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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Documentário - Os Meus Descobrimentos - Volta ao Mundo em Couchsurfing - Pt. I

O documentário já está disponível em quatro partes no leitor abaixo,
tal como no canal de youtube youtube.com/heinzaguiar
e no site osmeusdescobrimentos.com
Na primeira parte, há filmagens de Marrocos, Mauritânia, Senegal, África do Sul, Moçambique e Lesoto.
Agradeço que partilhem e façam like no vídeo.
Espero que gostem !
#osmeusdescobrimentos
#estamosjuntos





terça-feira, 10 de julho de 2018

Podcast #11 - Perna partida, contratempo

Mais uma semana, mais um podcast :)
O episódio 11 desta volta ao mundo é a continuação do périplo musical pela África do Sul. Tão abundante é o seu talento musical que um só episódio do podcast não chegou... Desde o dançante kwaito aos clássicos dos afropop dos anos 80, passando pelos moçambicanos radicados em Jo'burg 340ml cujo nome homenageia o volume das garrafas de cerveja moçambicanas. E para além de músicas há também relatos de viagem por Bulungula, o Transkei, Garden Route e Cape Town. Sintoniza ! 🎧 Para ouvir carrega no player abaixo ou escuta todos os episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast



👉 Alinhamento de Músicas:
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- Lenyora by Thebe
- Gravação Sonora - Língua Xhosa
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- When you come back by Vusi Masahlela
- Nomalizo by Letta Mbuli
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- Don't Matter by Akon - calypso remix
-Tag Mahal by Kwaito music
- Shuffering and Smilling by Fela Kuti
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul
- Hang On To Yourself (rachel) by 340ml
- Doo Be Doo by Freshlyground
- Crónicas de Viagem sobre a África do Sul

👉 Episódio gravado em 2010 e agora republicado a propósito do recém lançamento do meu último livro.

sábado, 30 de junho de 2018

Podcast #10 - Republic of South Africa

Mais uma semana, mais um podcast :) O décimo episódio sobre esta volta ao mundo é uma viagem musical mais aprofundada ao extremo sul de um continente - África do Sul também conhecida como a Rainbow Nation - tamanha a sua diversidade. A música também verte e revela esta amálgama social e sonora. E para além de músicas há também relatos de viagem pelo Kruger Park, Pretoria e Durban. Sintoniza ! 🎧 Para ouvir carrega no player abaixo ou escuta todos os episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast



sexta-feira, 15 de junho de 2018

Podcast #8 - África Austral

No oitavo episódio do podcast sobre esta volta ao mundo em couchsurfing, vamos passear pelas repúblicas da África do Sul e de Moçambique e como banda sonora temos a música de intervenção do Hugh Masekela e a voz tradicional do Caiphus Semenya, nascidas entre a world music e o jazz, também dançaremos ao som do estilo electrónico local - Kwaito - pelos Spikiri, finalizando na lendária música e dança moçambicana - Marrabenta -, ressuscitada para os nossos tempos pela mão dos Mabulu. Sintoniza ! 
🎧 Para ouvir este e outros episódios no site do livro osmeusdescobrimentos.com/#podcast

terça-feira, 3 de maio de 2016

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Registo #6 - "Touch-down" na África Austral

Joanesburgo, África do Sul

À chegada por via aérea, vindo de Dakar na South African Airways, companhia aéra nacional sul-africana, sou recebido no aeroporto por Clyde, membro mais novo da família Becker que através da rede Couch Surfing me recebe por uns dias em Joanesburgo, enquanto preparo a minha entrada em Moçambique, via Maputo. Mais tarde voltarei à África do Sul para vivenciar e conhecer melhor o país.

Bandeira sul-africana
Bandeira sul-africana.

Foram três dias durante os quais conheci várias pessoas, observei o modo de vida local e conclui que Joanesburgo é uma grande cidade mergulhada no medo. O medo da morte bate à porta todas as manhãs. A cor da minha pele é branca e por uma imposição social acima das minhas vontades estou no lado branco da sociedade sul-africana, cerca de 10% de toda a população do país. Como “branco” que sou, observei o crime que assola o país deste lado do muro. Quem me conhece pessoalmente sabe nada tenho de racista mas os outros perdoem-me a utilização de termos como “branco” e “negro” neste relato, distinguindo as pessoas pela sua cor da pele. Mas o quotidiano da sociedade sul-africana, mesmo após o fim do Apartheid, assenta ainda muito nesta divisão racial, e para que a possa descrever tenho também que me sujeitar a esta conceptualização.

Os brancos, ricos, de Joanesburgo vivem num mundo à parte da maioria dos negros, pobres. Os brancos têm os seus circuitos, fazem a sua vida evitando a realidade das “townships” como aqui chamam os bairros de lata. Fora do centro, na zona norte da cidade é onde habitam os brancos. A terra é preenchida de grandes vivendas ao estilo americano, com muros de 3 metros, arame electrificado e obrigatoriamente com vigilância de uma companhia de segurança privada, pronta a intervir no local em poucos minutos com seguranças armados de caçadeiras “shot-gun”. Todas as casas são assim, e as que não são, são assaltadas. E as que são, também, mas menos.

Familia de acolhimento em Joanesburgo
Família Becker, que me acolheu por uns dias em Joanesburgo.


Os grandes centro comerciais abundam nas áreas residenciais dos brancos e são o seu refúgio, o local para onde ir em tempo de lazer pois na rua é demasiado perigoso. Todos os brancos com quem falei são próximos de pessoas que foram mortas em troca do seu carro, em muitos dos casos quando parados no semáforo. Clyde, da família que me hospedou conta-me que recentemente, vendo um jovem negro a aproximar-se a pé por trás do seu carro enquanto parado no semáforo, não hesitou e, engatando a marcha atrás, o atropelou. À saída dos parques de estacionamento pedem ao condutor para desligar e voltar a ligar o motor para se certificarem de que o carro não foi roubado. São truques, muitos truques que se vêm nesta cidade para tentar contornar o crime. E em tão pouco tempo escutei tantas histórias e de tanta gente diferente. Em comum tinham os efeitos mortais da criminalidade violenta que assola o país, resultado da sua enorme desigualdade social.

Em Joanesburgo, Joburg ou Jozi, como frequentemente se abrevia o nome da cidade, fazem-se contas à vida, mas também ao dinheiro, e das contas grandes. É o centro financeiro de um país que é responsável por 18% do PIB de todo o continente africano e o dinheiro nesta cidade faz com que tenha a 17ª maior bolsa de valores do mundo. Ao mesmo tempo o crime acontece. É um país de contrastes e contradições e pintado de todas as cores mas que é a todas as horas atacado pela escuridão do crime. É também provavelmente o país mais racista de todo o mundo. O regime do Apartheid acabou em 1995, (apenas há 14 anos?!) mas as marcas deste regime desumano seguem na sociedade e despontam todos os dias numa guerra civil feita de crime violento e gratuito principalmente nas cidades do país.

Constrastes de Joanesburgo
Os contrastes de Joburg.


Bom, amanhã sigo para Maputo, capital de Moçambique!


escrito a 11 de Março de 2008

No contexto:
Filme: Tsotsi
Música: “Stimela” de Hugh Masekela
Livro: “I write what I like” de Steve Biko

terça-feira, 22 de abril de 2008

De Pretória até Durban

Durban, África do Sul

Depois de 5 dias em Pretoria, mudei-me para Durban, a terceira maior cidade da Africa do sul, localizada na costa este, capital da provincia Kwazulu-Natal. - Natal porque Vasco da Gama pos ca o pe no dia de Natal e entao ficou o nome! O povo portugues e grande! Todos os paises africanos por onde passei teem historia escrita por maos portuguesas, e ee triste constatar que, hoje em dia, o estado letargico do povo portugues nao nos deixa sequer escrever a nossa propria historia... Mas este assunto tem pano para mangas, e gostaria de voltar a ele mais tarde... Inch a Lah!

Voltando atras... ate Pretoria, capital administrativa do pais, construida num vale todo rodeado por colinas. Bastante mais historica que a capital comercial, Joanesburgo, o centro de cidade expoe edificios oitocentistas, heranca da colonia holandesa Zuid Africa. Ha zonas a evitar no centro, tal como o bairro Sunnyside, considerado o mais perigoso da cidade, e mal-afamado pelo pais fora... onde estou a dormir!, Riana, a minha anfitria do couch surfing, diz-me que a zona de Sunnyside onde estamos e calma, e de facto assim parece, mas um gajo faz sempre figas e, ao fim do dia espera que tudo corra bem na jornada seguinte.

Pretoria - de dia e de noite

Riana e a embaixadora do couch surfing na Africa do Sul, o que quer dizer que estou instalado na Embaixada! Este seu estatudo nao e para qualquer um, e justifica-se com o simples de facto de durante os 5 dias que la fiquei, ter ido a 4 encontros locais do couchsurfing e ter conhecido 7 membros! Ela esta sempre a organizar encontros, passeios, jantares... Levou-me ao Lion Park, nos arredores de Joburg, onde pude ver os Leoes que nao vi no Kruger Park, e ate pude fazer festinhas a leoes bebes! Foi "maningue nice", dir-se-ia em Mocambique!


Lion park and host @ Pretoria

A cena ficou mais "hectic" (aqui estao sempre a dizer isto, e ee um calao que quer dizer "marado") quando fui dar uma volta a pe de Sunnyside ate aos Union Builiding, onde esta instaladado o governo nacional. Pelo caminho sou varias vezes olhado de alto a baixo, como quem pensa "o que e que este branco faz aqui sozinho?!". Muito poucos brancos andam na rua, mas encontrei alguns no caminho,
o que me deixava sempre um pouco mais descansado... Pah! Sabem bem que nao sou racista, mas a minha ideia e que se nao ha muitos brancos na rua, e em percentagem, eles sao mais ricos que os negros, e porque ha algum perigo nas ruas! "Nao ha fumo sem fogo", diz-se ai na tuga! Tenho esta ideia, tambem, depois de ter ido a varios centro comerciais e restaurantes, onde 70% das pessoas sao brancas. E contudo, falacioso, pois apenas 10% dos sul-africanos sao brancos!

A caminhar para os Union Buildings, encontro um maluco branquela no meio da rua a tirar fotos a tudo o que encontra a sua frente. Nao e facil.. eu, por exemplo, andava com a minha no bolso.. discreto, para evitar problemas. Mais a frente no caminho, num parque rodeado de predios com fachada em tijolo, ao estilo britanico, (que me lembram tambem bairros de New York, que via nos clips de hip-hop quando adolescente... Queens sytle!), encontro jovens brancas a falar na rua. O nivel de stress diminui de novo um pouco. Chegado aos Union Buildings, sou capturado pela esplendida vista sobre toda a cidade. Os "Edificios da Uniao" sao belos, com uma fachada trabalhada ao estilo oitocentista. A voltar a casa, incursando pelo mesmo caminho, encontro de novo as jovens brancas, desta vez a meterem conversa comigo. Afinal sao prostitutas!!! Onde raio e que me fui meter?!

Entre varios olhares enviesados e suspeitos, assedios de prostitutas brancas, sai do Parque de Arcadia e alinhei-me na rua da casa de Riana. (o meu livro-guia Lonely Panet nao lista este parque como uma das zonas a evitar na cidade, mas quando fores a Pretoria, nao ponhas la o pe!) Nao esperava... insconscientemente, fui associando a riqueza neste pais a comunidada branca, mas nao... ja vi sem-abrigos e prostitutas de raca branca. E o estado da "Rainbow Nation", assim lhe chamou Mandela, onde coexistem cerca de 10 tribos negras diferentes - 70%, mulatos - 10%, indianos - 10%, brancos - 10% (aproximadamente.. azzz azzzz!)

Deixo para tras Pretoria no autocarro Translux, rumo a Durban. Tenho a minha espera Catherine e a sua familia, membros do couch surfing. O seu pai e baixista e e um autentico guru musical! Fa de Moody Blues, BB King, Eric Clapton... Assisti a um concerto da sua banda de blues, em Umlhanga, nas cercanias a norte de Durban.


Union Buildings, Pretória. Vista de Durban da praia.

Dias depois mudo-me para a casa de Karl e Adriana, dois jovens irmaos de espirito libertino que me acolhem a 100%. Relaxados, calmos e sabedores. Sabado a noite rumamos a festa de reggae na universidade! Aqueceu, aqueceu o clima! Quando chegamos o dance hall estava parco, mas foi enchendo, enchendo, ate estar full! Sentado na bancada do campo de raguebi, socializavmos com as diferentes comunidadas da "rainbow nation"... grupos de brancos, grupos de negros, grupos de indianos. Travei conversa com os amigos de Karl, estudantes de ciencias sociais, cantei com um grupo de negros "i wanna give you some good good lovin'" de ziggy marley e lauryn hill, e dancei com uma negra ao som das selecoes ragga dos selectas!! Bombaclaat! Me a gwan broda! Todos admirados de eu saber as letras da musica do ziggy, e de rapar as liricas de Eric B e Rakim "Paid in Full".. "You're the man", ouvia no caminho para o dance floor! Mas o melhor estava para vir... quando comeco a ouvir a nossa lingua portuguesa a brotar das colunas do sound system "Puxa la, puxa la... Puxa la, Puxa la..." o ultimo tune dos Cool Hiponoise! Levanto-me, vou a correr para a mesa dos DJs e descubro que sao Mocambicanos! Uma rapariga a servir no bar tambem e! Tem maningue por aqui, brother!! Eheheheh


Poster da festa de reggae.. e os meus anfitrioes em Durban!

O unico calcado que tenho sao umas botas de caminhada (ofereci os meus tenis a um broda no senegal!) e nao dao jeito nenhum para bailar, pelo que as tirei e pedi a uma rapariga russa no bar, para as guardar. Chamava-se Maria, e no dia seguinte, lembro-me que tinha pedido a uma Maria, russa, em Durban para me acolher atraves do couch surfing. Manha seguinte, recebo uma sms e descubro que era ela! O Mundo e pequeno, meu irmao!

Sexta-feira rumo aos picos da Africa do Sul - Drakensberg!
Ate ja!

Um abraco,
vosso
Joao Aguiar