quinta-feira, 4 de maio de 2017

Galapinhos é grande!

A praia de Galapinhos foi este ano eleita a melhor da Europa. Desde os tempos em que lá ia mergulhar com os meus tios e primos de Setúbal, nas férias de verão, que acho isto... e este recanto ainda está no meu top mundial de praias. Galapinhos é grande!



terça-feira, 2 de maio de 2017

Estátuas da Liberdade

Quando regressava a casa vindo das celebrações do primeiro de maio, subi a artéria central do centro de Lisboa, a Avenida da Liberdade. Qualquer alfacinha já lá passou imensas vezes mas acho que quando regressamos e revemos os lugares, há sempre coisas novas que observamos, tal como quando vemos o mesmo filme duas vezes, à segunda há novos pormenores de que nos apercebemos. E assim vi-a de um outro modo.

Ao subir a avenida, um conjunto de estátuas cruzou-se no meu caminho. A primeira de todas, do histórico libertador da América do Sul e Central, Simón Bolívar, a quem se presta uma eterna admiração na República Bolivariana, e lá está o nome dele na etimologia, da Venezuela. Ou na Bolívia, a quem se dedicou todo o nome do país. As árvores da avenida abriram-se num dos passeios laterais, perante o elevado e imponente vulto em bronze verde, deste militar. Ao ler as inscrições na base da estátua, com a lista dos países por ele libertados - Venezuela, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador e Panamá - é-me despertada uma imagem de gritos de guerra, revolução, sofrimentos e alegrias populares. Como se todas as lutas e batalhas pela independência, feitas de vitórias e derrotas, do vermelho sangue e da água salgada do choro e suor dos militares, ali estivessem plantadas em respeito àquela pessoa. Não deixei de reparar que foi em 1978, ainda no rescaldo da nossa mais recente revolução, que se homenageou aquele prolífico libertador popular.

Mais acima, um busto, também de bronze, no topo de uma coluna branca, que nos dá pela altura do tronco. O vulto é de Chopin, o génio compositor musical, de naturalidade polaca, e a quem se prestou, há pouco tempo atrás, uma tímida homenagem, ali no outrora "Passeio Público". Deste ponto, ao olhar para o outro lado das faixas de rodagem, vislumbrei um imponente trabalho em pedra granítica e bronze, no qual lia, à distância, em letras grandes inscritas na pedra, "Primeira Guerra Mundial", erigido em homenagem às vítimas, guerreiros e sobreviventes portugueses deste nefasto episódio da história contemporânea. Dela emanava dor e sofrimento mas também vitória, nacionalismo e união dos soldados. Enquanto a via, no plano por detrás, harpejava incessante a bandeira na janela do consulado de Espanha, à porta do qual uma patrulha de polícias armados com metralhadoras até aos dentes, por lá se entretinham, para sempre, à procura de um qualquer sinal terrorista, e com que critérios, sabia-se lá. O máximo que viram, terá sido talvez, embora na residência do embaixador, aquando da memorável manifestação de 15 de outubro de 2012. De resto, nada... e a um custo elevado para o erário público.

O pendente desta avenida que se expande desde os Restauradores (lugar de outra importante estátua aos nossos heróis de 1640) até à "Rotunda", intimida mais do que cansa, e por isso depressa subi outro trecho até ao cruzamento com a Alexandre Herculano, onde são homenageados o político Oliveira Martins, o nosso Almeida Garrett, e outro grande escritor, também político liberal e deputado patriota, que dá nome a esta transversal da "Avenida".



Já no topo da estrada e fim da "Liberdade", aguardava-me não uma rotunda, mas antes uma "turbo-rotunda" (versão melhorada da primeira com duas rotundas separadas e concêntricas), inaugurada há poucos anos atrás, mas com um assinalável erro de planeamento na drenagem de águas, identificado no dia da inauguração, por um cidadão anónimo. A estátua, feita de um exagero de pedra e metal, foi feita em honra de alguém que, tendo feito coisas boas por cá, perseguiu e matou muita gente. Sempre que se apura o campeão nacional de futebol, o alvoroço ao redor deste lugar é exagerado, e só possível num país que respeita tanto ou mais este desporto do que a própria religião. Qual a diferença entre os dois? Perguntava-me e refletia enquanto caminhava.

Depois de calcorrear este ex-libris, pelo menos rodoviário, da cidade, não deixava de me orgulhar de que, se na outra costa do Atlântico Norte, há uma estátua da Liberdade, por cá nós temos todas estas as estátuas na "Liberdade".

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Batman é brasileiro

Livro - Os Meus Descobrimentos - em breve à venda ! Site osmeusdescobrimentos.com a ser finalizado.


O Batman é brasileiro
Aos fãs desta personagem do mundo fantástico das bandas desenhadas norte-americanas e também dos cinemas, porque depois do papel vem a tela de projeção, fica a informação de que o Batman é mesmo brasileiro! E vou aqui comprovar a minha tese.
A arte urbana brasileira é própria, e vive muito de uma caligrafia única no mundo inteiro. No conceito mais lato do que é a arte urbana encaixam-se vertentes como o tagging ou "pixo" (e não é engano) na gíria de rua brasileira, ou como o bombing, silver, wall of fame, trem, etc. Ao olhar do viajante mais atento poderão assemelhar-se os "pixos" a tipografias de rua de crews ou gangues mexicanos mas é singular o que encontramos no Brasil, pelas várias cidades fora mas em especial em São Paulo. O objetivo é o velho instinto humano que nos vem ainda inculcado nos genes: marcar território. E na "mega" urbe de São Paulo, vê-se este fenómeno, assim como as suas consequências de uma forma tão ousada, arriscada e competitiva que é suficiente para imprimir indelevelmente uma memória, boa ou má dependendo do viajante, sobre a arte que se manifesta nas paredes desta selva de cimento colorido. Em resultado desta prática de marcar terreno, jovens sobem, escalando-os autenticamente, prédios de mais de dez andares para lá colocarem a sua marca pessoal, e tipicamente em São Paulo, composta de linhas geométricas, essencialmente de losangos.
Na vertente de wall of fame, e indo agora ao tema do post, nesta gigante urbe, há um conjunto inteiro de ruas situadas na agradável, artística e boémia Vila Madalena, que veem as suas paredes inteiramente pintadas de copiosos, coloridos e complexos graffities. Alguns compostos de estética de desenho pura, outros com mensagem, vide fotografia.
E o que tem tudo isto que ver com o xerife heterónimo de Gotham? O nome da área é "Beco do Batman"! Ora se ele mora ali, veja-se aliás numa das fotografias, então o Batman é mesmo brasileiro! C.q.d.
:)

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Gales ali tão perto

Livro - Os Meus Descobrimentos - em breve à venda ! - acompanha este blog e visita o futuro site do livro osmeusdescobrimentos.com .


Apenas a duas horas de comboio de Londres, sita a capital de um dos estados que formam o Reino Unido. Na sua designação em português, é mais do que estado, sendo mesmo um país, de Gales. Desde a gare ferroviária de Paddington, localizada na posição estratégica centro-oeste do mapeamento londrino, a partir das cinco horas da manhã circulam velozes e sofisticadas composições de locomotivas e carruagens da marca Hitachi, ao serviço da Great Western Railway (GWR), empresa à qual foi adjudicada a exploração comercial da linha que liga Londres ao País de Gales. E sim o nome desta linha, tal como o da ilha britânica e quase tudo o resto, é também Great. Mas de onde advirá esta eterna e incessante necessidade de este povo se auto-declarar grandioso em tudo? Talvez porque a ilha, em si, é de pequenas dimensões, sendo então imperativo ludibriar os demais - apenas duas vezes e meia maior do que Portugal, e já incluindo aqui a Irlanda do Norte. Mas, por esta ordem de ideias e de afirmação duma pseudo-grandeza, Portugal é também grandioso, ainda para mais, depois de ganhar o campeonato europeu de futebol, o Euro 2016. E se esta necessidade de auto-engrandecimento ainda seria vista como algo crível antes da descoberta do novo mundo, depois desse marco na humanidade, já não faz qualquer sentido, pois o grande de outrora, em área pelo menos de um ponto de vista mais objetivo, já não o é agora, num tempo civilizacional em que países como o Brasil, Canadá, México ou E.U.A. "rebentam" com a pequena Grã-Bretanha, em área.

Estação de Paddington - Londres.






















Pela linha GWR deslizava a composição, ora suave e com baixa turbulência na cabina permitindo assim desfrutar mais da paisagem, ora célere e já trepidante na carruagem de passageiros. Os bilhetes, aconselho a que os comprem antecipadamente, pois a lei do mercado tudo rege neste cantinho do mundo, não fosse o inventor do axioma da oferta e da procura, também ele britânico, o profeta capitalista Adam Smith, apologista da confiança numa mão invisível que rege a sociedade. Na internet, encontram-se bilhetes baratos, logo nos resultados cimeiros da lista do google, e ora, se os vir, agarre-os e "não deixe para amanhã o que puder fazer hoje", pois na estação de Paddington, os bilhetes serão entre 2 a 3 vezes mais caros, dependendo da hora de saída e da procura pelos bilhetes (lá vem de novo à terra o santo Adam Smith, que se manifesta em todos os aspetos económicos desta pequena grande ilha...).

Cardiff, Cardiff, no horizonte. A oeste, e quase em linha reta, de Londres, capital do Reino, ainda, Unido. Reading, Swindon, o entroncamento ferroviário para Bristol, Newport - a primeira cidade galesa que cruzei nesta viagem, e enfim, Cardiff Central.








Um velho amigo aguardava-me à chegada. E ao tempo que não via este jovem. Em adolescentes tivemos um grupo musical de hiphop, e a vida, as relações, as tropelias e trabalhos desta vida, levaram-no para outros quadrantes na Europa... até Cardiff, que parecia ser enfim um destino final para este comparsa. Munido do seu expertise local pude usufruir mais do meu tempo na capital daquele país. A passagem por Newport, cidade mais a Este, já fora de uma beleza inolvidável. Bem cedo, parti do bulício de Londres, eram oito da manhã, duma estação apinhada de profissionais aprumados, a procurarem um lugar vazio no comboio. A maioria ia sair em Reading, lugar de significativo pólo universitário (e onde é que não há boas universidades neste reino, afinal?) assim como também um importante centro de operações da National Grid (ou seja, Reading é uma espécie de Vila Franca de Xira britância, do ponto de vista logístico), e no apeadeiro seguinte encontra-se Swindon, algergue para um cluster de empresas tecnológicas que, mais distantes de Londres, beneficiam da tranquilidade bucólica que os stressados engenheiros tanto precisam para conseguirem gerir as suas equipas. Depois, e passando por uma estação chamada Bristol, mas na verdade situada ainda a dez quilómetros dela, chega-se a Newport, onde o sol, erguendo-se a a Este, se fazia refletir e dourar pelo rio Usk que se estendia por braços de mar até ao sal do Canal de Bristol no Atlântico Norte.


Newport - País de Gales.



















"Cardiff central" é a estação a escassos metros dos principais cruzamentos da cidade. De lá caminhei, tendo parado poucos minutos depois numa loja de venda de instrumentos musicais. Era inevitável! Para perscrutar os preços locais, pois a verdade é que a tecnologia musical é mais ubíqua por estes lados do globo. E em Cardiff os preços poderiam tender a ser mais em conta, do que o poço inflacionário da capital do reino.

Esta cidade, de dimensões médias, é também ela, nos tempos que correm, dominada no seu cerne por um centro comercial. O centro urbano foi requalificado dando origem a uma nova biblioteca e um manancial de galerias, que embora rodeadas por igrejas renascentistas assim como ladeando o impressionante castelo desta urbe, não deixam de ser um conjunto arquitetónico desenquadrado do todo que é a ambiência medieval e mística de Cardiff. Mas os tempos atuais são pautados pelo predomínio do comércio, capitalismo e conhecimento, que é o que econtramos na rua The Hayes. Acrescerá ainda o dissabor de que estas obras de reconstrução no centro da cidade, levadas a cabo entre 2007 e 2010, foram financiadas pela União Europeia... e agora, fundos aproveitados, brexit! Mas verdade seja dita, muito também deram para a UE, os contribuintes do Reino Unido, pois todos nós participamos nos fundos coletivos, através do IVA/VAT. 

Ao caminhar no centro, na principal rua de comércio da cidade, a The Hayes, poderá o viajante reparar na estátua de John Batchelor, um empresário e político galês do século XIX, também presidente da câmara de Cardiff por um tempo, e a quem foi atribuído o epíteto de "amigo da liberdade", devido à sua campanha contra a escravatura.


 











  



Cardiff é uma cidade média, que no seu conjunto do centro e arrabaldes, abriga 350 mil habitantes. Duma ponta à outra, vão cerca de seis quilómetros, e se imaginarmos uma cidade como um círculo, pois esta não passará de metade, pois situa-se e cresceu em meia-lua, limitada pelo mar. Se tentar estabelecer um paralelo entre esta cidade britânica e uma portuguesa, apenas para que o leitor possa mais facilmente visualizar esta cidade pelo seu tamanho, apontaria para a área urbana de Setúbal, também assente na costa e limitada pelo mar, e o rio.

Seguindo caminho das recentes galerias até ao fim da rua The Hayes, a "rua direita" de comércio de Cardiff, avistamos então à esquerda o Castelo de Cardiff, e à direita a Câmara Municipal. A extensa, quadrangular e geometricamente perfeita forma do castelo impressiona e invoca o viajante até ela. Não obstante, o conjunto de edifícios da municipality e da universidade, além de bonitos incluem nele inscrições como "Poetry and Music". Ainda muito no centro, e mesmo ao lado do castelo que serviu de base à cimeira da OTAN/NATO em 2014 (e que não teve nem metade das manifestações que se viram em Lisboa em 2010 - ler o romance "Ativistas"), encontra-se o vasto, plano e apaziguador Bute Park, e que tem de facto motivos para se convidar alguém para lá ir... "bute lá?" :) Como é apanágio nos países anglófonos desenvolvidos, os bancos de jardim são o espaço preferencial para fazer uma dedicatória oficializada a alguém perecido, o que é visível pelas imensas pequenas placas colocadas a meio do encosto do banco, onde muitos locais prestam homenagem a entes queridos. Cerceando os vislumbres que se tem da cidade a partir da estação de comboios, marca também presença o estádio municipal pelos seus elevados, curvos e portentosos arcos metálicos, deste recinto desportivo que há bem pouco tempo, em 2015, recebeu alguns dos jogos do campeonato do mundo de rugby.  





  

 


 


Pelas ruas da cidade, respirava-se a frescura marítima, enquanto se passeia por um misto de história e obras urbanas mais recentes. As placas de trânsito e com direções são bilingues, com espaço também para o galês, língua de matriz celta e praticamente indecifrável para o habitual falante e leitor de inglês. 




 





No que refere à gastronomia, o que esperar da culinária nativa britânica? Ainda que a maior gentileza, agradabilidade e singeleza de Cardiff e do País de Gales, possam ser também manifestadas na comida local, optei por, e não resisti, a sentar-me à mesa num restaurante de inspiração portuguesa (sim, e de inspiração apenas, porque a comida já estava algo cafrealizada no ecossistema local), onde me serviram um bife na pedra acompanhado de uma cerveja super bock. O Nando's das galerias de restauração Brewery Quarter estava lotado, e como tal, servi-me deste cantinho pseudo-lusitano ali ao lado. De destacar os maus modos do gerente do espaço que ao saber que sou de Lisboa, se fechou na conversa, expressão facial e se enrolou em atrasos dos pedidos para a mesa. Ainda estas infantilidades norte-sul... e talvez ainda mais presentes, fora deste retângulo à beira-mar plantado.

No final do passeio, "merenda comida, companhia desfeita", e se não eu aprecio este adágio, desta vez foi mesmo assim, rumando a Londres de volta e num bilhete mais barato, pois a procura pelas três da tarde é menor... Oh Adam Smith que estais no céu.... :) é imperativo lembrar. Bem, e no fim do dia, de regresso a metrópole londrina, pensava para comigo que com Gales ali tão perto, esta Bretanha não é assim tão grande.













Livro - Os Meus Descobrimentos - em breve à venda ! - acompanha o blog osmeusdescobrimentos.blogspot.pt e visita o site osmeusdescobrimentos.com

domingo, 6 de novembro de 2016

Em modo Contagem Decrescente...


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Guitarrada Brasileira

terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Pensas demasiado"

Quando estive a trabalhar em Moçambique, em 2011, a minha função era prestar apoio no planeamento das instalações de sistemas de energias renovável, tanto no interior do país, como na capital - Maputo. Eu trabalhava muito com o director local. E nas reflexões que eu fazia em virtude das tarefas dos projetos que era necessário implementar no terreno, ele disse-me certo dia: "João, tu pensas demasiado nas coisas." E disse-o de uma forma pejurativa para comigo. Como se pensar fosse uma perda de tempo, uma atrapalhação. Não me recordo exatamente qual a minha resposta, mas basicamente indiquei que isso era algo de positivo, e não de negativo. Em minha defesa e de tantas outras pessoas, mentes, reflexões e ideias.

E fi-lo por vários motivos: Só o questionamento permite alcançarmos sozinhos a verdade. O descobrimento é o melhor processo de aprendizagem. E tanto a razão, como a emoção e a intuição fazem parte dele. Para além do mais, questionar, ou como se diz de um modo mais erudito, cogitar é também sinal de existência. Escreveu Descartes, em Latim: "Cogito Ergo Sum". Que traduzido indica: Penso (cogito), logo existo (sou).

Pensar é um dom do ser humano. É algo que nós temos a sorte de fazer. E como tal, temos que usar isso. Se não o fazemos muito ao longo da nossa vida é porque:
i) A educação que tivemos não nos propiciou muito a questionar, refletir, e descobrir por nós mesmos, mas antes pelo contrário a ouvir, assimilar e não perguntar/duvidar, pois isso seria visto como "uma perda de tempo"...;
ii) Porque não nos é dado tempo para tal, na vida adulta, ao correr constantemente "atrás do prejuízo";
iii) Porque a sociedade muitas vezes interpreta mal e rejeita mesmo muitas vezes ideias novas e revolucionários, por muito mais avançadas e melhores que sejam. Quantos exemplos a história nos mostra: Giurdano Bruno e  Leonardo da Vinci,o primeiro morto pelas suas ideias vanguardistas e o segundo quase morto por motivos semelhantes, ou Colombo e Fernão de Magalhães, desprezados pelos governantes de Portugal, e que como tal foram antes patrocinados por Espanha.

Fica então demonstrado como comentários julgativos que atentem sobre o direito a usurfruir do máximo do seu inteleto, são desprovidos de lógica, e não acrescentam nada de positivo. As melhores empresas de hoje em dia são as que têm as melhores ideias. Porque as boas ideias compensam, tanto na vida pessoal, como nos negócios também. Quem teve a ideia da Google comprar o Blogger? Alguém sentiu a epifania. E melhor, quem teve a ideia de criar o Blogger no qual escrevo agora, e você lê? São resultado de processos de cogitar, questionar, refletir, idealizar. E claro, depois agir/implementar/concretizar.

Bem, comigo, a reflexão continua, e segue pela vida fora. Entrosei-me nela desde miúdo, e espero refletir sempre e para sempre. Não abdico, pois é sinal que estou vivo, e de acordo com os meus valores, pensamentos e descobrimentos também.





















Poema "O Mundo"

Quando viajei por ele
inebriei-me por tudo.
As pessoas, lugares, paisagens,
línguas e músicas do mundo.

No regresso muito estava igual,
Mas eu vira algo.
E assim o mundo encolheu,
e de rompante agigantou-se para mim.

Um mundo humano, de afectos, histórias e personagens.
Tão diferentes quanto iguais.
Pois estamos todos sob o mesmo tecto, a mesma natureza,
E as mesmas crenças, ou quase as mesmas...

No fundo, a vida é o que quisermos,
E também o que fizermos.
Ou melhor mesmo:
A vida é o que dela quisermos fazer.




















Apresentação da Volta ao Mundo - Parte I

Apresentação da Volta ao Mundo - Parte I - João Aguiar (Padrão dos Descobrimentos, Lisboa, Portugal)



sábado, 23 de julho de 2016

Trailer do Documentário "Os Meus Descobrimentos"



Brevemente sai o o Livro com acesso exclusivo ao Documentário e o Podcast !!!


www.youtube.com/heinzaguiar
osmeusdescobrimentos.blogspot.pt
portugueseriderscrew.blogspot.pt

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Livro na Biblioteca de Viagens

Ver na página 12, se faz favor... :)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Apresentação do Livro - Trecho Sonoro

E-book do colectivo Portuguese Riders Crew

Este foi em equipa. Lancei o mote e imprimi o livro. Em edição de autor, portanto, e entretanto já esgotada. Mas está nas bibliotecas. E o livro está também aqui no blog em formato online. Boas leituras ;)

Apresentação do Livro de Grupo

Este foi em equipa. Lancei o mote e imprimi o livro.
Em edição de autor, portanto.
Entretanto já esgotada.
Mas está em algumas bibliotecas. Podes perguntar-me aqui que te indico onde.
E o livro está também aqui no blog em formato online!


quinta-feira, 14 de abril de 2016

PROIBIÇÃO DO MMA! ISSO NÃO É DESPORTO!

Excelentíssimos(as) Senhores(as) Deputados(as),

Venho por este meio até Vossas Excelências, solicitar que seja debatida a ocorrência de inúmeros combates e o treino de praticantes para a modalidade "Mixed Martial Arts" em Língua Inglesa, mais conhecida pelo acrónimo MMA, e que em Língua Portuguesa, é também conhecida como "Vale Tudo". Ora apenas pelo nome em Português, já será possível depreender a violência que está subjacente a esta prática.

Como os Ex.mos(as) Deputados(as) saberão, há poucos dias atrás um jovem português faleceu na República da Irlanda, na sequência de um combate deste tipo, tal como poderão constatar pelo artigo noticiado em:
[1] http://www.dnoticias.pt/actualidade/desporto/580587-lutador-portugues-de-mma-morre-apos-combate-na-irlanda

Mais grave ainda é que vários canais televisivos nacionais transmitam despudoradamente estas práticas desumanas em que cujo objetivo, é muitas vezes espancar o adversário até um estado de quase-morte. E foi esse o caso deste jovem português que faleceu poucos dia depois num hospital irlandês, tão graves que foram os traumatismos cranianos que lhe foram infligidos. Neste momento, a polícia local já investiga o ocorrido.

A Sport TV emitia estes combates "MMA" / "Vale Tudo" até há poucos meses atrás, e agora a Benfica TV passa recorrentemente os combates de MMA da liga UFC na sua emissão, como se pode ver em:
[2] https://www.facebook.com/BTVcanal
[3] https://www.facebook.com/BTVcanal/videos/vb.877177535650566/1181088135259503/?type=2&theater

Por estar convicto de que é um imperativo defender a proibição destes combates "MMA" em Portugal, venho por este meio com todo o respeito por vós, sugerir e pedir que Vossas Excelências agilizem os meios possíveis na Assembleia da República para evitar estes atentados à dignidade humana em solo nacional, realizando:
- um debate parlamentar;
- ou propondo um decreto de lei;
- ou averiguando em sessões de inquérito junto das associações que defendem e apregoam esta prática.

Infelizmente, e talvez fruto do desemprego jovem e de baixos níveis de auto-estima nas franjas mais jovens da nossa população, principalmente residente nas periferias dos centros urbanos, mas não só obviamente, esta prática tem-se difundido bastante por entre a população jovem e adolescente pela via, inconsequente claro, de que ali veem para se afirmarem. E esta prática pode estar à beira de se tornar um cancro social nas camadas mais jovens dos bairros periféricos dos centros urbanos nacionais, que vendo-se numa situação de desocupação académica e/ou laboral, assim como muitas vezes usando esta luta como um recurso de auto-defesa ou ataque em situações de conflitos, usam estas práticas violentas e atentatórias da dignidade e da integridade humana.

De novo, há poucos dias faleceu um jovem Português de apenas 28 anos, na sequência de uma luta. E este não é caso único infelizmente.

Este tipo de combates violentíssimos degrada o ser humano e junta ao redor de um círculo com redes e em torno das TVs/PCs do nosso país, indivíduos que assistem a duas pessoas esmurrarem-se até estarem prontas para ir para o hospital, onde dias depois acabam por morrer. Desde 2012 que estas lutas ocorrem e desde então já cinco praticantes morreram tamanha é a violência desta prática. Os lutadores usam luvas, quando e se as usarem, mas que são muito menos espessas e não há proteções para a cabeça sequer. Os árbitros como já se terá depreendido limitam-se a nada fazer até verem alguém prostrado no chão do ringue sem os sentidos, e já em estado cianótico. Os comentadores e televisões que transmitem este circo, limitam-se a viver desta luta abjeta e estúpida. São claro incitadores da violência, ódio e sujam a humanidade, sendo também cúmplices desta violência gratuita. É injustificável que tais desportos sejam permitidos, e é atentatório da dignidade humana em Portugal, e como tal desrespeitador da Constituição da República Portuguesa.

O ódio gera ódio, e tem consequências graves na dignidade do ser humano. Agradeço a intervenção de Vossas Excelências Deputados(as), junto do Benfica TV, assim como de outras entidades que promovam e incitem à violência por parte desta prática desumana, para regular estes conteúdos violentíssimos e que com certeza impressionam e mal-educam a vasta maioria da população, e em especial os públicos mais sensíveis.

Claro que me surpreende também como é que as nossas autoridades permitem que isto aconteça!
MMA NÃO É DESPORTO e não deve ser transmitido! É injustificável que tais desportos sejam permitidos, e é atentatório da dignidade humana em Portugal, e como tal desrespeitador da Constituição da República Portuguesa.

Devemos claro expressar, a nossa solidariedade para com a família e amigos do jovem português, mas também deixar o alerta para que doravante, se reflita sobre a impertinência e desumanidade deste tipo de combate "MMA", e que se o proíba já, pois isso não é desporto.

Concluo afirmando que urge a proibição do "MMA", pois isso não é desporto!


Com os meus melhores cumprimentos e votos para continuação de bom trabalho,

João Aguiar

Membro Efectivo da Ordem dos Engenheiros

quarta-feira, 13 de abril de 2016

"Os Meus Descobrimentos" Trailer

"Os Meus Descobrimentos" Trailer


Brevemente sai o Documentário completo!!!

www.youtube.com/heinzaguiar
osmeusdescobrimentos.blogspot.pt
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sábado, 5 de dezembro de 2015

No papel de DJ

RADIO MIX | João Aguiar | Chill Out, World, Hip-Hop









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terça-feira, 24 de novembro de 2015

RÁDIO - NOVIDADES - Número 1

RÁDIO - NOVIDADES - João Aguiar - Música+Sociedade - Número 1 
- ROOTS MANUVA, LIBERDADES CIVIS NA UE, TALIB KWELI








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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

De Portugal à Escócia em Carro

“O sonho comanda a vida”
Frase do poema Pedra Filosofal de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho.


Num dia decisivo para o futuro político de Portugal, 4 de outubro de 2015, fui votar cinco minutos depois de as urnas abrirem. Tanta questão fiz em exercer o meu direito pois não suportava o governo de coligação que lá estava. Armado em primeiro e melhor eleitor do bairro e arredores, pelas oito e quinze da manhã já votara e estava então no meu carro Skoda Fabia pela estrada fora até à Escócia. Pela frente, aguardavam-me dois mil e oitocentos quilómetros e quase quarenta horas seguidas de condução. Apesar da chuva que se atravessou no caminho e do nevoeiro que encontrei nos montes de Portugal e de Espanha, ia conduzindo com sucesso. A1, A23 e A25 com as suas complicadas portagens automáticas para quem não tem "via verde", Vilar Formoso, Salamanca, Burgos e a região basca, esta última onde a geografia tanto exaure o condutor, não obstante o esplendor natural da paisagem. De repente já estava no sul de França por onde se respirava tranquilidade e melhor clima metereológico e político. Às tantas detinha-me no facto de alguns dos sinais de trânsito estarem tapados com plástico escuro como se estivessem por estrear. Primeiro pensei ser uma brincadeira para contrariar os limites de velocidade mas depois ganhou consistência a tese de que seria devido a obras recentes na via. O sol punha-se quando cruzava esta terra e a restante França, atravessei-a com um firmamento estrelado por cima de mim. Auto-estradas grandes e bem definidas mas despidas de viaturas, tirando alguns camiões. Por vezes alguns carros colavam-se no meu encalço talvez para sermos vários na escuridão, não fosse o diabo tecê-las. Tudo isto me parecia tão animalesco e natural quanto os cardumes de peixes que se juntam uns aos outros no oceano para melhor sobreviverem, ou os pequenos que se encobrem nas caudas ou dorso dos tubarões e baleias. Os camiões e os carros que por vezes via junto a eles assemelhavam-se. Bem, somos animais e não há como escapar por vezes. Para me manter acordado pela madrugada fora liguei os ventiladores no máximo com frio e direcionados para a cara. A rádio estava com volume elevado e a passar notícias, o mais poli-tónica possível, e claro, ia parando nas estações de serviço ou "aire" em Francês para tomar café ou o mais semelhante que eles lá tivessem. A última localidade por onde passei antes da aurora despontar foi Rouen, um conjunto de sarilhos por não ter radial e a auto-estrada desembocar no centro da vila. De lá deriva a seguinte auto-estrada por onde tinha que seguir, até Callais. Numa estação de serviço parei para perguntar direções e de novo tomei café. Aí encaminharam-me de volta à estrada por onde já seguia, e estava certo portanto! Cerca de 300km depois, já imerso na Alta Normandia, os primeiros raios de luz banhavam o asfalto e podia deslindar na paisagem várias turbinas eólicas a girar. Alguns quilómetros adiante, logo depois de uma curva, avistei um grupo de cerca de vinte refugiados na berma da auto-estrada e a pedirem boleia, calculei eu. Talvez fossem também cruzar a estrada para ficarem mais perto de um ponto de acesso escondido ao túnel do comboio. Mas a surpresa, a velocidade da viatura e a impossibilidade de voltar para trás não me permitiram dar-lhes transporte. Isso poderia trazer-me problemas na fronteira também. Sim porque ela ainda existe em plena União Europeia e ainda para mais, quando ela já está claramente definida pela natureza. Uma ilha já tem fronteiras que cheguem!


Callais. Coquelles. Euro-túnel. A bilheteira. Uma nota preta para ter um título flexível pois viajava sem regresso marcado. A alfândega francesa. Tudo OK. Fila para a do Reino Unido e quando chegou a minha vez vieram as perguntas desagradáveis. Entre o funcionário que estava à janela de um posto parecido com o de uma portagem normal, e o vidro desse pequeno cubículo emergiu de um modo pernicioso e repentino um autêntico beef tingido de amarelo no seu cabelo e munido da tal arrogância que os carateriza, não sendo contudo essa a verdade geral, mas este funcionário alfandegário encaixava-se demasiado bem nesse estereótipo. What do you carry in the back? Who are you driving with? Is this your car? When did you buy it? How old are you? What are you going to do in the UK? Are you a musician? Já não podia mais com tanta impertinência, arrogância e desadequação conjunta. Esta besta interpôs-se no trabalho do seu colega para realizar isto? A menos que fosse o jogo da “besta” boa e da “besta” má, pois foi o que pareceu. Por trás desta viagem está um sonho de estudar música e áudio no Reino Unido, por lá existir uma boa oferta de cursos nesta área. Se bem que isso era mais verdade há uns quinze anos atrás. Hoje em dia, em muitos aspetos Portugal ou o ensino à distância têm muitas soluções nesta área. Contudo, um curso acessível ia começar nesse dia, segunda-feira ao fim do dia em Glasgow. A inscrição já tinha sido tratada há dias atrás e só faltava mesmo eu estar lá. Para aproveitar mais o tempo em que lá estava, levava comigo um conjunto de instrumentos para música eletrónica: máquinas de ritmos, sintetizadores, a guitarra e vários discos de vinyl. Com o inquérito para trás e uma raiva desmedida por aquele país estar fora por opção própria, e excessiva, do espaço Shengen, a estrada aguardava-me até onde quisesse ir. Pelas nove da manhã parei para trocar euros por libras e respirar fundo antes de me aventurar mais na condução à esquerda. A propósito, cuja dificuldade é um mito, alimentado pelas autoridades locais que insistem nisto para complicar e diferenciar o seu território e modo de viver dos demais povos europeus. Todos somos iguais contudo e esta não é mais do que uma bem visível face da política, orgulho e da arrogância que carateriza as terras de sua majestade. Há gente boa claro contudo, e tive a felicidade de conhecer pessoas impecáveis por lá. Agora as medidas políticas e o sentimento maioritário no povo são demasiado chauvinistas e incomodativos para com os visitantes.


Ementa de Sobremesas da cadeia de restaurantes Nando's, com inspiração em Portugal.

Pé na estrada pela M20 fora, de Dover até aos subúrbios de Londres onde me iria cruzar com a M25, circular externa da metrópole europeia que hoje alberga quase dez milhões de pessoas e de onde derivam várias estradas para os restantes cantos do país. Ao início da entrada em solo britânico, as torrentes de camiões, a maioria de matrícula estrangeira, já impunham respeito, mas ao entrar na radial, a chusma de carros que se juntaram a mim começava a ser e tornou-se mesmo avassaladora. Não sei se por não ter dormido ou se por ser simplesmente aquela uma situação ridícula, estúpida e incompreensível mas fiquei preso no trânsito desde as onze da manhã de uma segunda-feira até às três da tarde, na radial da maior cidade europeia hoje em dia. E fazerem uma nova estrada? Ou aumentarem, ainda mais, o número de faixas. Assim desconstruia o mito de que todos os britânicos entram muito cedinho no emprego e fazem tudo bem e by the book. Errado! Àquela hora não era possível que fosse diferente. Enquanto o tempo passava e os meus olhos pestanejavam com cada vez mais peso e morosidade, ia também ouvindo o vasto conjunto de boas rádios que pululam o espetro radiofónico local. A Rinse e as suas sessões de grime, rap e dubstep, assim como outras semelhantes que descobri. E só este pequeno detalhe já fazia o meu dia e valer a pena estar ali a viver aquela experiência traumática do trânsito em Londres. Duas horas depois de estar literalmente bloqueado na estrada, optei por uma saída desconhecida, que levava a um centro comercial, ou antes uma área de serviço gigante. O mais interessante é que de lá não poda ir para mais qualquer outro lado pois não havia saída simplesmente! Aquele lugar era contudo nos subúrbios de Londres. Um atalho mais curto ou um caminho sem aquela avalanche de motores estava fora de questão. Só me restava parar, sair, esticar as pernas, e porque já era hora de almoço, comer algo. A comida já se apresentava de má qualidade e pouco mais me restava escolher do que o KFC. Fast-food, fast-food, fast-food. O que mais estava à mão de semear naquele país. Se bem que cada vez mais a cultura gastronómica se compõe de culinárias do mundo o que é divinal claro, mas isso sai sempre caro ao cliente, ainda para mais em Londres onde o custo de vida é inflacionado a cada dia que passa tamanho é o aumento da procura numa urbe onde a oferta de serviços se mantém. A única explicação que encontrei para aquele bloqueio seria o decorrer dos campeonatos de râguebi ali perto de onde me encontrava, percebi em conversa com uma senhora inglesa também ela bloqueada no parque de estacionamento e dentro do seu carro. Pelas 15H estava de novo a circular pela M25 e a entrar na M6, auto-estrada que me levou até ao destino. Não havia que enganar, ou “can't miss it” como dita a user-friendship daquelas bandas, e ainda bem que assim é! O crepúsculo chegou para encobrir a paisagem quando estava a vadear Manchester. Quando cheguei à Escócia já era noite cerrada, e a Glasgow era já onze. Bolas, e a primeira aula já tinha acabado. Fiz o melhor que pude, e podia culpar os ingleses por isso, que foi algo que os escoceses adoraram ouvir!

O curso de música, um sonho, o meu carro, um hotel perto da escola, o frio a chegar, eu instalado naquele quarto que tinha criteriosamente escolhido por telefone antes de ir, voltado a sul com luz e espaçoso, o staff simpático, a vibe musical de Glasgow, a sua familiaridade, e o tamanho razoável para nela habitar e comutar. O metro circular duma cidade algo que não vira antes, matar as saudades da gastronomia portuguesa na cadeia de restaurantes Nando's, o distanciamento tipicamente nórdico dos locais, o bairro onde fiquei, Ibrox, por alguns locais reputado como um subúrbio algo estranho, pois era habitado por muito imigrantes. O hotel que albergava refugiados calculo eu que estivessem a ser integrados na sociedade pelo governo local. O estádio dos Rangers que estava a duzentos metros do hotel e que impunha respeito assim como as suas claques que em dia de jogo espalhavam autocolantes, queimavam caixotes do lixo e obrigavam uma parte do comércio a fechar mais cedo. E o carro cansado da viagem mas agora bem resguardado com um lugar no parque privativo do hotel. Todas estas foram impressões enquanto lá estive. As cinco semanas da minha estadia passaram depressa. Por vezes atingia-me a desrealização do porquê de tudo aquilo. A música, a viagem, o sonho. E ia funcionando, aos poucos. Eu ia explorando as caixas de ritmos que levava comigo e criando batidas, inspirado nos mestres brasileiros, e carregava as canções na internet para partilhar, apenas porque sim. Era o meu sonho. www.soundcloud.com/joaocarlos1

O alojamento estava a tornar-se caro mas os contratos de arrendamento exigem a duração mínima de seis meses o que era inadequado ao que pretendia. Para ter locais a tentar dirimir esta questão aconselhei-me junto da instituição de ensino para juntos encontrarmos solução, sendo que o que sucedeu foi um e-mail enviado para todos os alunos por uma secretária do diretor a perguntar se alguém poderia ceder um sofá até Dezembro a um estudante, para evitar que ele dormisse num parque de estacionamento. Ridículo, jocoso e muito pouco profissional. O ensino era bom, mas as instalações não, e esta fora a gota de água. Como tal, por já ter aprendido bastante para estar satisfeito, ainda para mais depois de um fim-de-semana em Londres num curso intensivo de Ableton Live para DJs, e por não ter pagar mais do que a primeira mensalidade, o destino impelia-me para sul. Quando chegasse ia redigir uma carta de reclamação. A chuva apoderava-se de Glasgow, depois de a ela ter trazido sol, segundo me diziam, pois outubro fora bastante equilibrado em dias estivais e temperaturas tépidas. Com dois dos estudantes combinei ir tocar para a rua, que é um hábito no centro da cidade de Glasgow, e assim foi. Em duas horas, duas libras. Nada mau! Mas o frio já se fazia sentir na Buchanan Street, e Portugal aguardava-me, agora com novos ensinamentos, paisagens vistas, pessoas cruzadas e experiências vividas.

Lisboa chama-me mas a viagem agora será com uma paragem pelo meio.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Trevo de Cinco Estrelas

Crónica de Viagem

Já do espaço aéreo se avista o verde. E isso será o que mais se vê nesta ilha. Verde, verde, verde. E diga-se que há também mais esperança por lá do que por cá mas isso fica para outra crónica. A capital Dublin, batizada com o seu nome original celta como “Dublinia”, tem a dimensão perfeita. Não demasiado grande, com cerca de meio milhão de habitantes e com bons acessos, pouco tráfego e o aeroporto a cerca de 20-30 minutos do centro de autocarro. Surpreenda-se quem esperar que lá haverá metro. Não, ou melhor, sim há mas é de superfície. O "tram" ou LUAS como é chamado. A vida no centro da cidade oscila bastante em torno da Dame Street, que está para a capital da Irlanda, assim como a Rua Augusta está para Lisboa. Muito tráfego de carros, pessoas e bicicletas também, tanto das simples, como das mais recentes versões de "tuk-tuk" a pedais. Mesmo ao lado da Dame Street, recomenda-se a incursão pelo bairro do Temple Bar adentro. E o Temple Bar não é na sua origem um Bar, ao contrário do que alguns tentarão apregoar a troco do lucro dos seus estabelecimentos. Temple Bar é sim uma antiga via de comunicação que foi aberta ao longo do Rio Liffey, e em torno da qual, vários negócios se foram instalando com o passar das décadas e séculos. A palavra Bar no inglês mais arcaico tem o significado também de viela, correnteza, caminho. Recomenda-se a passagem por esta área, que é obrigatória mesmo!

No final da Dame Street, no lado oposto ao Trinity College, encontra o mais famoso “fish&chips” da Irlanda. É ultra-pequeno, informal, mas é tão aclamado e famigerado que à sua entrada há uma tabuleta com todas as celebridades que já lá foram partilhar o pouco oxigénio ali existente no meio de tamanho festim da fritura! A comida é boa, mas para nós portugueses habituados à nossa gastronomia, poderá saber a pouco, e a óleo também. Mas isso fará parte do "fish" e das "chips". Para explorar toda esta área que inclui também o Castelo, recomendo as “Free Street Tours”, que começam junto ao antigo edifício da câmara municipal e junto ao teatro. No final haverá uma "chantagenzinha" "suave” para pedir um donativo, mas será bastante razoável dizer que o pagamento de algo ente 5 ou 10 euros por pessoa é merecido. Em Dublin respira-se história. A cidade foi palco de importantes revoluções como por exemplo a Republicana, liderada por Michael Collins, o IRA e o Sein Feinn. A visita à prisão Kilmainham Gaol é um tempo bem despendido para melhor entender as lutas do passado que levaram à libertação deste povo do jugo britânico.

Os evidentes e repetitivos sinais da ocupação da coroa britânica no norte da ilha. 
Desnecessário...

Fora da capital há varias atrações. Um carro alugado, boleia ou bicicleta são hipóteses a considerar mas chegar a alguns dos sítios com uma visita programada de autocarro, para quem estiver com pouco tempo, é igualmente uma boa forma de ir. E os autocarros partem da Dame Street, para nossa surpresa! Muito gravita em torno de lá. A rede viária na ilha é muito boa, se bem que algumas estradas junto à costa ou em zonas mais recônditas poderão ser muito estreitas. Uma das principais atrações da ilha está na ponta norte, a Calçada do Gigante, e a coroa britânica não guardou isto para eles por acaso, parece-me! Trata-se de uma formação geológica muito antiga que originou um conjunto de prismas hexagonais de várias dimensões. Reza contudo a lenda que havia ali um gigante por perto, e no outro lado do canal que separa a ilha da Escócia, outro monstro semelhante. Certo dia, o gigante Irlandês caminhou sobre a calçada para ir falar com o seu homólogo escocês, e lá chegando desgarrou-o para um desafio em solo seu, claro. Esperto! Ao retornar a casa, o gigante irlandês confessou à sua mulher o sucedido, pelo que ela preocupadíssima, decidiu dissuadí-lo dessa briga. Como tal, combinou que assim que o gigante da outra margem batesse à porta iria informar que ali não estaria mais ninguém e disfarçá-lo só para jogar pelo seguro. Assim foi: “Truz-truz”, e ela abriu e falou, ao que o gigante retorquiu “Gostaria de falar com o seu marido.” “Mas aqui não está mais ninguém, só o meu bebé”. Contudo o gigante quis vê-lo. Azar dos diabos para o escocês, o gigante da Irlanda estava disfarçado de bebé, ocupando um enorme espaço do quarto. “Mas que grande bebé aí tem minha senhora” afirmou, e logo depois ele retornou à sua Escócia. Assim reza a lenda... embora não abone muito a favor dos irlandeses. Nesta ponta da ilha vale também a pena espreitar Carrick-a-rede, atravessando a ponte de cordas, se bem que haverá muita gente para fazer esta experiência que é encarada como um desafio físico ao ar-livre, por todos literalmente, desde os miúdos até aos mais idosos. As paisagens claro são bonitas, resplandecentes nos seus tons vivos de verde, e abismais e dramáticas nas suas acentuadas falésias de pedra escura. Também na Irlanda do Norte, a paragem em Belfast justifica-se pois a história de conflitos, tensões e escaramuças é ainda sentida. Desde as bandeiras, ou a omnipresença ou o excesso delas, da Union Jack, penduradas nas janelas apenas porque sim, para afirmar a ocupação, até aos extensos e coloridos murais políticos que podem ser vistos numa zona protestante, que aludindo à paz universal, aos líderes mundiais, aos presos políticos da República da Irlanda e de outros, como por exemplo da ETA, são um conjunto significativo de arte visível para toda a cidade. Mas cuidado, se vão numa visita programada de autocarro, devem estar atentos às horas pois ainda são necessários 20 ou 30 minutos para chegar a pé até este lugar desde o centro, ou da Câmara da Cidade até lá. O táxi é outra hipótese também claro. O museu em honra do Titanic é também uma possibilidade mas fica bastante fora de mão do centro, deverá contudo valer a pena.

À exceção das cidades, dos pontos turísticos e outros legados patrimoniais, esta ilha de cinco milhões de habitantes é na sua essência paisagem. São uma imagem de marca da ilha, tanto na Irlanda, República, assim como na Irlanda do Norte, que por ser bastante plana e por lá abundarem lendas celtas e visigodas, por vezes nos dá a impressão ser na sua essência isso: um enorme planalto verde de trevos de quatro folhas, por entre os quais saltitam seres fantásticos como duendes “lepreachons”, reis, rainhas e espadachins imortais. Nas pontas mais a sul e a oeste, encontram paisagens admiráveis junto a Galway, como nos famigerados Cliffs of Moher, mas que apenas aconselho em dias limpos, em que poderá "inclusive" ver estas falésias do mar em barco. Mas fora destas condições deve pensar-se duas vezes. Em Maio e Junho há mais dias de sol e menos precipitação em toda a ilha pelo que é uma boa opção. Perto de Galway também há um pequeno tesouro guardado sob a forma de vila piscatória. E chama-se Kinvarra. A Ericeira da Irlanda, mas sem uma praia... tão boa pelo menos, claro. Não obstante vale claro a pena, para rever o nosso oceano assim como o braço de água que reentra pela pantanosa doca dos barcos adentro, ladeado por um singelo e apreciável castelo.

Em termos de infra-estruturas e organização dos serviços de apoio ao turista, as duas Irlandas estão muito bem organizadas. Ainda quanto à capital Dublin, as “hop-on hop-off tours” continuam a ser uma valia, apesar do risco associado a ir no piso superior ao ar-livre e de repente começar a chover. E a cultura é omnipresente. As encantadoras e singelas canções celtas assim como a literatura são ubíquas por estas terras. Nota final para o país dos trevos: 5 estrelas. Boa viagem!

Crónica de viagens também publicada no blog do coletivo Portuguese Riders Crew http://portugueseriderscrew.blogspot.pt