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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Tranquilidade


É a certeza no futuro
de um desenlace ao nosso agrado.
É conseguirmos ver no escuro
mesmo de peito escudado.


É o que sentimos ao ver o oceano
e sentirmo-nos parte dele.
Porque nos invade os sentidos
como se estivéssemos a vivê-lo.

É ouvir a música que acalma,
encerrando os nervos da alma.
Que por segundos, minutos ou horas
nos traz a mente ao espírito, sem pressas nem demoras.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Motivação

Motiva-me o amor, a paixão
O tempo e a ausência de idade
A vida no campo e na cidade
Assim como o mar e a insularidade.

Movem-me o espaço, a geografia
Os valores e a cidadania
O humano e a humanidade
O humanismo e a verdade.

Se um poeta é um fingidor
Eu não rimo nem sinto
Mas como me comovo e emociono
Eu sou poeta e não minto.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Poema "O Mundo"

Quando viajei por ele
inebriei-me por tudo.
As pessoas, lugares, paisagens,
línguas e músicas do mundo.

No regresso muito estava igual,
Mas eu vira algo.
E assim o mundo encolheu,
e de rompante agigantou-se para mim.

Um mundo humano, de afectos, histórias e personagens.
Tão diferentes quanto iguais.
Pois estamos todos sob o mesmo tecto, a mesma natureza,
E as mesmas crenças, ou quase as mesmas...

No fundo, a vida é o que quisermos,
E também o que fizermos.
Ou melhor mesmo:
A vida é o que dela quisermos fazer.




















sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Viagem Pessoal

1)

Não interessa o que eles foram
Nem tão pouco o que és.
Portugal é saudade,
Emoção e rigidez.

À teimosia, ignorância
e prepotência
É-lhes dado o espaço para
conquistarem a sociedade.

Ao sentimento, amor
e à liberdade,
é-lhes reservado o papel
de ingratidão, para ripostarem.

Sociedade nossa,
dividida em duas,
e cada vez mais,
bipolarizada.

E o diálogo,
entendimentos,
os sorrisos,
o comprometimento?



2)

Quando nascemos
de nós, nada sabemos.
E quando crescemos
assim nos mantemos.

As noites, as manhãs
e os dias vão-nos moldando
ao nosso próprio corpo,
e assim aprendemos.

Semblante que ganhas
o tom das mesmas palavras
que proferes
e dos olhares que diriges.

Íris que adquires
as tonalidades
de todas as
quatro estações

A sociedade consegue
ser fria,
má juíza e
vingativa.



3)

E na verdade,
não se quer
estar cá para
assistir a isso.

As tempestades por vezes
vêm direito a nós
e pouco ou nada
podemos fazer.

Pouco mais resta
do que escrever.
O sentir, as emoções,
e a comoção.

Ser livre de pensar,
espalhar
e gritar ao mundo
que somos livres de ser livres.



4)

Mas nem tudo é mau.
O que está meio bem
Também está meio mau.

Os meus pais são belos,
exemplares, humanos e irrepreensíveis.
Como lhes gabo as capacidades
Como os admiro, repleto de amor.

Todos vimos de lá.
De uma família, um berço,
do amor criacional
que nos nutre de bem-estar e auto-estima.

Todos vimos de lá,
desse amor
incondicional
que nos mantém vivos.

Todos vimos de lá,
e no final de contas,
não somos mais do que poeira
oriunda das estrelas.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Poema - Primeira Jornada

Dia de chuva em Lisboa
Dia de Carnaval no Mundo
E eu com vontade de viajar à toa
Aprender, conhecer-me a fundo

Quando saí de casa, em mim não acreditaram
Viram-me a sair e depressa exasperaram
Antes de fechar a porta, desejaram-me boa sorte
E esperaram também que passe depressa este corte

Rumei a Foros de Amora
O meu destino por agora
E quando lá chegado ergui o polegar
e logo comecei a perguntar

Até que um casal,
que voltava para Espanha
Me deu boleia,
sem me conhecer nenhuma façanha

Próxima paragem: Andaluzia
Com um passeio pelo meio em Sevilha
E não sei se foi do azar ou da sorte
Mas nesta cidade também me tornei mais forte

Quando um grupo de agentes me apanhou desprevenido
Encostou-me à parede e deixou-me em sentido
Revistaram-me de alto a baixo e pediram-me identificação
Fiz-me difícil e primeiro disse-lhes que não

No final de contas, eu estava legal
pois eu sou um viajante do vizinho Portugal
Ainda me perguntaram para onde é que eu ia
E no final um deles para a viagem me advertia

Chegado ao destino, constato o que se diz
“que em toda a Espanha, o melhor Carnaval é o de Cadiz”
Com os hoteis cheios e sem contactos ali,
Só me resta erguer o polegar e aguardar assim

Aguardo, pergunto e não desisto
Até que me pasmei com o que tinha visto
Uma jovem donzela, com um olhar de anjo
Maquilhada, espanhola, que me conquistou com o seu encanto

Diz-me que me deixa no seu conforto
mas apenas se fizermos um acordo
Vou ter que contar ao seu namorado
que venho da parte de um outro seu contacto

Aceitei,  até porque estava de passagem
e sem sítio onde dormir
E no final ela levou-me à paragem
para o meu caminho prosseguir

E se alguém um dia me perguntar,
o que fui fazer a Tarifa
Posso dizer que lá fui,
e lá me saiu uma rifa

Hospedado pelo Couchsurfing
num Hostel em construção
Enquanto trabalhava
Conheci o fundador de um site de jogos de mão

E lá tive conversas de inspiração
De que somos capazes do que achamos que não
E que é esse mesmo sonho que nos faz alcançar
E do meio do nada, fazer o mundo girar...