando o chá em pequenos copos de "shot". É impossível recusar um convite para sentar e tomar um chá, pois tal é visto como ofensivo, e mesmo que se fique impressionado pelo modo como se lavam os copos há que sentar, beber e tentar comunicar mesmo que não falemos a mesma língua! É que, para lavar os copos, apenas os molham na mesma água, não potável, que usaram para lavar, pelos menos o dia todo! O chá é super concentrado e mega doce, e o modo como o preparam é algo único. Ficam vertendo o chá de um copo para outro, com uma mão a um metro de altura da outra, durante vários minutos até que se forme uma espuma no topo do copo. Diferente! É uma tradição cultural e todos os mauritanianos sabem fazer isto. Não quero recusar os convites mas sei também que não posso abusar desta bebida, pois muito provavelmente é feita com água da torneira, ainda que fervida.
Quarto na Mauritânia Acampamento Mouro
Quarto em Nouakshott. Tenda do lado da estrada onde certamente se bebe muito chá.

Durante a noite acordei com o barulho de baratas mexendo as patas por baixo do plástico que cobre o chão do quarto. Antes de me deitar borrifei o quarto com o pesticida Biokill e a meio da noite elas iam aparecendo por baixo do chão de plástico sem mais local para onde ir. Posso dizer que foi uma noite bem "barata" (Comé Xô Barata??) mas mal dormida. O meu visto na Mauritânia estava a acabar em dois dias, e então decidi ficar essas noites noites no Auberge du Sahara. As condições no quarto onde estava não eram as melhores e tinha urgentemente que encontrar alguém que estivesse também a descer até o Senegal. E assim foi! Amdulah!

Dois amigos espanhóis, do País Basco estavam a descer até Dakar! Que bem, que sorte senti ter. Graças a Deus, a Alá, o que quer que seja! Senti sorte. Estava apertado na Mauritânia, sem confiar muito no transporte que teria que fazer até à fronteira e com a maioria do pessoal nos albergues a descer noutras rotas, para o Mali e Burkina Faso. Mas deu certo! Ah ah! Os espanhóis eram muito gente boa. Jantámos juntos, bebemos uns copitos com malta francesa no hostel e rimo-nos muito enquanto tocámos guitarra e djambé pela noite fora... que bien!
Festa no Albergue
Festa no Albergue, com exercícios de equilíbrio à mistura!

Dia seguinte: rumo ao Senegal! E assim foi. Um dia atribulado, desgastante, mas foi possível. Saímos de Noakshott pelas 9h da manhã e chegámos a Rosso, cidade fronteiriça com o Senegal pelas 12h. Miúdos armados em guardas alfandegários apareceram do nada à nossa volta, querendo tratar da nossa papelada para cruzar a fronteira, a troco de uma comissão... por supuesto! Igor, um dos espanhóis vacilou e passou os nossos documentos. Caraças! No final, lá nos safámos e a troco dumas oguyas (moeda da mauritânia). Mas não aconselho que faças o mesmo, se cá vieres. Não dês ouvidos a ninguém que não seja polícia, e reza também para que eles sejam sérios. Tivemos os 3 sorte: Igor, Gregory e eu. A saída da Mauritânia foi um pouco atribulada mas fez-se. O pior estava agora para vir... a entrada no Senegal! De novo, pseudo-alfandegários chegam perto de ti para enganarem, mas é tudo falso. Não dês ouvidos a ninguém nesta fronteira. Fala apenas com polícias e oficiais da alfândega e reza para que tudo corra bem.

Tinham-nos dito que íríamos pagar muito para que o camião onde seguíamos viagem entrasse no Senegal, mas não, correu tudo bem. Pagámos cerca de 4 euros para entrar e cerca de 30 euros pelo seguro. Os pseudo-alfandegários queriam vender por muito mais. De qualquer das formas, é muito dinheiro para os locais. Aproveito também para vos apresentar o Frankenstein, ou antes, Franki, como abreviavam os dois bascos. Camião Iveco, comprado por Igor e Gregory em Espanha, e afinado às ncessidades da viagem: porta-cargas virou roulote, onde tinham uma cama de beliche, um fogão, bancada e vários armários de cozinha. Genial! Tinham tudo ali, viviam ali e eles é que alteraram tudo. Cobriram a estrutura metálica do porta-cargas do camião com espuma (aquela que fica sólida e serva e de isolante entre paredes) e cobriram tudo por fora com a coberta original verde de plástico grosso. O sistema de som estava na cabine e ia até ao quarto. Bombava a toda a hora Peter Tosh em alto som, e era por isso alimentado por quatro baterias! História virá por causa disto... ;)
Camiao Frankenstein - franky Franky!! Frankenstein - Grego!
Frankenstein a.k.a. Franki e Grego, no seu interior preparando o jantar.

Depois de 4 horas na fronteira, atrapalhados por trafulhas e maltrapilhos, e sempre com uma mão no bolso e outra na bolsa à cintura tateando o passaporte, seguimos para St. Loius, bela cidade colonial francesa no norte da costa senegalesa. Poucos kilómetros depois da fronteira, numa paragem para controle policial, a bateria, ou antes as baterias foram-se abaixo! Fomos 7 a empurrar o Franki. Dois polícias, 3 locais que pararam o carro na estrada, o Igor e eu. O Gregory rodava a chave na ingição até o camião ligar. E ligou, ao fim de algumas tentativas. A sua idade de 20 anos já não perdoa, e daqui para a frente viriam mais problemas...

Desta vez, o alternador. Estragou-se, e acomo consequência a bateria não recarrega. O lindo pôr-do-sol no saara no horizonte, e nós se bateria nem alternador! Ah pois, solução: colámo-nos que nem parasitas a uma Toyota Hiace com umas 20 pessoas, que seguia na nossa frente. Suas luzes nos ajudaram na a estrada mais esburacada e menos iluminada do meu Lisboa-Dakar! Fiquei admirado como o pessoal conduzia no Senegal. Bem mais certinho do que em Portugal: a carinha que seguia na nossa frente fazia os piscas sempre que ia curvar. Talvez devido às más condições da estrada, o pessoal fique mais solidário. Foram 80km de Rosso até St. Louis, com algum nervosismo, mas também firmeza e otimismo. Temos que estar assim! "Tudo vai pelo melhor", me dizia o Igor várias vezes ao longo da viagem e assim foi. Amdulah!
Senegal - sunset
Pôr-do-sol no Saara, Senegal.

Chegados a St. Louis, ligámos a um amigo de um amigo dos espanhóis. Ele recebeu-nos como se fosse um hotel de cinco estrelas. Ofereceu-nos uma enorme travessa de frango e cus-cus, deu um quarto enorme com casa-de-banho e ar condicionado a cada um de nós, deixou-nos usar a internet e ainda nos ajudou a arranjar o camião no dia seguinte. E nenhum de nós, o conhecia pessoalmente antes de chegar a St. Louis. "Quando a esmola é muita, o pobre desconfia" e até fico a filmar se este homem não tem negócios ilícitos em Espanha com o amigo dos espanhóis! Sei lá, me perdoem se estou a falar asneira!
Senegal - St Louis - foto com o anfitriao!
Anfitrião em St. Louis, Grego, Igor e eu.

Bom, tem tudo corrido mais do que bem até aqui. Uma verdadeira caixa de surpresas, tem sido esta viagem. Hoje rumamos a Dakar, a última etapa! INCH A LAH!

Um abraço do vosso amigo,
João Aguiar

Música: Peter Tosh - Legalize it, Manu Chao - El viento
Leitura: Lonely Planet West Africa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Registo #2 - Fronteira Marrocos-Mauritânia

Noadibou, Mauritânia

Volto a registar momentos da viagem neste papel poucas horas depois de ter entrado em solo mauritaniano. Calmo, isto parece calmo, face às ameaças de terrorismo no rally Lisboa-Dakar de que tanto se ouvia falar que iam acontecer na Mauritânia. Já vi umas 30 roulotes e uns 15 carros franceses no caminho desde Marrocos até aqui. Muita gente decide vir passear até aqui.

Parece calmo e não muito diferente de Marrocos. Lembro-me agora deste país com muita saudade... Estive em Tânger onde conheci um sábio de 40 anos na rua, em Chefchaouen onde desfrutei de boas conversas com o Yassine, em Fez onde conheci duas polacas que viajam sozinhas há 7 meses, em Rabat onde me revi no espírito hospitaleiro e viajante do Hassan (fogo mano, obrigado!!! senti-me mesmo em casa!). Segui para Marrakesh, onde aprendi muito com a lógica do Zakaria, passei por Agadir onde me desconfortei com a ganância que o turismo provoca nos locais, atraquei em Layoune por uns dias, onde no Hotel Jodesa (bom e barato... recomenda-se!) apanhei boleia para a Mauritânia com dois franceses que costumam descer até à África Ocidental para vender carros!


Josino com Jelaba Almighty Hassan
Vestido com o traje típico marroquino - Jelaba. Rabat - Hassan.
Marrakesh - Familia de acolhimento
Marrakesh - Zakaria e sua família.

Marrocos é muito bonito. Fez é de facto lindo. Chefcahouen encantador. Marrakesh desapontou-me com as fachadas côr de barro mas recém-construídas, apenas para "inglês ver". Achei a Praça Djema El-Fna, centro da cidade, uma outra farsa para encher os olhos, com shows de boxe onde as luvas fazem festinhas nas cabeças dos lutadores, onde homens se vestem de mulheres e bailam a Dança do Ventre, aproveitando o fato de as mulheres não poderem dançar em público de acordo com o Corão, para fazer uns trocos. Mas enfim, tem o seu encanto, pois é afinal uma cidade no meio do deserto, que começou por ser um oásis.

Fez - Bab Bubjeloud Fez - Curtumes
Fez - Portão para a Medina. Curtumes onde são feitos tapetes.

De Layoune parti rumo de novo ao deserto. Areia, areia e mais areia... e uma estrada rudimentar, apenas com duas faixas e meio esburacada! A paisagem é árida, amarela e desértica, com aparições aleatórias e frequentes de camelos no meio da estrada. A Senhora do Deserto, Fatma, da qual ontem me falaram (Djeredjef Júnior!) deu-me a mão e a temperatura esteve fresca na viagem pelo deserto. A travessia da fronteira com a Mauritânia, apesar de um pouco atribulada e assustadora foi bem sucedida!

Entre o sul de Marrocos e a fronteira norte da Mauritânia existem cerca 5 km de "Terra sem Dono". O que isto quer dizer é que este pedaço de deserto não pertence a nenhum dos dois países e que, para dificultar o cruzamento da fronteira, e haver mais controlo na imigração existem várias minas terrestres enterradas na areia! Um pouco arriscado... Os especialistas a cruzar este pedaço de terra são os Camionistas. Então o segredo é seguir milimetricamente a trilha na areia dos camiões. Contaram-me os dois franceses que me deram boleia, que há cerca de um ano um casal de espanhóis morreu nesta travessia, com a explosão de uma mina. O que ouvi dizer é que eles usaram um GPS e tentaram seguir em linha recta da alfândega de Marrocos para a da Mauritânia.

Fomos seguindo o caminho dos camiões, até que o nosso carro atascou num monte de areia. Saímos do carro e tentámos resolver o problema, e de repente aparecem 3 carros Mercedes dos anos 90 (na Mauritânia só se vê este carro!!! E o mais engraçado é que não há um único stand da Mercedes no país... é bizarro! Vários europeus foram lá vender os carros. ;) ). Dos 3 Mercedes saíram uns 10 adolescentes com má cara, que por largos momentos me fizeram pensar que íamos ser roubados na "Terra sem Dono" e que eles seriam os donos dela! Correu tudo bem. Eles vieram só fazer um dinheiro resolvendo o nosso problema e até já tinham tábuas de madeira para tirar o carro da areia mais facilmente. Passámos a fronteira e deram-nos apenas 4 dias para estar no país. Não nos devem querer muito tempo por aqui, pensei.

Tem cuidado com esta zona na fronteira quando cá vieres. Espera por um camião e cola-te a ele pelo caminho fora! Os franceses aventuraram-se sozinhos e não seguiram bem a trilha dos camiões e à custa disso passámos uma tensãozita na fronteira... "Etai Chaud!!!", disse o francês! ahahah! Mas encontrámos muitos turistas no caminho. A pista alcatroada possibilita boas condições para viajar até ao sul de Marrocos e porque não? É tão perto!

De boleia no Saaracruzando o saara
Cruzando o Deserto do Saara - Sul de Marrocos

Toma la lagosta!
Lagostada em Noadibou, Mauritânia, com os 2 frances que deram boleia.

Viajar tem sido muito bom. Aprende-se tanto, conhecem-se muitas pessoas e conhecemo-nos também a nós mesmos. Estou ansioso por chegar ao Senegal! Um casal francês que conheci em Layoune, deu-me ótimas premonições dessa terra. Amanhã rumo a Noakshott, cidade capital e depois então para o Senegal!

Um grande abraço,
João Aguiar


Música: SAM (gnawa), Fnaire - Az Lkhil Mrabetha (rap marroquino), Gnawa Diffusion - Douga Douga (gnawa fusion)
Leitura: Lonely Planet Marrocos, Lonely Planet West Africa