quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jantar Popular + Cinema + Campanha dos Oceanos da Greenpeace

e-flyer.jpg

No Centro Social do GAIA na Mouraria, 5ª feira, 19 de Novembro:

19h00 - Sessão de vídeos sobre a problemática da pesca intensiva e os seus efeitos na saúde dos oceanos, e apresentação da campanha da Greenpeace para uma pesca sustentável e justa.

20h00 - Jantar Popular: Feijoada com farofa de milho e couve refogada. Fruta da época.

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Sessão de vídeos sobre a problemática da pesca intensiva e os seus efeitos na saúde dos oceanos, e apresentação da campanha da
Greenpeace para uma pesca sustentável e justa.

>> O Fundo da Linha (The Bottom Line), 8min30s
O oceano profundo é o maior ecossistema do planeta, porém continua amplamente inexplorado. Quanto mais desvendamos os seus mistérios, mais descobrimos o quão único este mundo estranho realmente é. Infelizmente o ritmo da sua destruição pela pesca insustentável é superior ao ritmo das descobertas..

>> Do Mar às Prateleiras (From Sea to Shelf), 10min30s
Os oceanos dão vida ao nosso planeta e a nós. Em todo o mundo, as pessoas dependem do peixe como fonte de alimento e de rendimento. Mas nas últimas décadas percebemos que o que podemos tirar do mar tem limite. Será tarde demais?

>> Drop into the Ocean, 2min 28s
Um pequeno mas lindo reminder que o nosso planeta Terra é um planeta Oceano..

>> Campanha dos Oceanos da Greenpeace
A
Greenpeace veio para Portugal para agitar o mercado de peixe, melhorando a informação sobre pesca e pescado e pressionando os grandes retalhistas para adoptarem uma política de compra de peixe sustentável. Acabou de concluir uma RoadTour de sensibilização para a destruição invisível mas dramática dos ecossistemas em alto mar. http://www.greenpeace.pt

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O que é o Jantar Popular?

- Um Jantar comunitário vegano e LIVRE DE OGMs que se realiza todas as Quintas-feiras no Grupo Desportivo da Mouraria
- Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários do Centro Social do Jantar. Para colaborar, cozinhar, montar a sala basta aparecer a uma Quinta-feira a partir das 16h30.
- Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do Centro Social do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
- Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço normal são 3 euros.
- Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
- Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente

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Vê como chegar em http://www.gaia.org.pt/lisboa

Até lá!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vídeo - O Fundo da Linha

São 8 minutos sobre a destruição que está a acontecer nos nossos oceanos.





Produzido pela Greenpeace - http://www.greenpeace.org/portugal/videos/o-fundo-da-linha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Registo #6 - "Touch-down" na África Austral

Joanesburgo, África do Sul

À chegada por via aérea, vindo de Dakar na South African Airways, companhia aéra nacional sul-africana, sou recebido no aeroporto por Clyde, membro mais novo da família Becker que através da rede Couch Surfing me recebe por uns dias em Joanesburgo, enquanto preparo a minha entrada em Moçambique, via Maputo. Mais tarde voltarei à África do Sul para vivenciar e conhecer melhor o país.

Bandeira sul-africana
Bandeira sul-africana.

Foram três dias durante os quais conheci várias pessoas, observei o modo de vida local e conclui que Joanesburgo é uma grande cidade mergulhada no medo. O medo da morte bate à porta todas as manhãs. A cor da minha pele é branca e por uma imposição social acima das minhas vontades estou no lado branco da sociedade sul-africana, cerca de 10% de toda a população do país. Como “branco” que sou, observei o crime que assola o país deste lado do muro. Quem me conhece pessoalmente sabe nada tenho de racista mas os outros perdoem-me a utilização de termos como “branco” e “negro” neste relato, distinguindo as pessoas pela sua cor da pele. Mas o quotidiano da sociedade sul-africana, mesmo após o fim do Apartheid, assenta ainda muito nesta divisão racial, e para que a possa descrever tenho também que me sujeitar a esta conceptualização.

Os brancos, ricos, de Joanesburgo vivem num mundo à parte da maioria dos negros, pobres. Os brancos têm os seus circuitos, fazem a sua vida evitando a realidade das “townships” como aqui chamam os bairros de lata. Fora do centro, na zona norte da cidade é onde habitam os brancos. A terra é preenchida de grandes vivendas ao estilo americano, com muros de 3 metros, arame electrificado e obrigatoriamente com vigilância de uma companhia de segurança privada, pronta a intervir no local em poucos minutos com seguranças armados de caçadeiras “shot-gun”. Todas as casas são assim, e as que não são, são assaltadas. E as que são, também, mas menos.

Familia de acolhimento em Joanesburgo
Família Becker, que me acolheu por uns dias em Joanesburgo.


Os grandes centro comerciais abundam nas áreas residenciais dos brancos e são o seu refúgio, o local para onde ir em tempo de lazer pois na rua é demasiado perigoso. Todos os brancos com quem falei são próximos de pessoas que foram mortas em troca do seu carro, em muitos dos casos quando parados no semáforo. Clyde, da família que me hospedou conta-me que recentemente, vendo um jovem negro a aproximar-se a pé por trás do seu carro enquanto parado no semáforo, não hesitou e, engatando a marcha atrás, o atropelou. À saída dos parques de estacionamento pedem ao condutor para desligar e voltar a ligar o motor para se certificarem de que o carro não foi roubado. São truques, muitos truques que se vêm nesta cidade para tentar contornar o crime. E em tão pouco tempo escutei tantas histórias e de tanta gente diferente. Em comum tinham os efeitos mortais da criminalidade violenta que assola o país, resultado da sua enorme desigualdade social.

Em Joanesburgo, Joburg ou Jozi, como frequentemente se abrevia o nome da cidade, fazem-se contas à vida, mas também ao dinheiro, e das contas grandes. É o centro financeiro de um país que é responsável por 18% do PIB de todo o continente africano e o dinheiro nesta cidade faz com que tenha a 17ª maior bolsa de valores do mundo. Ao mesmo tempo o crime acontece. É um país de contrastes e contradições e pintado de todas as cores mas que é a todas as horas atacado pela escuridão do crime. É também provavelmente o país mais racista de todo o mundo. O regime do Apartheid acabou em 1995, (apenas há 14 anos?!) mas as marcas deste regime desumano seguem na sociedade e despontam todos os dias numa guerra civil feita de crime violento e gratuito principalmente nas cidades do país.

Constrastes de Joanesburgo
Os contrastes de Joburg.


Bom, amanhã sigo para Maputo, capital de Moçambique!


escrito a 11 de Março de 2008

No contexto:
Filme: Tsotsi
Música: “Stimela” de Hugh Masekela
Livro: “I write what I like” de Steve Biko

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Al Mossassa – Festival Islâmico de Marvão

http://www.cm-marvao.pt/noticias/noticiasdet.asp?news=317

sábado, 12 de setembro de 2009

Boa ou má notícia? - Barcos alemães atravessam o Ártico

Traduzido de BBC - http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8251914.stm

Dois navios mercantes alemães estão a navegar da Ásia para a Europa através da costa russa do Ártico, depois de terem negociado com a Rússia a outrora intransponível Passagem no Nordeste. Esta rota está normalmente congelada, mas a elevação das temperaturas na região causados pelo aquecimento global derreteu grande parte do gelo permitindo que navios de grande porte a possam percorrer.

A passagem do Oriente tem tentado marinheiros durante centenas de anos. Em 1553 o viajante britânico Sir Hugh Willoughby morreu tentando encontrar o percurso. Os navios alemão Beluga Fraternity e
Beluga Foresight chegaram ao porto siberiano de Yamburg, no delta do rio Ob, na segunda-feira, o proprietário Beluga Shipping GmbH, comunicou no seu site. Ambos os navios deixaram a Coreia do Sul no final de Julho, negociando a passagem ao largo do Norte da Sibéria acompanhados por dois quebra-gelos russos.

"Estamos todos muito orgulhosos e felizes de ser a primeira companhia marítima ocidental que conseguiu transitar na lendária Passagem do Nordeste e entregue carga sensível com segurança através desta zona marítima extraordinariamente exigente", disse o CEO da Beluga Niels Stolberg.


Navegando contra o gelo

Os navios têm descarregado algumas das suas cargas. Verena Beckhusen porta-voz do
Beluga disse à AP que o Beluga Fraternity já havia prosseguido a sua viagem através de Murmansk para o porto holandês de Roterdão. A partida do Beluga Foresight foi adiada para sábado devido ao mau tempo, acrescentou.

Mas o gelo outrora impenetrável, que impedia os navios de navegar ao longo da costa norte da Rússia, tem desapercido rapidamente por causa do aquecimento global nas últimas décadas. A passagem ficou passável, sem quebra-gelos, em 2005. Ao evitar o canal de Suez, a viagem da Ásia para a Europa é encurtado em quase 5.000 km (3.100 milhas). A empresa por detrás da viagem diz que está a economizar cerca de 300.000 dólares por navio, utilizando a rota do norte.

Tanto as autoridades russas e os nvegadores Alemães estão ansiosos para provar a segurança e a eficiência da passagem, acreditando que esta poderia ser uma valiosa alternativa comercial para o canal de Suez, durante o verão. Apesar do aumento das temperaturas a rota ainda é perigosa, devido aos icebergs que se move mais livremente nas águas, agora mais quentes. Os cientistas estimam que a última vez que o Nordeste foi a passagem livre de gelo como é agora estava entre 5.000 e 7.000 anos atrás.


Comentário
Boa ou má notícia?

Péssima. Um dia, o sul de Portugal está inundado, enquanto o mundo continua a poluir, a fazer subir o nível médio da água do mar, e os alemães atravessam a sibéria de barco.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Bicycle Film Festival Lisboa

O Bicycle Film Festival é uma celebração da bicicleta pelo cinema, artes e música. É produzido anualmente por uma equipa internacional de entusiastas e pelas células de produção das diferentes cidades, beneficiando do apoio de parceiros e da comunidade ciclística e artística para concretizar os objectivos propostos. Apresenta uma programação dinâmica e transdisciplinar, que visa estimular e inspirar a participação da audiência.

O evento realizar-se-à pela 1ª vez em Portugal, em Lisboa, nos próximos dias 9, 10, 11, 12 e 13 de Setembro. Espera-se que – tal como tem acontecido nas numerosas edições já realizadas – contribua decisivamente para a mudança positiva de atitude relativamente a formas alternativas de mobilidade urbana e, em particular, promovendo as vantagens da bicicleta como meio privilegiado de transporte individual.

Programação do festival aqui: http://www.bicyclefilmfestival.com/?p=lisbon

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Earth Water - Água para todos

Arrancou em Portugal um projecto pioneiro de solidariedade. A água embalada Earth Water é o único produto no mundo com o selo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revertendo os seus lucros a favor do programa de ajuda de água daquela instituição.

A nível nacional, a Earth Water é um projecto que conta com a colaboração da Tetra Pak, do Continente, da Central Cervejas e Bebidas, da MSTF Partners, do Grupo GCI e da Fundação Luís Figo.

Com o preço de venda ao público (PVP) de 59 cêntimos, a embalagem de Earth Water diz no rótulo que «oferece 100% dos seus lucros mundiais ao programa de ajuda de água da ACNUR», apresentando, mais abaixo, o slogan «A água que vale água».

Actualmente morrem 6 mil pessoas no mundo por dia por falta de água potável. Com 4 cêntimos, o ACNUR consegue fornecer água a um refugiado por um dia.

http://earth-water.org/


"Todos os dias morrem seis mil pessoas devido à falta de água potável e destas 80% são crianças. A cada 15 segundos morre uma criança devido a uma doença relacionada com a água. Com a criação da Earth Water pretende fazer-se a diferença e melhorar estas estatísticas assustadoras. Ao desenvolver o conceito "You Never Drink Alone" pretende-se criar solução para a falta de água mundial.

AJUDA! DIVULGA!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre a nossa Casa

Falaram-me deste filme e depois de o ver parece-me obrigatório passar a palavra. Chama-se "Home - O Mundo é a Nossa Casa" e expôe de um modo muito simples e objectivo como a nossa Terra tem mudado tanto nos últimos 50 anos.

Durante a viagem de um ano e meio que terminei agora e em que tive a sorte de percorrer os 5 continentes, vários locais por tudo o mundo fora me disseram que a natureza tinha mudado muito nos últimos tempos.

O planeta está a mudar muito. E em pouco tempo. É mesmo verdade.


Melhores Momentos da Volta ao Mundo

Aqui fica o Best Of das fotos e dos vídeos da minha viagem de Volta ao Mundo - 5 de Fevereiro de 2008 a 22 de Agosto de 2009


Todas as fotos da Volta ao Mundo em http://flickr.com/photos/juaumaguiar


Todas os vídeos da Volta ao Mundo em http://vimeo.com/juaumaguiar

Fotos de Portugal

Os melhores momentos da viagem em bicicleta (já vindo Barcelona - Espanha) desde Miranda do Douro, na província de Trás-osMontes até à capital portuguesa Lisboa, atravessando também as províncias da Beira Alta, Beira Litoral e Estremadura.


Link para todas as fotos da Volta ao Mundo em http://flickr.com/photos/juaumaguiar

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Da Figueira à Nazaré

Saí às 7h da Praia de Quiaios, segui pela estrada junto à falesia da serra da boa viagem, entrei em buarcos e segui pela marginal da figueira. Dificil foi depois entrar na ponte que liga à estrada nacional 109 para leiria. Encontrei um meio, cruzei a ponte, que felizmente tinha um passeio para pessoas e bicicletas, se nao os carros e principalemnte camioes a speedarem a 100km/h onde devem ir a 70, passavam-me a ferro.

Pela N-109 fui até Carriço, onde virei para o caminho esburacado que emboca na Praia do Pedrogão. Praias lindas temos na nossa costa.. e fico muito admirado de as conhecer.. afinal esta viagem é um descobrimento também do nosso país.. Portugal! Neste trecho, um françês com a sua esposa passa por mim de bicicleta e diz-me "bonjour".. pah... em Portugal fala português.. ja estive na frança e haveria eu de dizer bom-dia nas ruas de frança... ou será que tenho ar de françês??? a atitude dos franceses mostra muitas vezes arrogância.. claro que há excepçoes.. mas esta atitude mostra desrespeito pela cultura local.

Bom, mais 4km e estava na Praia da Vieira de onde sai uma ciclovia de 40km directa até à Nazaré - a Ciclovia Atlântica! Assim fui até à Praia de Paredes, onde conheci também na ciclovia uma jovem do País de Gales que anda a viajar também de bicicleta e sozinha desde Peniche até ao Porto. Alertei-a para os carros, que não devem conduzir do mesmo modo que no País de Gales.. e ofereci-lhe um espelho que tinha comprado em Valladolid para subsitituir caso o que tenho já remendado, se estregasse de vez! Já só faltam 2 dias, por isso é só pedir pelo melhor!

Pedalando na Ciclovia Atlântica from João Aguiar on Vimeo.

Segui pela Ciclovia, ou por distração minha alguma má sinalização, apesar de ter seguido as placas para a Nazaré fui parar a Pataias por uma outra cicilovia e depois tive que seguir pela berma da Nacional 242...

Enfim, tudo deu certo e estou agora em casa do Ricardo da rede de hospedagem a viajantes Couch Surfing! ...SUCESSO!!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Até à Figueira

Foram ao todo 133km, um recorde pessoal, desde Viseu até à Praia vizinha da Figeuira da Foz - Quiaios - terra também do meu amigo Gael. Pena que nao estava por cá. Saí bem cedo, 7h da manha da casa do Cristimano, cruzei a Ecopista do Dão, uma estrada apenas para peões e veículos não motorizados que neste momento liga até Figueiró, a cerca de 8km de Viseu, e que no futuro se estenderá até Santa Comba Dão, ao todo 40km. E segui até esse mesmo, destino "Santa Comba" mas por estradas secundárias. A ecopista composta de gente já às 7h da manhã, a passear a pé ou de bicicleta rodeados da natureza, outros a caminho do trabalho.. enfim.. é uma obra de sucesso, e que as câmaras municipais devem construir cada vez mais.

Na Ecopista do Dão from João Aguiar on Vimeo.

Depois de Santa Comba, seguiu-se a subida à Serra do Buçaco. Froam cerca de 200m a subir, desde as duas pontes que cruzam a Barragem da Aguieira. Paisagens bonitas, rodeado de vegetação nacional, verde intensa, diversificada e bem tipica das beiras. O fresco do atlântico já se ia sentindo à distância também, a garganta nao secava tao rapido, e o corpo suava mais. Passei a aldeia do Luso, donde vem a nossa água, e desci a serra até à Mealhada. Fiz uma pausa de 2horas para comer algo (pah... nao comi o tipico leitao da bairrada porque se nao a pedalada até à Figueira ia ser complicada.. fica pá próxima!) e depois descansei num barco de jardim, à sombra das arvores a digerir o almoço e a repor energia para a 2ª metade.


Cruzo Cantanhede, Tocha, e sigo pela Nacional 109 até à Figueira. O fluxo de carros estava intenso mas valeu-me a berma larga onde pude pedalar mais à vontade. Tanta gente a rumar a esta estância balnear no mês de maior lotação, Agosto, deixava-me antever que seria complicado encontrar hospedagem, e não seria baratr. Antes de chegar então mesmo à Foz, a cerca de 5km, virei à direita para Quiaios, onde encontrei um quarto por 10€. Estive hoje na praia e que boa praia.. praias bonitas temos na nossa costa. O mergulho no atlântico foi obrigatório, para refrescar o calor que se vai sentindo no país.

O Destino é Lisboa, e agora sempre pela costa abaixo. PRÓXIMA PARAGEM: Nazaré!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Trancoso - Viseu

Domingo - 16 de Agosto. Saída às 7h30 da pensão Don Dinis, rumo a Vizeuuuuuuuuuuuuuu - "Indo eu, Indo eu, a caminho de Bizeu.." Pela nacional até Ponte do Abade, e depois Aguiar da Beira. No caminho um camião otário insulta-me por ir na estrada. Gente burra mesmo.. o que é que se pode fazer? Dá vontade de ter pedras comigo e partir os vidros a esta gente... mas "melhor não esquentar" dir-se-ia no Brasil.. BAIEEE... No caminho cruzei-me com vários ciclistas, em grupo e sozinhos fazendo esta estrada nacional que liga Aguiar da Beira até Ponte do Abade, e depois seguiu assim até Povolide, onde parei para almoçar com o meu camarada jabali Diogo Pessanha (familiar do escritor português Camilo Pessanha!). A sua familia recebeu-me muito bem, com um almoço de salsichas grelhadas, um arroz e salada saborosas, muita conversa sobre a minha viagem, e uma visita à queijaria da mãe do Diogo- "Queijaria Povolide" que produz queijo da serra do melhor.

Pelas 18h chegou um outro amigo, o Cristiano, de bicicleta vindo de Viseu. Com o pôr-do-sol para lá rumámos, pois iria ficar em casa da sua familia um par de dias para descansar e depois seguir rumo até à Figueira da Foz e depois Lisboa!

Próximo Destino: Figueira da Foz

Vila Flor - Trancoso

Saída pelas 7h30 da manhã até Trancoso, com chegada às 14h. Subida puxada desde a barragem do Pocinho até Vila nova de Foz Côa, e depois em linha reta até Trancoso, com um pouco de subida dos ultimos 5km .. aí estava rebentado e o cansaço acumulado desde que saí de Barcelona (20 de Julho) vai acusando. Logo depois de ter chegado almocei com os meus pais, que nesse dia seguiam para Lisboa de carro, pois começam a trabalhar 2ªa feira 17 de Agosto. Assim que começámos a almoçar o céu encobriu-se, começou a pingar aos poucos, até que ao fim da tarde, pelas 18hja trovejava a cada minuto. Foi sorte que saí de amanhã. Mas este fenómemo deve ter que ver tb com o alto calor e bastante humidade durante a manhã,e por vezes, ao fim do dia vem uma trovejada.

Fiquei alojado na Pensão D. Dinis (BAIEE). Foram 28€ por noite com pequena almoço incluido.. que nao pude comer por ter saido antes de abrir.. mas prepararam-me um de take-away... VALE. Trancoso, cidade histórica e bonita, mas que pelo cansaço nem conwsegui explorar muito. Ja la tinha estado ha uns anos e tb por isso, achei que nao fooi uma falha! De qq das formas está perto de Lisboa e posso la voltar facilmente num fim.de.semana!

Miranda do Douro - Vila Flor

Saída de Miranda do Douro (onde se fala Mirandês!) pelas 8h30, pois so por esse hora a recepçao do hotel turismo abriu e me puderam dar a bicicleta para as maos (e para os pes tb.. principalmente). Destino - Santa Comba da Vilariça - a Quinta do Barracao da Vilariça - concelho de Vila Flor - terra do meu - trás-os-montes. Uma casa de turismo rural situada no vale da vilaroça o "Vale Sagrado" trans-montano onde cresce um pouco de tudo, antes da epoca e com muita qualidade. muito fixe.. rodeada de oliveiras. recomendada pelo primo para ficarmos por la um par de dias enquanto visitamos Candoso, a aldeia do meu pai.

Saí pela Nacional abaixo, um pouco receoso e com os olhos bem abertos para me habituar à conduçao portuguesa (afinal em Portugal a conduçao é de facto uma MERDA) e ainda com os caes que andam por ai loucos à solta e que vêm atras da bicicleta.. pior quando sao em subidas que nao da para fugir muito depressa... mas nao aconteceu nada....e a conduçao na estrada nem estava assim tao mau como esperava (depois de sentir as tangentes que os camioes portugueses a circular em Espanha faziam à bicicleta). A maioria dos carros respeitam a bicicleta, mas muitos passam tangentes, nao se desviam nem meio metro e claro, que tendo o ciclsta que se deslocar para evitar por exemplo um buraco na estrada, o carro pode facilmente chocar e matar o ciclista (bati agora 3 vezes na madeira). Achei entao por bem ir bem atento ao espelho e antecipar-me aos carros que vinham na estrada, e fazer sinal para se cheguem à esquerda nao me pondo em perigo. Mesmo assim, ainda alguns animais passavm tangente. Os camioes tb, alguns com atitutdes perigosas. Assim foi passando o caminho até Mogadouro. Os meus pais saíram de carro um pouco mais trade de Miranda e encontrámo-nos em Mogadouro para almoçar. Acabámos por indo ao restuarnate Kalifa, onde almoçei um "Rancho",BAIEEE, fazendo lembrar a comida que me serviam na cantina da escola primária... old school boy! Fiquei cheio... em Portugal come-se muito e no norte ainda mais,.... fiquei rebentado e adormeci num banco de jardim da praça central da cidade, ao som do zumbido dos carros tunning de imigrantes que desfilam nas povoações portuguesas no verão. Pelas 16h de volta à estrada - esperavam-me aventuras!

A viagem da tarde ate aqui foi muito bonita, mas dificil pa caraitas!!! de mogadouro ate valverde... beleza! diriam no brasil... sempre a descer, com novo alcatrao, bem arranjada, mas depois de valverde ate meirinhos uma bosta de estrada, costa abaixo e depois costa acima... o clima aqui em tras-os-montes ultra-seco, sempre me deixava a garganta seca em poucos minutos de pedalar, e à minha mae deixou-a com um ligeiro ataque de asma quando ando um pouco umas das subidas ingremes desde ate meirinhos (meirinnnnniiiiii comeee?) chegados la acima a meirinhos, instalamo-nos num bem tipico cafe rural lusitano, que domina a vida social da aldeia sempre com meia duzia de aldeoes sentados à porta a jogar à sueca enquanto o forte calor e a secura trans-montana passavam. Fizemos uma pausa e logo seguimos. Os meus pais de carro e eu de bike, claro.. Depois de meirinhos foi pela nacional ate alfandega da fe.. uma nacional que começou da melhor maneira com um asfalto otimo passando o vale do tua em 3 pontes com vistas espetaculares, mas depois descendo por uma estrada esburacada, monte abaixo... e depois claro... monte acima.. pah.. estava rebentado e tive mesmo que pegar na bicicleta e leva-la a mao.. ia andado e ela vinha comigo que nem um burrinho de carga.. assim foi ate alfandega da fe, com alguns monentos de chuva e trovoada.. mas som o calor, o suor e ar seco que sentia naqueles vales soube bem.

Chegados a Alfandega da Fe, ja o sol se estava a por. Soubemos o caminho para Sta. Comba da Vilraiça, onde uma casa de turismo rural nos esperava, e fomos pela estrada fora. Eu na frente e os meus pais no carro por tras, para iluminarem o caminho... Aqui foi facil.. monte abaixo ate ao vale da vilariça, com piso novo, bem asfaltado, o problema foi so as acentuadas curvas e contra-curvas.. mas AL AHMDULILAH, tudo correu certo, e chegmos à pousada assim que ja se viam algumas estrelas no ceu.

PROXIMA ESTAÇAO: TRANCOSO!

Até à fronteira Portuguesa

Quarta-feira, dia 11 de Agosto, saí pelas 8h de Morales del Vino, da casa da familia do Senhor David e da Sra. Concha do couchsurfing e hospitalityclub também, e cheguei à fronteira de Miranda do Douro às 12h (11h portuguesas) onde me esperavam os meus pais!

Espectátulo. obrigado a eles que me esperaram la. Depois de descer o lado espanhol da arriba do vale do douro.. tive que subir o lado portugues..., e que hardcore foi... mas nem correu tao mal... subi 300m em 3 km, vale que a estrada serpenteava bastante. Tristeza foi ver a placa da fronteira portuguesa ainda do lado espanhol do rio douro ter marcas de tiros... que tristeza..de facto eles julgam-se melhores que nós.. mas ... em portugal nao explodem 6 bombas terroristas em 1 mês... a taxa de desemprego é mais baixo, somos mais simpaticos e comemos melhor!!! AHHAHAHA
ORGULHO DE SER PORTUGUÊS! Na verdade somos os unicos indepentes da Ibéria. Em Espanha há muita repressã às diversas culturas que co-existem nesse país - por exemplo: Catalunha, País Basco, Navarra, Galiza. Foi uma união de vários reinos ibéricos, e Portugal manteve-se independente.

Bom, chegados a Miranda, fomos comer uma MEGA posta mirandesa com vista para o Rio, ao chegar a miranda cheirou-me logo a peixe grelhado.. que saudades.. comi um bom pao... é um feeling proprio.. so nos é que sabemos... bom, dia seguinte.. para VILA FLOR, terra do meu pai!


Chegada à Fronteira de Portugal!!! from João Aguiar on Vimeo.


domingo, 9 de agosto de 2009

Fotos de Espanha

Fotos de Espanha, tiradas em Julho e Agosto de 2009.
Viagem de bicicleta de Barcelona a Lisboa.



para quem está no facebook e nao conseguir ver as fotos, ver aqui http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

sábado, 25 de julho de 2009

Trans-Iberiano - 2a Etapa - Igualada - Lérida

Foi dia 22 de Julho, pelas 9h que começei a pedalar pela N2 fora. Esperavam-me 90km pela frente, sobre o sol ibérico e numa das regioes mais quentes e secas da península.

Durante a manha cruzei as povoaçoes de Jorba, Santa Maria de Cami, Vergòs, Cervera até chegar a Tàrrega pelas 13h. A meio caminho, numa bomba de gasolina, em busca de indicaçoes para o caminho travei conheci um ciclista de estrada local, que se juntou na pedalada durante alguns kilómetros (e que depois deve ter desistido por eu ter o ritmo de amador!).

Catalunha - Sta. Maria del Cami
Em Santa Maria del Cami, a caminho de Lèrida.

Saí de manha de Igualada com o objetivo primario de chegar a Tàrrega, o que seriam 47km, subindo dos 300m até asos 700m em 15km, e depois descendo lentamente até alcançar os 47k a 370m de altitude. Tinha tambem em mente a possibilidade de, fazendo este trajeto em 4 horas, na parte da manha, conseguiria com poucas complicaçoes de caminho, chegar a Lérida (ou Lleida como se diz em Catalao, lingua mais falada na Catalunha, e umas das quatro linguas oficiais de Espanha), que estaria a 45km de distancia e com varios trechos de caminho plano e descendente até chegar aos 150m no destino final - Lèrida.

Depois de ter chegado a Tàrrega, procurei um restaurante para me saciar a fome de cavalo e de onde pudesse ter vista sobre a bicicleta. Sim, porque isto na Ibéria é só ladroagem e mais vale prevenir que remediar. Ainda estou para saber quem foi o esperto que levou a minha bike antiga, acabada de estrear, que escostei na porta da rádio da minha universidade, o prestigiado Técnico, durante poucos minutos e ao minimo virar de cabeça ma roubaram. Fogo, estamos no Tecnico, e foi mesmo em muito pouco tempo que isto aconteceu.. Mas cá se fazem, cá se pagam e o Karma vai voltar ou chegou já com um roubo a essa pessoa no futuro. Bom, mega Bistek (aka bitoque em portugal) chegou à mesa, precedido de uma salada rica, e ainda com uma salada de frutas. Assim consegui as energias para a pedalada da tarde.

O percurso foi em geral tranquilo, sempre com uma berma boa para pedalar. Muitas vezes tive uma estrada quase toda para mim, pois justamente ao lado de quase todo o percurso da estrada N2, encontra-se a Auto-Vía.





Espanha - "Por la carretera" de Bicicleta from João Aguiar on Vimeo.Dia 22 de julho 2009, na catalunha, a caminho de Lerida (Lledia) - 2a Etapa do Trans-Iberiano de Bicicleta
Chegado a Lérida foi recebido pelo Xavier, da rede Hospitality Club, um bombeiro profissional que trabalha em Mollerussa, a cerca de 20km de Lèrida. Infelizmente, e como terao ouvido nas noticias em Portugal, alguns colegas seus tinham morrido num incendio perto de Tarragona, ha poucos dias atrás. Deixa-me a pensar na nobreza incrivel desta profissao, do seu risco, e da sua importancia em Espanha e Portugal, onde no verao, as terras sao quase que dizimadas pelas chamas. As estatisticas dos incendios parecem uma anedota por vezes, e é incrivel que os estados nao estejam a melhorar as coisas de ano para ano. Partirá também das pessoas civis claro, mas, que os estados façam mais vigilancia, mais limpezas e rega de terrenos, que contratem mais bombeiros, com mais e melhor formaçao. Dizem que nao ha dinheiro... pois... nao sei, nao. Em Portugal sacos azuis, ha muitos. Bom, ja retomo a esse tema.

Chegado a Lérida
Chegado a Lérida, com vista sobre o Rio Segre e a Sè "Seu Vella".
Chegado entao a Lerida, fui recebido pelo "Xavi", Xavier, como se diria no Brasil, "um cara super gente boa" eheheh, deixou-me num quarto de sua casa onde me instalei e coloquei tambem a bicicleta.. a minha melhor companheira agora.. e que já tem um nome - "Ibéria". Desde que cheguei, quarta-feira à noite atè hoje, sábado tenho passeado pela cidade e estou muito bem impressionado. Uma cidade pequena mas com muito tecido empresarial, industrial e tecnológico. O desemprego aqui é de 3%, face aos 10% de media nacional da Espanha, ou seja nada. Vêm-se vários imigrantes nas ruas e que virao aqui em busca de trabalho. As infra-estruturas que a camara municipal tem construido sao impressionantes. Num pequeno passeio pelo centro vi a nova Estaçao de comboios (onde passa o comboio de alta velocidade), o Fórum Sala de Espetaculos, o Museu da Cidade (que agora integra 3 museus num so), varias ruas arranjadas, bairros novos construidos, duas pontes novas sobre o rio, e tudo obra do atual presidente da camara (ou alcalde, como dizem em castelhano). Segundo me disse o Xavier, este alcalde era um antigo empresàrio que tem feito muito nos utimos 4 anos, quando chegou ao poder. Deixa-me a pensar, que parece que dinheiro numa autarquia existe... principalmente nas cidades, onde existe industria, empresas e bons numeros populacionais, onde chegam impostos à municipalidade. 

terça-feira, 21 de julho de 2009

Trans-Iberiano - 1a Etapa - Barcelona-Capellades

Pelas 9h da manha de 20 de Julho de 2009, segunda-feira, saí de Barcelona, do bairro de Gràcia, na Carrer de Ramon y Cajal, numero 106 (o meu quarto alugado em barcelona por 1 semana), em direcao a Lisboa, de bicicleta.

Bicicleta nova, propria para o cicloturismo, equipada com porta-paquetes, alforges, tenda de campismo para a eventualidade e mais alguns utensilios para o desenrascanso de quem viaja por terra, em transporte proprio, bicicleta e sozinho, ate Portugal. Sai de barcelona em ciclovia, em grande estilo. Passei por Llobegrat, ja nos suburbios de Barcelona, cruzei uma serie de povitos ate chegar a Martorell pelas 11h30. Descansei até pelas 13h, altura em que fui almocar à acolhedora tasca "Baviera", de uma senhora que havia ja viajado muito tambem. Voltei a descnsar, a preparara-me fisicamente, escutar musica, rever o trajecto e pelas 16h sai rumo a Igualada. O sol estava tao quente ainda, que parei de novo e sai pelas 17h. O problema è que o horario solar espanhol esta atrasado em relacao ao horario da europa central - GMT+1h. E barcelona esta na ponta mais leste da espanha.. enfim. Quer isto dizer que devo pedalar desde que o sol se levante, pelas 6h-7h atè às 13h, o que corresponde ao horario solar normal ate às 11h, quando o azimute solar é mais baixo e menos danoso para o corpo - Em portugal sempre ouvimos o conselho de nao ficar expostos ao sol entre as 12h e as 16h, pois bem, e è disso que se trata.

Depois de Martorell é que vinha o melhor.. ou pior, enfim, nem sei como dizer. Uma serie forte de montanha, ao nivel das Montanhas de Montserrat, contudo com vistas incriveis sobre este lugar magico, e pior que tudo, com varios troços sem berma e ainda para mais, com 5 camioes por minuto a passar... o que é fatal para o ciclismo. Eu é que nao me arrisquei a ir na estrada e peguei na bike que nem um burro e andava fielmente ao meu lado ate voltar a pedalar na berma da estrada. Tambem adicionar o fato de que a bicicleta carregada fica mais instavel, dificl de controlar, devido à deslocaçao do centro de massa. Por isso, ia com muito cuidado, sem arriscar demasiado, ainda mais para um mancebo das longas viagens de bicicleta como eu. Uma coisa é certa: Devagar se vai ao longe.

Pelas 19h30, a senhora Helen, do site Hospitality Club, que eu havia contatado para saber se me podia receber em casa com a sua familia (e pôde!), liga-me a perguntar onde ando.. que nem uma mae (ela mesmo que me disse isso depois! ahahah..) digo-lhe que estou a caminho, pouco depois de Piera. Uma vez que ja estava tarde, ela sugeriu vir buscar-me e ajudar-me nos restantes 10km de bicicleta ate sua casa, nas arredores de Igualada. Chegou com uma carrinha, tipo VW Sharan, ond coube a bicicleta na bagageira. SUCESSO. E digo-vos que os restantes 10km seriam bem hardcore, e que para o primeiro dia, ja havia feito bastante para quem nao pedalava o dia todo ha 2 anos (desde que nfui a trioa de bike)..50km, de saida de barcelona ate Piera. Assim levou-me ate Capellades (poupou 1 hora de montanha), e dai ate â urbanizaçao onde mora a sua familia (poupou-me a subida ingreme de um monte de 900m). Uma familia muito acolhedora me recebeu, com um quarto grande, com uma grande cama de casal para descansar. So faltou a mulher! ;)

Ao jantar conversamos sobre historia, religiao e judaismo tambem, do qual sao seguidores. Incrivel o legado e a presença na Peninsula Iberica. Os sefarditas sao os judeus que habitaram a peninsula, e que hoje subsistem mas ja muito misturados com os povos ibericos mais ancestrais. Na verdade esta peninsula é uma misturada.. "tudo na mesma panela" como dizem os Terrakota, e que panela fervente no verao! Hoje em dia, os apelidos sao a prova mais simples de que as pessoas tem ascendencia judaica ou nao. Todos os apelidos com nomes de arvores, frutos, nomes de cidades e rios, deverao revelar a ascendncia judaica. Na verdade foi o metodo adotado por muitos judeus para se enraizaram mais facilemente dentro das povoacoes de portugal e espanha. Eu tenho o aopelido Lopes que me disseram ontem que é de origem judacia. Tenho que falar entao com o meu pai sobre isso.

Ja nao e a primeira vez que uma familia judaica me recebe, e sao sempre muito boa gente.

Ontem pelo fim da tarde tinha ja decidido ficar um dia mais nesta casa, pelo cansaço do primeiro dia, pelo bom acolhimento, e para prepapar melhor a 2a etapa, pelo que saio amanha, 4a feira, dia 23 de Julho, de novo na estrada e com os pés nos pedais.

Até logo,

Joao Carlos Pina Alves Lopes Aguiar

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Trans-Iberiano - De Barcelona até Lisboa em Bicicleta

Contato na Espanha: +34 65 002 7238

Depois de ter tido a ideia de embarcar no Trans-Siberiano, desde Pequim até Moscovo, e ter desistido pelos preços que as agências me mostraram, pela burocracia em obter os vistos e também pelo tempo que levaria, fixei-me na ideia de que quando chegasse à Península Ibérica iria fazer um Trans-Iberiano, mas pondo de parte o comboio, e antes dando ao pedal.

Chegado a Barcelona comprei então uma bicicleta. Destino final - Lisboa. Tenciono demorar 1 mês passando pelo norte da Espanha e de Portugal, visitando a terra do meu pai em Trás-os-Montes, descendo até ao centro do país, e chegando a Lisboa pela costa.

Será aproximadamente esta a rota:

View Larger Map


Parto na próxima segunda-feira, dia 20 de Julho, pelas 7h da manhã. Por não estar treinado a pedalar e também para manter um ritmo leve, tenciono pedalar cerca de 50km por dia, pelo que levará cerca de 1 mês a chegar a Portugal.

Aqui ficam imagens da minha nova paixão ;)
Bicicleta Bicicleta
Bicicleta

Até breve!

Fica aqui de novo, o meu contato na Espanha. O meu número 96 está também ligado sempre que o número espanhol estiver desligado.


Contato na Espanha: +34 65 002 7238

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Fotos do Japão

Fotos do Japão tiradas em Junho de 2009



Vê as fotos em maior tamanho e com comentários aqui
Mais fotos da viagem aqui

Fotos da França

Fotos da França tiradas em Julho de 2009



Vê as fotos em maior tamanho e com comentários aqui
Mais fotos da viagem aqui

Lisboa, aí vou eu!


Pois é amigos, já comprei a minha bicla, agora é só pedalar!

domingo, 12 de julho de 2009

Fotos da Bélgica


Fotos da Bélgica tiradas em Julho de 2009



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Fotos da Holanda

Fotos da Holanda tiradas em Julho de 2009



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Fotos da Alemanha

Fotos da Alemanha tiradas em Junho de 2009



Mais fotos da viagem aqui

Fotos de Londres


sábado, 11 de julho de 2009

Vídeos da Amazónia

Gravados na viagem à Amazonia Peruana, perto da cidade de Iquitos, em Março de 2009. Enjoy!

Cruzando lagos verdes da Amazónia from João Aguiar on Vimeo.

Crossing green lakes in the peruvian amazon



Golfinhos na Amazónia from João Aguiar on Vimeo.

Dolphins in the peruvian amazon - March 2009



Noite de campismo na Amazónia from João Aguiar on Vimeo.

Na amazónia peruana, perto de Iquitos. Março 2009



Amazónia - Árvores submersas from João Aguiar on Vimeo.

Navegando por entre as árvores submersas na Amazónia Peruana. Março 2009



quinta-feira, 9 de julho de 2009

Com o pé na Península Ibérica

Dia 7 de Julho de 2009 - Em missão nos comboios regionais de França e Espanha, a caminho de Barcelona.

Dijon - Lyon (França)
Primeira parte da viagem de Dijon (França) até Barcelona (Espanha / Catalunha) - manhã dia 7 de Julho de 2009 - 7h30 até 09h30

Lyon - Avignon (França)
Manhã de 7 de julho 2009 - 10h30 até 13h. A caminho de barcelona nos comboios regionais de frança

Avignon - Narbonne (França)
Tarde de 7 de julho de 2009 - 13h30 até 15h30.

Narbonne - Perpignan (França)
Fim de tarde de 7 de julho de 2009 - 16h - 17h.

Perpignan - Port Bou (Espanha)
Fim de tarde de 7 de julho de 2009 - 17h30 - 18h15. Até à fronteira espanhola - Port Bou. Ao sair do comboio os policias quiseram verificar a minha identidade. Mostrei-lhes o Bilhete de Identidade português e o polícia pôs-se a analisar bem se era verdadeiro... o policia pergunta-me em espanhol "Donde vives?" ao que respondo "Em Lisboa", e aí ele, depois de já ter lido onde morava no B.I. diz "Ah, si claro, Lisboa." Estava a testar se sabia onde ia, mas pergunto-me.. as fronteiras na europa não foram abolidas? hmmmmmm.

Port Bou - Barcelona (Espanha)
Cair da noite de 7 de julho de 2009 - 19h - 21h30. Desde a fronteira com a frança - Port Bou - até Barcelona, capital da Catalunha.

Aqui está o mapa do trajeto:

Visualizar Mapa d'Os Meus Descobrimentos em um mapa maior

Depois de Barcelona, o próximo destino é Lisboa! Vamos a saber como...
;)

Música: Amaparonia - álbum "Enchilao"
Livro: Ernesto Sabato - La Resistencia - MEGA LIVRO
Filme: Cronicamente Inviável (Brasil)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Bruxelas - Namur - Dijon

Seguindo caminho pela Europa fora com o bilhete de Inter-rail de 10 dias que comprei em Munique.

Bruxelas - Brugge - Namur (Bélgica)
dia 5 de julho, pelas 17h30, a caminho da frança e depois barcelona! Namur - cidade bonita, tranquila e notou-se ja uma diferença nas pessoas da waledónia (parte francesa no sul da belgica) para as da flandres (parte flamenca no norte).. o pessoal aqui no sul mais aberto, conversador, simpatico. Brugge foi muito bonito mesmo. Alugeui uma bike e passei o dia a pedalar, parar, tirar foto, seguir.. acabei por ver muito mais, do que se estivesse a pé.

Namur - Mulhouse (França)
Manhã de 6 de Julho, cruzando a Belgica, Luxemburgo, entrando na França por Lourainne e Alsace.

Mulhouse-Dijon (França)
Tarde de 6 de Julho, Dijon, capital da regiao da Burgonha, donde era o avô do nosso primeiro Rei.. D.Afonso Henriques. Viagem de comboio muito bonita pela campagne francesa e chegada em Dijon pelas 18h, ainda a tempo de ir deixar as malas ao albergue e passear na cidade até ao pôr do sol, pelas 22h... Cidade com muita história, com largos, monumentos e igrejas bonitas, gente simpatica.

Et voilá la carte!

Visualizar Os Meus Descobrimentos em um mapa maior


Cada vez mais perto da Tuga. Amanhã - em missão para Barcelona!

Até Breve!

domingo, 28 de junho de 2009

Munique - Amsterdão

Novo trecho no mapa: Munique - Amsterdão


View Os Meus Descobrimentos in a larger map

Dia 28 de Junho, domingo, parti às 8h20 da Hauptbanhof de München, troquei de comboio em Hannover, passámos a fronteira e já em terras holandesas, em Hilversum, troquei de novo de comboio, e depois sim, até Amsterdam Centraal . Algumas histórias nesta viagem.. a publicar brevemente no blog!
http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vídeos de Moçambique



Carreteando em Moçambique from João Aguiar on Vimeo.

Na estrada nacional nº1 de moçambique rumo a INHAMBANE! Por la carretera....! Março 2008



Vilankulos islands from João Aguiar on Vimeo.

Lindas ilhas na costa moçambicana. Março 2008



Albergue da Massaca - Moçambique from João Aguiar on Vimeo.

Video recorded in the orphanage "Casa do Gaiato", in the outskirts of Maputo - Massaca, Boane, Moçambique. Março 2008



Maputo, Moçambique from João Aguiar on Vimeo.

no topo das torres perto da escola portuguesa de maputo, com o primo mweti e seu amigo faruke. gandas malucos! ahahah . Março 2008



terça-feira, 23 de junho de 2009

De volta ao velho continente


München, Deutschland
22 Junho 2009
18h

De volta ao velho continente

Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar.
Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi
para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra,
achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e
para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar
o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte
de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades
devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda
aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum..
vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa
de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir".
Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir
da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano
Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo,
e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir.
Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo
que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias,
sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!

Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado
deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa.
O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da
British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como
tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever.
Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa
e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos
como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase
10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui
o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .

Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade,
mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde,
grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo
os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas
vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja
da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas
para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério
e bem feitas.

Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha",
como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano
no reino unido seja diferente do português.
Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes,
cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de
voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram.
Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin,
recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue
(mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..),
ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto
de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.

Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas,
senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei
ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães.
Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar
o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar
arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido!
Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios
assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação.
Será que sou eu que estava em viagem h´+a muito tempo por África e América latina, onde
o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não.
Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber.
Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos,
fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada,
que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil.
Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor,
pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante,
estrangeiras.

Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa
da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província
de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi!
Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem
para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local
ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e
para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de
comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora
a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas
onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço
da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos
a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores
locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei
no minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões
que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de
estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida.
Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais.
Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico.
Valentin, um jovem músico russo, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram
ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar.
Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã
na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas
da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco
mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de
Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin.
São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.

Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que
a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar,
e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina,
no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. DEsta vez fiquei numa bomba
ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária.
Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela que estava meio que no sítio errado,
ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km,
já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia.
Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios
mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios
e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo
a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas
são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim
frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.

Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC.
Bom rever os amigos. Amigos e Família.

Um Abraço

De volta ao velho continente

München, Deutschland

Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar. Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra, achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum.. vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir". Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano

Air Trans Siberian I saw Siberia frmo the sky
Trajetória Tokyo - Londres. Vista aérea da Sibéria.

Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo, e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir. Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias, sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!

Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa. O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever. Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase 10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .

Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade, mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde, grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério e bem feitas.

London Andrade's place
Londres. Na porta da casa do Andrade.

Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha", como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano no reino unido seja diferente do português. Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes, cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram. Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin, recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue (mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..), ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.

Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas, senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães. Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido! Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação. Será que sou eu que estava em viagem há muito tempo por África e América latina, onde o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não. Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber. Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos, fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada, que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil. Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor, pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante, estrangeiras.

Berlin - Unter der Linden Berlin wall
Em Berlin - Unter der Linden e no Muro.

Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi! Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei na minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida. Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais. Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico. Valentin, um jovem russo músico de ska, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar. Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin. São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.

Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar, e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina, no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. Desta vez fiquei numa bomba ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária. Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela vim que tinha ido parar ao sítio errado, ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km, já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia. Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.

Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC. Bom rever os amigos. Amigos e Família.
München - Hofbräuhaus - PEC e Seixas
Com o Mestre PEC e Seixas em Munique.

Música: Milton Banana Trio - Linha de Passe (Brasil)
Filme: Tsotsi (África do Sul)
Livro: Big Sur - Jack Kerouac (E.U.A.)

Um Abraço