quarta-feira, 15 de julho de 2009
Fotos do Japão
Vê as fotos em maior tamanho e com comentários aqui
Mais fotos da viagem aqui
Fotos da França
domingo, 12 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
Vídeos da Amazónia
Cruzando lagos verdes da Amazónia from João Aguiar on Vimeo.
Crossing green lakes in the peruvian amazon
Golfinhos na Amazónia from João Aguiar on Vimeo.
Dolphins in the peruvian amazon - March 2009
Noite de campismo na Amazónia from João Aguiar on Vimeo.
Na amazónia peruana, perto de Iquitos. Março 2009
Amazónia - Árvores submersas from João Aguiar on Vimeo.
Navegando por entre as árvores submersas na Amazónia Peruana. Março 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Com o pé na Península Ibérica
Dijon - Lyon (França)
Primeira parte da viagem de Dijon (França) até Barcelona (Espanha / Catalunha) - manhã dia 7 de Julho de 2009 - 7h30 até 09h30
Lyon - Avignon (França)
Manhã de 7 de julho 2009 - 10h30 até 13h. A caminho de barcelona nos comboios regionais de frança
Avignon - Narbonne (França)
Tarde de 7 de julho de 2009 - 13h30 até 15h30.
Narbonne - Perpignan (França)
Fim de tarde de 7 de julho de 2009 - 16h - 17h.
Perpignan - Port Bou (Espanha)
Fim de tarde de 7 de julho de 2009 - 17h30 - 18h15. Até à fronteira espanhola - Port Bou. Ao sair do comboio os policias quiseram verificar a minha identidade. Mostrei-lhes o Bilhete de Identidade português e o polícia pôs-se a analisar bem se era verdadeiro... o policia pergunta-me em espanhol "Donde vives?" ao que respondo "Em Lisboa", e aí ele, depois de já ter lido onde morava no B.I. diz "Ah, si claro, Lisboa." Estava a testar se sabia onde ia, mas pergunto-me.. as fronteiras na europa não foram abolidas? hmmmmmm.
Port Bou - Barcelona (Espanha)
Cair da noite de 7 de julho de 2009 - 19h - 21h30. Desde a fronteira com a frança - Port Bou - até Barcelona, capital da Catalunha.
Aqui está o mapa do trajeto:
Visualizar Mapa d'Os Meus Descobrimentos em um mapa maior
Depois de Barcelona, o próximo destino é Lisboa! Vamos a saber como...
;)
Música: Amaparonia - álbum "Enchilao"
Livro: Ernesto Sabato - La Resistencia - MEGA LIVRO
Filme: Cronicamente Inviável (Brasil)
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Bruxelas - Namur - Dijon
Bruxelas - Brugge - Namur (Bélgica)
dia 5 de julho, pelas 17h30, a caminho da frança e depois barcelona! Namur - cidade bonita, tranquila e notou-se ja uma diferença nas pessoas da waledónia (parte francesa no sul da belgica) para as da flandres (parte flamenca no norte).. o pessoal aqui no sul mais aberto, conversador, simpatico. Brugge foi muito bonito mesmo. Alugeui uma bike e passei o dia a pedalar, parar, tirar foto, seguir.. acabei por ver muito mais, do que se estivesse a pé.
Namur - Mulhouse (França)
Manhã de 6 de Julho, cruzando a Belgica, Luxemburgo, entrando na França por Lourainne e Alsace.
Mulhouse-Dijon (França)
Tarde de 6 de Julho, Dijon, capital da regiao da Burgonha, donde era o avô do nosso primeiro Rei.. D.Afonso Henriques. Viagem de comboio muito bonita pela campagne francesa e chegada em Dijon pelas 18h, ainda a tempo de ir deixar as malas ao albergue e passear na cidade até ao pôr do sol, pelas 22h... Cidade com muita história, com largos, monumentos e igrejas bonitas, gente simpatica.
Et voilá la carte!
Visualizar Os Meus Descobrimentos em um mapa maior
Cada vez mais perto da Tuga. Amanhã - em missão para Barcelona!
Até Breve!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Participação no Future Places 2009
O que é o Future Places 2009 ?
Seis dias de exibições e eventos direcionados ao potencial impato dos meios de comunicação digitais na cultura local.
13-17 de Outubro 2009, no Porto, Portugal.
Um projeto do Programa UTAustin|Portugal
Fica aqui também o link para a página com os selecionados para a imagem do evento:
http://colab.ic2.utexas.edu/futureplaces/2009/06/post-digital-grounds/#comments
E aqui as minhas fotos que foram escolhidas
Tampa de esgoto em Nagoya e no Jardim de Ueno - Tokyo.
domingo, 28 de junho de 2009
Munique - Amsterdão
View Os Meus Descobrimentos in a larger map
Dia 28 de Junho, domingo, parti às 8h20 da Hauptbanhof de München, troquei de comboio em Hannover, passámos a fronteira e já em terras holandesas, em Hilversum, troquei de novo de comboio, e depois sim, até Amsterdam Centraal . Algumas histórias nesta viagem.. a publicar brevemente no blog!
http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Vídeos de Moçambique
Carreteando em Moçambique from João Aguiar on Vimeo.
Na estrada nacional nº1 de moçambique rumo a INHAMBANE! Por la carretera....! Março 2008
Vilankulos islands from João Aguiar on Vimeo.
Lindas ilhas na costa moçambicana. Março 2008
Albergue da Massaca - Moçambique from João Aguiar on Vimeo.
Video recorded in the orphanage "Casa do Gaiato", in the outskirts of Maputo - Massaca, Boane, Moçambique. Março 2008
Maputo, Moçambique from João Aguiar on Vimeo.
no topo das torres perto da escola portuguesa de maputo, com o primo mweti e seu amigo faruke. gandas malucos! ahahah . Março 2008
terça-feira, 23 de junho de 2009
De volta ao velho continente
München, Deutschland
22 Junho 2009
18h
De volta ao velho continente
Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar.
Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi
para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra,
achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e
para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar
o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte
de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades
devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda
aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum..
vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa
de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir".
Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir
da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano
Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo,
e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir.
Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo
que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias,
sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!
Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado
deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa.
O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da
British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como
tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever.
Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa
e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos
como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase
10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui
o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .
Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade,
mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde,
grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo
os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas
vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja
da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas
para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério
e bem feitas.
Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha",
como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano
no reino unido seja diferente do português.
Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes,
cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de
voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram.
Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin,
recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue
(mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..),
ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto
de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.
Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas,
senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei
ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães.
Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar
o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar
arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido!
Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios
assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação.
Será que sou eu que estava em viagem h´+a muito tempo por África e América latina, onde
o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não.
Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber.
Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos,
fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada,
que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil.
Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor,
pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante,
estrangeiras.
Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa
da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província
de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi!
Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem
para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local
ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e
para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de
comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora
a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas
onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço
da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos
a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores
locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei
no minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões
que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de
estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida.
Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais.
Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico.
Valentin, um jovem músico russo, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram
ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar.
Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã
na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas
da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco
mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de
Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin.
São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.
Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que
a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar,
e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina,
no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. DEsta vez fiquei numa bomba
ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária.
Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela que estava meio que no sítio errado,
ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km,
já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia.
Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios
mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios
e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo
a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas
são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim
frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.
Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC.
Bom rever os amigos. Amigos e Família.
Um Abraço
De volta ao velho continente
Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar. Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra, achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum.. vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir". Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano
Trajetória Tokyo - Londres. Vista aérea da Sibéria.
Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo, e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir. Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias, sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!
Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa. O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever. Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase 10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .
Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade, mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde, grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério e bem feitas.
Londres. Na porta da casa do Andrade.
Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha", como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano no reino unido seja diferente do português. Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes, cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram. Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin, recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue (mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..), ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.
Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas, senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães. Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido! Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação. Será que sou eu que estava em viagem há muito tempo por África e América latina, onde o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não. Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber. Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos, fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada, que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil. Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor, pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante, estrangeiras.
Em Berlin - Unter der Linden e no Muro.
Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi! Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei na minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida. Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais. Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico. Valentin, um jovem russo músico de ska, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar. Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin. São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.
Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar, e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina, no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. Desta vez fiquei numa bomba ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária. Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela vim que tinha ido parar ao sítio errado, ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km, já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia. Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.
Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC. Bom rever os amigos. Amigos e Família.
Com o Mestre PEC e Seixas em Munique.
Música: Milton Banana Trio - Linha de Passe (Brasil)
Filme: Tsotsi (África do Sul)
Livro: Big Sur - Jack Kerouac (E.U.A.)
Um Abraço
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Japão é outra dimensão
Faz hoje 5 dias que cheguei a este universo paralelo. A tecnologia está presente em todos os lados: incontáveis luzes piscantes nas ruas, casas-de-banho high-tech todas feitas de plástico que nem nave espaciais e com jatos de limpar o rabo e aquecimento no aro de sentar, luzes rotativas nas entradas dos restaurantes, comboios-bala que atingem os 300 km/h interligam todo o país, telefones públicos com grandes painéis eletrónicos que indicam as moedas que ainda não foram usadas para realizar a chamada (entre outras informações todavia indecifráveis em japonês), os ultimos modelos automóveis japoneses são os carros comuns que se avistam nas ruas, encontram-se facilmente lojas de equipamentos eletrónicos baratos, a internet é omnipresente com as maiores velocidades de upload que já vi... enfim uma lista enorme. A tecnologia faz parte da cultura local e parece comum entre o Japão que conheci até agora.
Tokyo - Bairro de Akihabara.
Depois de ter passado 3 dias em Tokyo, encontro-me neste momento na cidade de Nagoya, um dos principais centros tecnológicos e industriais do país, e base para a fábrica da Toyota.
Na Europa, pelos países nos quais tinha até aqui viajado via igrejas em todas as cidades, para nem pensar no incontável número de igrejas que temos em Portugal. Pois bem, aqui no Japão avistam-se templos por toda a parte - templos budistas e os shintuístas (chamados "Shrines"). Hoje visitei o Museu da Toyota e o Castelo de Nagoya. Os castelos em Portugal são do tipo geométrico bem recto, rectangular e deo tipo pedra-sobre-pedra. Pois bem, aqui os castelos são sumptuosos e requintados. Têm decorações douradas na fachada, os telhados têm as pontas dobradas, incluindo motivos especiais religiosos nos cantos e possuem vários andares, tomando alturas consideráveis.
Tokyo - Templo no bairro de Asakusa.
O tratamento oferecido ao cliente é de todo invulgar. Quando prestam um serviço, fazem-no com servidão, humildade e dedicando toda a atenção ao cliente. A palavra "acusaimass", significado de respeito e boa-educação é repeitda vezes sem conta num dia passado no Japão. Num museu ou numa casa de hóspedes típica japonesa "Ryokan", onde estou agora instalado, mesmo ao passarem ao teu lado ou nas tuas costas, falam algo incluindo o "acusaimass" como sinal de respeito. Tudo é servido com cuidado e toda a atenção é dedicada ao cliente. É um tratamento único, caregado de delicadeza, atenção e humildade.
Tokyo é uma cidade gigante onde o que salva um estangeiro viajante ocidental é o metro e as suas indicações em inglês, caso contrário seria bem dificil mover-me na cidade. Chegado ao aeroporto recebi a hospitalidade de um jovem casal que estavam no mesmo caminho que eu, e me ajudaram na linha de comboio até ao hostel. Movidos pela generosidade e hospitalidade, tipicamente japonesas, levaram-me até ao hostel. O hostel disponiboizou as facilidades a que me fui habituando durante a viagem (mais na américa do sul) como cozinha comum, internet wireless grátis, mas a diferença de que estava no Japão evidenciou-se, quando o beliche onde ficava a dormir era uma caixa de madeira com uma porta deslizável. E como esta haviam mais quatro, dispostas 2*2.
Hostel e Metro em Tokyo.
A higiene é uma paranóia no Japão. As sanitas têm jatos para limpar o rabo, frequentemente se encontram saboneteiras com alcool para desinfetar as mãos em espaços fechados como museus e estações de metro e comboio, os sapatos ficam sempre à porta do quarto e no hostel onde fiquei em Tokyo na porta da rua(!), são distribuídos pacotes de lenços nas principais ruas de Tokyo (também como estratégia de marketing de algumas lojas), e as máscaras faciais são frequentes, e não são uma precaução adicional devido à tão falada gripe suína - já assim era antes deste surto.
Cruzamento no bairro de Shibuya, Tokyo.
Por vezes vem-me à cabeça o mundo dos anime, dragon ball, sailor moon, tsubasa, e o Japão tem de facto bastante da fantasia que se vê nesses desenhos. É uma sociedade diferente, inovada, "certinha", onde quase tudo acontece rapidamente, eficientemente e com pontualidade ao minuto.
São algumas visões e opiniões da, provavelmente, mais tecnologicamente avançada sociedade do mundo. Amanhã rumo ao Japão mais rural, nas montanhas - à vila património da humanidade - Shirakawa-go.
Música: Music: Lura - Eclipse (Portugal, Cabe Verde)
Filme: Nação Fast Food (E.U.A.)
Livro: Ernesto Sabato - La Resistencia (Argentina)
Com saudade e um abraço.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Dicas
"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar a lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver... Il faut aller voir - é preciso ir ver! É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." - Amyr Klink
"Life is like a book and not travelling is like staying in the first page."
Frase de apresentação de uma agência de viagens em Brisbane, Austrália

segunda-feira, 23 de março de 2009
Na Amazónia Peruana
Iquitos, Perú
Já faz um bom tempo desde que não me dedico a escrever relatando o que se tem passado no meu quotidiano. Já lá vai desde a África do Sul, há quase um ano, quando quebrei o meu tornozelo. Pois é... longa história!
Cheguei num lodge no meio do nada, a 4 horas de jipe da cidade mais próxima sem estrada, numa baía lindíssima chamada Bulungula, um dos lugares mais bonitos que "descobri" durante esta viagem, onde tudo era eco-amigável e auto-sustentável. Com saltos e correrias de entusiasmo à chegada, escorreguei numas escadas e tive que ser resgatado de helicóptero para a cidade mais próxima e operado de emergência para colocar 7 parafusos no meu tornozelo esquerdo. Mas isso já lá vai. Agora já consigo andar, correr e tudo mais! Num dos próximos relatos a serem publicados, sairá a história completa!
Sento-me em frente ao computador agora, recém-chegado de uma viagem de 3 dias na floresta amazónica peruana. Viagem à selva!
Chegado à cidade de Iquitos, vindo de barco de Manaus, Brasil, busquei agências de turismo que organizassem viagens à selva. Encontrei várias e a que me pareceu melhor foi a "Amazon Adventure Expeditions". (sim, é aquele nome batido, de quem não topa muito de inglês mas quer chamar os camónes... eheheheh ) Fizeram um preço bom, têem vários anos de experiência e boas referências, e por isso decidi ir com eles. Ainda bem que não fiz uma viagem à selva em manaus, no Brasil, pensava para mim, onde o preço era três vezes mais caro, e numa área da Amazónia onde não se encontra tanta vida selvagem, devido à proximidade a um centro urbando maior.
Partimos dia 18 de Março, pelas 8h da manhã, de Iquitos num carro rumo a Nauta, pequena cidade a cerca de 150 km de Iquitos. A viagem foi meio acelerada e com uma alguma dose de adrenalina no volante, mas atingimos com sucesso o nosso destino. À chegada já nos esperavam num pequeno barco a motor, para nos levar até ao albergue na floresta. Chegámos pelas 12h, a tempo do almoço. O lodge era composto por várias casas de madeira construídas a cerca de 2 metros acima do solo, suportadas por estacas. As estações climáticas aqui são apenas duas: O Inverno, quando chove quase todos os dias e como consequência os rios se enchem, transbordam, e alagam terrenos que estão secos na estação seca, o Verão. Este último traz um abaixamento do nível das águas e permite às populações circularem mais a pé e menos de barco, e nalgumas áreas devido ao baixo nível de água, cultivar arroz.
O almoço foi "rico" e como manda a tradição peruana, composto de arroz e pollo! No Brasil me habituei bem ao arroz e feijão por isso o arroz do almoço soube a mel!! Depois de almoço fomos pescar por uns minutos com o Anthony, miúdo de 10 anos que já pesca o seu próprio alimento do rio e se vira que nem um pró na canoa. De seguida seguimos para um passeio à povoação vizinha do nosso lodge "Puerto Miguel" onde todas as casas estão sobre água suspensas por estacas. Uma experiência única foi chegar à "Discobar El Gusano" de barco, sendo essa a única maneira de lá chegar sem molhares pelo menos metade do corpo! Casas, escolas, bar, restaurantes, posto de saúde, etc. são assim ligados, por água, e ter uma canoaita é bom para viver mais facilmente nesta aldeia, que durante a estação chuvosa se cobre de água aos seus pés. De seguida descemos os rios Yarapa e Cumaceba
à procura de golfinhos. Conseguimos avistar vários mas sempre ao longe e nunca vimos mais do que a sua barbatana dorsal. Volvidos ao lodge amazónico, já ao pôr-do-sol, jantámos e descansámos cedo.
Tempo ainda para conversar à mesa com outros viajantes, trocar impressões sobre a selva, jogar uma cartada, aprender novos sotaques e novas línguas.
Dia seguinte seria bem emocionante: Campismo na Floresta!!! Saímos logoo cedo pelas 9h, numa pequena canoa com um motorzeco. Descendo rios, cortando caminho por riachos de água coberta por
plantas, cruzando lagos com jacarés dormindo, chegámos a um pedaço de terra que durante a estação chuvosa fica rodeado de água, uma ilha portanto. Um senhor já nos esperava preparando o almoço.. para varia, arroz e frango! Pollo Diablo!!! ahahahahahha (um abraço para ti mano!) Montei uma rede de dormir entre duas árvores e coloquei uma rede mosquiteira à sua volta e um toldo para a chuva por cima (que útil será!), e depois começou a ação. Pegámos na canoa e fomos até um bosque de árvores antigas semi-submersas em água. Atalhando, e com o conhecimento do nosso guia, o "Lobo", que nasceu, cresceu e trabalha nesta área desde pequeno e conhece tudo como a palma da mão, chegámos a águas onde as piranhas navegam. Lançámos os anzóis à água e tratámos de encontrar o nosso jantar. Pescámos uns 6 peixitos e foi bom para as 6 pessoas que estavam no campismo: um peruano, uma americana, um japonês, eu e dois guias. À chegada ao campismo, seguimos para uma caminhada na selva de cerca de 2 horas até que o sol o pôr-do-sol. Caminhando
por trilhas de lama, cruzando pequenos lagos, detetando pegadas de jaguar, tocas de armadilos (papa-formigas creio), e no meio de milhares de insectos.
Voltámos e já tínhamos piranha grelhada na brasa à nossa espera! Bem bom. É um peixe com pouca carne, mas o sabor a grelhado deu saudades da terra-mãe e foi tudo um sucesso. Depois de jantar pegámos na canoa e fomos de novo aos lagos, desta vez já de noite, apenas com a lanterna
na cabeça do "lobo", buscando jacarés. Quando uns olhos à tona da água brilharem com o reflexo da lanterna, lá estão eles. Mas procurámos e procurámos por um par de horas, e nada. Voltámos ao acampamento pelas 22h mesmo antes de cair uma chuvada forte, que se pararia no dia seguinte,
depis de chegarmos ao lodge. Choveu e choveu nessa noite, a ponto de ter entrada água no motor, e nao termos podido usá-lo para voltar ao lodge. Fomos a remar! Numa canoa ia o guia Santiago, o japonês e eu remando, e no outro o "lobo" e o peruana e a americana (de alabama com sotaque à forrest gump!! ehehehhe que deboxe!!).
Assim foi... acordámos pelas 8h da matina, arrumámos tudo e seguimos nas canoas em modo manual. Eu consegui descansar bem à noite, dada a chuva, os insetos, os barulhos que se escutam no meio da selva, e uma vez que dormi numa rede, foi das melhores noites dormidas numa rede! Seguimos por 2 horas remando nas águas amazónicas sob chuvada, cruzando lagos e estreitamentos coloridos de plantas verdes à tona de água (e que dificultam remar pa caramba!), até que chegámos ao rio, e por sorte estava a nosso favor e poupou mais umas horas de remo. Foi uma aventura! Mas soube bem!
Exercício pela manhã, uma dosezita de adrenalina e um pequeno-almoço tomado no meio do rio cumaceba, sentado numa canoa!
Memorável!
Camarada, até breve.
Estamos juntos, levo-te comigo nesta caminhada pelo Mundo, de volta à Tugolândia.
João Aguiar
Livros: Brave New World, Aldous Huxley
Música: Ya se ha muerto mi avuelo - Juaneco y su combo, Como hago - Kaliente
Filme: Slumdog Millionaire, Danny Boyle
Comida de Iquitos: Sesina y tacacho - carne de uma espéice de javali servida com uma bola feita de banana com pedaços de carne - muy rico!!!
sábado, 21 de março de 2009
Na Amazónia Peruana
Já faz um bom tempo desde que não me dedico a escrever relatando o que se tem passado no meu quotidiano. Já lá vai desde a África do Sul, há quase um ano, quando quebrei o meu tornozelo. Pois é... longa história!
Cheguei num lodge no meio do nada, a 4 horas de jipe da cidade mais próxima sem estrada, numa baía lindíssima chamada Bulungula, um dos lugares mais bonitos que "descobri" durante esta viagem, onde tudo era eco-amigável e auto-sustentável. Com saltos e correrias de entusiasmo à chegada, escorreguei numas escadas e tive que ser resgatado de helicóptero para a cidade mais próxima e operado de emergência para colocar 7 parafusos no meu tornozelo esquerdo. Mas isso já lá vai. Agora já consigo andar, correr e tudo mais! Num dos próximos relatos a serem publicados, sairá a história completa! Sento-me em frente ao computador agora, recém-chegado de uma viagem de 3 dias na floresta amazónica peruana. Viagem à selva!
Chegado à cidade de Iquitos, vindo de barco de Manaus, Brasil, busquei agências de turismo que organizassem viagens à selva. Encontrei várias e a que me pareceu melhor foi a "Amazon Adventure Expeditions". (sim, é aquele nome batido, de quem não topa muito de inglês mas quer chamar os camónes... eheheheh ) Fizeram um preço bom, têem vários anos de experiência e boas referências, e por isso decidi ir com eles. Ainda bem que não fiz uma viagem à selva em manaus, no Brasil, pensava para mim, onde o preço era três vezes mais caro, e numa área da Amazónia onde não se encontra tanta vida selvagem, devido à proximidade a um centro urbando maior.
Partimos dia 18 de Março, pelas 8h da manhã, de Iquitos num carro rumo a Nauta, pequena cidade a cerca de 150 km de Iquitos. A viagem foi meio acelerada e com uma alguma dose de adrenalina no volante, mas atingimos com sucesso o nosso destino. À chegada já nos esperavam num pequeno barco a motor, para nos levar até ao albergue na floresta. Chegámos pelas 12h, a tempo do almoço. O lodge era composto por várias casas de madeira construídas a cerca de 2 metros acima do solo, suportadas por estacas. As estações climáticas aqui são apenas duas: O Inverno, quando chove quase todos os dias e como consequência os rios se enchem, transbordam, e alagam terrenos que estão secos na estação seca, o Verão. Este último traz um abaixamento do nível das águas e permite às populações circularem mais a pé e menos de barco, e nalgumas áreas devido ao baixo nível de água, cultivar arroz.
Albergue na selva.
Anthony, o jovem pescador da selva.
O almoço foi "rico" e como manda a tradição peruana, composto de arroz e pollo! No Brasil me habituei bem ao arroz e feijão por isso o arroz do almoço soube a mel!! Depois de almoço fomos pescar por uns minutos com o Anthony, miúdo de 10 anos que já pesca o seu próprio alimento do rio e se vira que nem um pró na canoa. De seguida seguimos para um passeio à povoação vizinha do nosso lodge "Puerto Miguel" onde todas as casas estão sobre água suspensas por estacas. Uma experiência única foi chegar à "Discobar El Gusano" de barco, sendo essa a única maneira de lá chegar sem molhares pelo menos metade do corpo! Casas, escolas, bar, restaurantes, posto de saúde, etc. são assim ligados, por água, e ter uma canoaita é bom para viver mais facilmente nesta aldeia, que durante a estação chuvosa se cobre de água aos seus pés. De seguida descemos os rios Yarapa e Cumaceba à procura de golfinhos. Conseguimos avistar vários mas sempre ao longe e nunca vimos mais do que a sua barbatana dorsal. Volvidos ao lodge amazónico, já ao pôr-do-sol, jantámos e descansámos cedo. Tempo ainda para conversar à mesa com outros viajantes, trocar impressões sobre a selva, jogar uma cartada, aprender novos sotaques e novas línguas.
Dia seguinte seria bem emocionante: Campismo na Floresta!!! Saímos logoo cedo pelas 9h, numa pequena canoa com um motorzeco. Descendo rios, cortando caminho por riachos de água coberta por plantas, cruzando lagos com jacarés dormindo, chegámos a um pedaço de terra que durante a estação chuvosa fica rodeado de água, uma ilha portanto. Um senhor já nos esperava preparando o almoço.. para varia, arroz e frango! Pollo Diablo!!! ahahahahahha (um abraço para ti mano!) Montei uma rede de dormir entre duas árvores e coloquei uma rede mosquiteira à sua volta e um toldo para a chuva por cima (que útil será!), e depois começou a ação. Pegámos na canoa e fomos até um bosque de árvores antigas semi-submersas em água. Atalhando, e com o conhecimento do nosso guia, o "Lobo", que nasceu, cresceu e trabalha nesta área desde pequeno e conhece tudo como a palma da mão, chegámos a águas onde as piranhas navegam. Lançámos os anzóis à água e tratámos de encontrar o nosso jantar. Pescámos uns 6 peixitos e foi bom para as 6 pessoas que estavam no campismo: um peruano, uma americana, um japonês, eu e dois guias. À chegada ao campismo, seguimos para uma caminhada na selva de cerca de 2 horas até que o sol o pôr-do-sol. Caminhando por trilhas de lama, cruzando pequenos lagos, detetando pegadas de jaguar, tocas de armadilos (papa-formigas creio), e no meio de milhares de insectos.
Cruzando os lagos cobertos de plantas flutuantes.
Montando a rede de dormir no campismo.
Voltámos e já tínhamos piranha grelhada na brasa à nossa espera! Bem bom. É um peixe com pouca carne, mas o sabor a grelhado deu saudades da terra-mãe e foi tudo um sucesso. Depois de jantar pegámos na canoa e fomos de novo aos lagos, desta vez já de noite, apenas com a lanterna na cabeça do "lobo", buscando jacarés. Quando uns olhos à tona da água brilharem com o reflexo da lanterna, lá estão eles. Mas procurámos e procurámos por um par de horas, e nada. Voltámos ao acampamento pelas 22h mesmo antes de cair uma chuvada forte, que se pararia no dia seguinte, depois de chegarmos ao lodge. Choveu e choveu nessa noite, a ponto de ter entrada água no motor, e nao termos podido usá-lo para voltar ao lodge. Fomos a remar! Numa canoa ia o guia Santiago, o japonês e eu remando, e no outro o "lobo" e o peruana e a americana (de alabama com sotaque à forrest gump!! ehehehhe que deboxe!!).
O guia "Lobo" pescou mais um para o jantar.
Bosque amazónico semi-coberto de água.
Na pescaria amazónica!
Pegada de jaguar, durante a caminhada na selva.
Assim foi... acordámos pelas 8h da matina, arrumámos tudo e seguimos nas canoas em modo manual. Eu consegui descansar bem à noite, dada a chuva, os insetos, os barulhos que se escutam no meio da selva, e uma vez que dormi numa rede, foi das melhores noites dormidas numa rede! Seguimos por 2 horas remando nas águas amazónicas sob chuvada, cruzando lagos e estreitamentos coloridos de plantas verdes à tona de água (e que dificultam remar pa caramba!), até que chegámos ao rio, e por sorte estava a nosso favor e poupou mais umas horas de remo. Foi uma aventura! Mas soube bem! Exercício pela manhã, uma dosezita de adrenalina e um pequeno-almoço tomado no meio do rio cumaceba, sentado numa canoa!
Memorável!
Na Amazónia.
Lago.
Camarada, até breve.
Estamos juntos, levo-te comigo nesta caminhada pelo Mundo, de volta à Tugolândia.
João Aguiar
Livros: Brave New World, Aldous Huxley
Música: Ya se ha muerto mi avuelo - Juaneco y su combo, Como hago - Kaliente
Filme: Slumdog Millionaire, Danny Boyle
Comida de Iquitos: Sesina y tacacho - carne de uma espéice de javali servida com uma bola feita de banana com pedaços de carne - muy rico!!!
