Novo trecho no mapa: Munique - Amsterdão
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Dia 28 de Junho, domingo, parti às 8h20 da Hauptbanhof de München, troquei de comboio em Hannover, passámos a fronteira e já em terras holandesas, em Hilversum, troquei de novo de comboio, e depois sim, até Amsterdam Centraal . Algumas histórias nesta viagem.. a publicar brevemente no blog!
http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com
domingo, 28 de junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Vídeos de Moçambique
Carreteando em Moçambique from João Aguiar on Vimeo.
Na estrada nacional nº1 de moçambique rumo a INHAMBANE! Por la carretera....! Março 2008
Vilankulos islands from João Aguiar on Vimeo.
Lindas ilhas na costa moçambicana. Março 2008
Albergue da Massaca - Moçambique from João Aguiar on Vimeo.
Video recorded in the orphanage "Casa do Gaiato", in the outskirts of Maputo - Massaca, Boane, Moçambique. Março 2008
Maputo, Moçambique from João Aguiar on Vimeo.
no topo das torres perto da escola portuguesa de maputo, com o primo mweti e seu amigo faruke. gandas malucos! ahahah . Março 2008
terça-feira, 23 de junho de 2009
De volta ao velho continente
München, Deutschland
22 Junho 2009
18h
De volta ao velho continente
Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar.
Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi
para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra,
achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e
para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar
o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte
de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades
devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda
aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum..
vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa
de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir".
Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir
da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano
Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo,
e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir.
Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo
que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias,
sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!
Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado
deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa.
O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da
British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como
tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever.
Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa
e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos
como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase
10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui
o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .
Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade,
mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde,
grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo
os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas
vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja
da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas
para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério
e bem feitas.
Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha",
como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano
no reino unido seja diferente do português.
Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes,
cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de
voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram.
Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin,
recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue
(mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..),
ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto
de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.
Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas,
senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei
ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães.
Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar
o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar
arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido!
Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios
assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação.
Será que sou eu que estava em viagem h´+a muito tempo por África e América latina, onde
o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não.
Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber.
Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos,
fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada,
que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil.
Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor,
pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante,
estrangeiras.
Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa
da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província
de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi!
Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem
para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local
ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e
para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de
comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora
a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas
onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço
da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos
a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores
locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei
no minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões
que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de
estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida.
Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais.
Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico.
Valentin, um jovem músico russo, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram
ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar.
Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã
na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas
da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco
mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de
Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin.
São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.
Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que
a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar,
e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina,
no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. DEsta vez fiquei numa bomba
ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária.
Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela que estava meio que no sítio errado,
ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km,
já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia.
Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios
mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios
e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo
a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas
são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim
frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.
Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC.
Bom rever os amigos. Amigos e Família.
Um Abraço
De volta ao velho continente
München, Deutschland
Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar. Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra, achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum.. vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir". Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano

Trajetória Tokyo - Londres. Vista aérea da Sibéria.
Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo, e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir. Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias, sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!
Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa. O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever. Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase 10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .
Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade, mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde, grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério e bem feitas.

Londres. Na porta da casa do Andrade.
Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha", como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano no reino unido seja diferente do português. Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes, cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram. Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin, recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue (mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..), ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.
Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas, senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães. Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido! Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação. Será que sou eu que estava em viagem há muito tempo por África e América latina, onde o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não. Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber. Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos, fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada, que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil. Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor, pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante, estrangeiras.

Em Berlin - Unter der Linden e no Muro.
Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi! Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei na minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida. Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais. Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico. Valentin, um jovem russo músico de ska, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar. Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin. São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.
Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar, e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina, no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. Desta vez fiquei numa bomba ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária. Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela vim que tinha ido parar ao sítio errado, ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km, já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia. Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.
Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC. Bom rever os amigos. Amigos e Família.

Com o Mestre PEC e Seixas em Munique.
Música: Milton Banana Trio - Linha de Passe (Brasil)
Filme: Tsotsi (África do Sul)
Livro: Big Sur - Jack Kerouac (E.U.A.)
Um Abraço
Do Japão entrei num avião direto a Londres. Foi um trans-siberiano mas pelo ar. Pah, melhor que nada! Estava a pensar ir por terra, mas com as dificuldades que vi para conseguir os vistos chinês e russo, e o preço que custaria essa travessia por terra, achei melhor deixar para outra altura. Quando começei a planear o trans-siberiano estava na Austrália, e para tirar o visto para a Rússia a opção mais viável que tinha, era enviar o passaporte para Portugal, ser emitido lá o visto e depois receber o passaporte de novo na australia... enfim, sem comentários. E o visto chinês também estava a colocar dificuldades devido à gripe suína (esse big brother ou "triunfo dos porcos" ;) ... que anda aí mas ninguém vê.. olha a vacina para isso é mastigar gengibre todos os dias em jejum.. vão ver se não evitam a gripe e se a tiverem, a ver se nao curam! ahahahah.. conversa de velho!) por isso pensei para comigo.. "se não me querem lá, também não quero ir". Foram pois vários fatores e sinais ao meu redor que me fizeram desistir da travessia da ásia por terra:
- dificuldades em conseguir os vistos
- preços elevados que as agências ofereciam para a viagem de comboio
- vontade de chegar a Portugal a meio de Agosto, o que ficaria mais em risco com o trans-siberiano
- planeamento muito tardio do trans-siberiano
Trajetória Tokyo - Londres. Vista aérea da Sibéria.
Bom e foi melhor assim. Muitas vezes uma pessoa sente que não deve fazer algo, e nem sabe bem explicar porquê, pois no momento de decidir senti que não devia ir. Poucos dias depois, em conversa com um jovem viajante austríaco ficava sabendo que com planeamento e comprando os bilhetes diratemente às empresas ferroviárias, sem agências de viagens conseguia essa viagem por um quarto do preço!
Pois bem. Depois de três alucinantes semanas, cheias de luzes de neon coloridas a piscar por todo o lado deixava o Japão. O destino final - Berlin, de volta à Europa. O preço mais barato oferecido pelo motor de pesquisa de voôs é da British Airways e iria fazer escala em Londres. Consegui uma escala de 24 horas,e como tenho amigos por lá e assim foi uma boa oportunidade de os rever. Senhor Tiago Andrade a.k.a. Bito recebeu-me em sua casa e inteirou-me do seu trabalho musical. Já fizémos festas e programas de rádios juntos como DJs, sempre fomos acompanhado os percursos artísticos um do outro já desde há quase 10 anos atrás, e foi bom ver como a sua arte musical está amadurecida. Podes ver aqui o seu trabalho www.myspace.com/tiagoandrade .
Fiquei muito pouco tempo em Londres, não posso se quer dizer que visitei a cidade, mas surpreendeu-me muito pela quantidade de espaços verdes. Uma cidade esparsa, verde, grande e organizada. Havia visitado com os meus pais há vários anos e só vendo os locais turísticos e ficando no centro não nos inteiramos de como as pessoas vivem, e desta pequena estadia de 24 horas em Londres pude ver um pouco que seja da qualidade de vida que a cidade oferece em termos de espaços verdes, infra-estruturas para bicicletas, bom transporte público.. enfim.. é o U.K. e lá as coisas são a sério e bem feitas.
Londres. Na porta da casa do Andrade.
Ao aterrar na Europa já estava de volta ao velho continente, mas o "síndrome da ilha", como lhe chamo (também presente no japão), contribui para que o quotidiano no reino unido seja diferente do português. Uma moeda diferente, condução à esquerda, tomadas elétricas diferentes, cadeias de lojas inexistentes em portugal, entre outros aspetos. Contudo, depois de voar do aeroporto de Heathrow em Londres até Berlin, aí estes elementos desvaneceram. Até estranhei quando, ao comprar um bilhete de autocarro para o centro de Berlin, recebi o troco em modeas de Euro. Moedas estas que já não via há um ano e meio. Chegado ao albergue (mega barato! 5€ por noite... mas foi preciso procurar bem e regatear um pouco..), ao ligar as tomadas de volta aos pinos europeus (exceto u.k.) fez-me de novo sentir mais perto de casa, e na verdade já não tenho grandes barreiras naturais pela frente até chegar a Portugal.
Berlin, uma cidade de história, de contrastes, esotérica, inovadora e barata. Conheci as áeras históricas, senti a diferença entre berlin de este de oeste, avistei arte nas ruas do centro da cidade, caminhei ao longo dos restos do muro de berlin, e experiencei também a frieza e má-educação dos alemães. Começa a história quando no aeroporto me dirigo ao balcão de informações para saber onde pegar o autocarro para o centro da cidade. Com uma explicação rápida, incompleta e num tom de voz e olhar arrogante me despacha o senhor das informações. Nem sequer havia gente à espera para ser atendido! Qual é a cena? Enfim, foi só uma introdução. Desde que cheguei à Alemanha já aconteceram mais episódios assim em que nos querem despachar, mal-tratar, com frieza e má-educação. Será que sou eu que estava em viagem há muito tempo por África e América latina, onde o calor humano é enorme? Talvez, mas em Portugal as coisas não são assim não. Um canto da europa com muita gentileza e capacidade de bem-receber. Os portugueses são um povo mestiçado, feito um pouco por povos do norte da europa, romanos, fenícios, mouros do norte da europa, negros sub-sarianos, judeus, ciganos, enfim, uma misturada, que hoje em dia segue, com a entrada de imigrantes das ex-colónias, do leste europeu e brasil. Creio que estes fatores fazem dos portugueses um povo que sabe receber com bastante calor, pois no fundo sabemos um pouco das nossas raízes, em algum ponto da nossa genealogia não muito distante, estrangeiras.
Em Berlin - Unter der Linden e no Muro.
Em Berlin fiquei por 4 dias, até que chegou dia 20 de Junho, sábado, em que me preparava para uma nova etapa da volta ao mundo. Ir de boleia até ao sul do país - Munique, na Bavária (eles aqui dizem München, na província de Bayern). Na noite anteriro havia pesquisado no www.hitchwiki.org quais as melhores opções e que mega ajuda foi! Eram 6h30 quando acordei e rumei à estação de comboios Friedrisch Strasse, onde entrei no trem para Michendorf, localizado na ponta Sudoeste da grande berlin, a cerca de 40 minutos do centro, e local ideal para conseguir boleia para fora de Berlin. Várias auto-estradas se cruzam perto de Michendorf, e para além disso existe uma grande estação de serviço - por isso se consegue facilmente boleia. Da estação de comboios rumei até à bomba de gasolina. Cerca de 20 minutos a pé com o meu troley onde carrego agora a mochila-mãe - a grandona, para poupar um pouco mais as costas. A mochila pequena carrego às costas onde guardo também a maioria dos valores. Chego ao muro que isola a estação de serviço da pequena vila de michendorf, e entro pela saída de emergência. Entrando no mundo dos veículos a alta velocidade, avisto logo várias linhas de camiões tir e estacionamentos de carros. É dos melhores locais para conseguir boleia. Cheguei cedo, pelas 9h, quando havia ainda pouco movimento. Peguei na minha folha A4 com eltras gordas dizendo "München - A9" e mostrava a todos os carros e camiões que passavam dentro do posto. Assim foi por 2 horas, sem resultados concretos, até que decidi mudar de estratégia e abordei com o meu alemão básico os condutores dos carros estacionados na área de comida. Alguns simpáticos outros nem por isso, mas o Mundo é mesmo assim.. todos diferentes, todos iguais. Assim foi até que surgiu um jovem casal de namorados, marcados por um estilo visual esotérico. Valentin, um jovem russo músico de ska, vivendo em Berlin, acompanhado da sua namorada. Eles decidiram ajudar-me e assim nos espalhámos na área de serviço para agilizar a boleia, que estava para chegar. Cerca de 30 minutos depois havia conseguido uma boleia com um casal, para Leipzig, a próxima grande cidade alemã na auto-estrada A9, rumo à Bavária. Fui a correr ter com Valentin para tirar as minhas coisas da bagageira do carro dele, mas ao o encontrar ele diz-me que havia conseguido uma boleia um pouco mais a sul na auto-estrada. Assim foi, segui então viagem com um grupo de 3 amigos alemães de Frankfurt que estavam a voltar a casa, depois terem prestado uma entrevista para estudarem em Berlin. São também praticantes da boleia (trämpen) na alemanha e até me deram conselhos e frases para me orientar melhor.
Fiquei numa bomba de gasolina por algumas horas onde pouca gente rumava ao sul, pois a verdade é que a bomba era de dificil acesso para quem estava na auto-estrada - era necessário sair e depois voltar a entrar, e isso dificultou, até que uma caravana de checos, me levam até a uma outra bomba de gasolina, no cruzamento da A9 com a estrada que vai para Dresden e república checa também. Desta vez fiquei numa bomba ainda pior, de acesso ainda mais dificil para quem estava na auto-bhan rumo à Bavária. Pedi conselhos à dona do posto de serviço e, vendo ela vim que tinha ido parar ao sítio errado, ela pediu a um dos funcionários para me levar a uma outra estação a cerca de 5km, já na berma da auto-estrada, onde seria então muitos mais fácil de conseguir boleia. Assim foi. Cheguei, perguntei a 2 pessoas que não ofereceram boleia por terem os carros já cheios mas à terceira foi de vez, e um senhor de 50 anos, alemão, a viver em espanha, na alemanha em negócios e para visitar a família, me deu boleia até munique. Certinho, direitinho, a abrir pela A9 abaixo a 180 km hora. Aqui na Alemanha é à grande - raramente há limites de velocidades, e as auto.estradas são planas e com 3 faxas em casa sentido, para além disso a condução é também responsável. Assim frequentemente se vêm carros a 250km/h nestas auto-estradas.
Chegado a Munique, encontrei-me com o amigo e antigo colega de faculdade - Pedro Caeiro a.k.a. PEC. Bom rever os amigos. Amigos e Família.
Com o Mestre PEC e Seixas em Munique.
Música: Milton Banana Trio - Linha de Passe (Brasil)
Filme: Tsotsi (África do Sul)
Livro: Big Sur - Jack Kerouac (E.U.A.)
Um Abraço
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Japão é outra dimensão
Nagoya, Japão
Faz hoje 5 dias que cheguei a este universo paralelo. A tecnologia está presente em todos os lados: incontáveis luzes piscantes nas ruas, casas-de-banho high-tech todas feitas de plástico que nem nave espaciais e com jatos de limpar o rabo e aquecimento no aro de sentar, luzes rotativas nas entradas dos restaurantes, comboios-bala que atingem os 300 km/h interligam todo o país, telefones públicos com grandes painéis eletrónicos que indicam as moedas que ainda não foram usadas para realizar a chamada (entre outras informações todavia indecifráveis em japonês), os ultimos modelos automóveis japoneses são os carros comuns que se avistam nas ruas, encontram-se facilmente lojas de equipamentos eletrónicos baratos, a internet é omnipresente com as maiores velocidades de upload que já vi... enfim uma lista enorme. A tecnologia faz parte da cultura local e parece comum entre o Japão que conheci até agora.


Tokyo - Bairro de Akihabara.
Depois de ter passado 3 dias em Tokyo, encontro-me neste momento na cidade de Nagoya, um dos principais centros tecnológicos e industriais do país, e base para a fábrica da Toyota.
Na Europa, pelos países nos quais tinha até aqui viajado via igrejas em todas as cidades, para nem pensar no incontável número de igrejas que temos em Portugal. Pois bem, aqui no Japão avistam-se templos por toda a parte - templos budistas e os shintuístas (chamados "Shrines"). Hoje visitei o Museu da Toyota e o Castelo de Nagoya. Os castelos em Portugal são do tipo geométrico bem recto, rectangular e deo tipo pedra-sobre-pedra. Pois bem, aqui os castelos são sumptuosos e requintados. Têm decorações douradas na fachada, os telhados têm as pontas dobradas, incluindo motivos especiais religiosos nos cantos e possuem vários andares, tomando alturas consideráveis.


Tokyo - Templo no bairro de Asakusa.
O tratamento oferecido ao cliente é de todo invulgar. Quando prestam um serviço, fazem-no com servidão, humildade e dedicando toda a atenção ao cliente. A palavra "acusaimass", significado de respeito e boa-educação é repeitda vezes sem conta num dia passado no Japão. Num museu ou numa casa de hóspedes típica japonesa "Ryokan", onde estou agora instalado, mesmo ao passarem ao teu lado ou nas tuas costas, falam algo incluindo o "acusaimass" como sinal de respeito. Tudo é servido com cuidado e toda a atenção é dedicada ao cliente. É um tratamento único, caregado de delicadeza, atenção e humildade.
Tokyo é uma cidade gigante onde o que salva um estangeiro viajante ocidental é o metro e as suas indicações em inglês, caso contrário seria bem dificil mover-me na cidade. Chegado ao aeroporto recebi a hospitalidade de um jovem casal que estavam no mesmo caminho que eu, e me ajudaram na linha de comboio até ao hostel. Movidos pela generosidade e hospitalidade, tipicamente japonesas, levaram-me até ao hostel. O hostel disponiboizou as facilidades a que me fui habituando durante a viagem (mais na américa do sul) como cozinha comum, internet wireless grátis, mas a diferença de que estava no Japão evidenciou-se, quando o beliche onde ficava a dormir era uma caixa de madeira com uma porta deslizável. E como esta haviam mais quatro, dispostas 2*2.

Hostel e Metro em Tokyo.
A higiene é uma paranóia no Japão. As sanitas têm jatos para limpar o rabo, frequentemente se encontram saboneteiras com alcool para desinfetar as mãos em espaços fechados como museus e estações de metro e comboio, os sapatos ficam sempre à porta do quarto e no hostel onde fiquei em Tokyo na porta da rua(!), são distribuídos pacotes de lenços nas principais ruas de Tokyo (também como estratégia de marketing de algumas lojas), e as máscaras faciais são frequentes, e não são uma precaução adicional devido à tão falada gripe suína - já assim era antes deste surto.
Cruzamento no bairro de Shibuya, Tokyo.
Por vezes vem-me à cabeça o mundo dos anime, dragon ball, sailor moon, tsubasa, e o Japão tem de facto bastante da fantasia que se vê nesses desenhos. É uma sociedade diferente, inovada, "certinha", onde quase tudo acontece rapidamente, eficientemente e com pontualidade ao minuto.
São algumas visões e opiniões da, provavelmente, mais tecnologicamente avançada sociedade do mundo. Amanhã rumo ao Japão mais rural, nas montanhas - à vila património da humanidade - Shirakawa-go.

Música: Music: Lura - Eclipse (Portugal, Cabe Verde)
Filme: Nação Fast Food (E.U.A.)
Livro: Ernesto Sabato - La Resistencia (Argentina)
Com saudade e um abraço.
Faz hoje 5 dias que cheguei a este universo paralelo. A tecnologia está presente em todos os lados: incontáveis luzes piscantes nas ruas, casas-de-banho high-tech todas feitas de plástico que nem nave espaciais e com jatos de limpar o rabo e aquecimento no aro de sentar, luzes rotativas nas entradas dos restaurantes, comboios-bala que atingem os 300 km/h interligam todo o país, telefones públicos com grandes painéis eletrónicos que indicam as moedas que ainda não foram usadas para realizar a chamada (entre outras informações todavia indecifráveis em japonês), os ultimos modelos automóveis japoneses são os carros comuns que se avistam nas ruas, encontram-se facilmente lojas de equipamentos eletrónicos baratos, a internet é omnipresente com as maiores velocidades de upload que já vi... enfim uma lista enorme. A tecnologia faz parte da cultura local e parece comum entre o Japão que conheci até agora.
Tokyo - Bairro de Akihabara.
Depois de ter passado 3 dias em Tokyo, encontro-me neste momento na cidade de Nagoya, um dos principais centros tecnológicos e industriais do país, e base para a fábrica da Toyota.
Na Europa, pelos países nos quais tinha até aqui viajado via igrejas em todas as cidades, para nem pensar no incontável número de igrejas que temos em Portugal. Pois bem, aqui no Japão avistam-se templos por toda a parte - templos budistas e os shintuístas (chamados "Shrines"). Hoje visitei o Museu da Toyota e o Castelo de Nagoya. Os castelos em Portugal são do tipo geométrico bem recto, rectangular e deo tipo pedra-sobre-pedra. Pois bem, aqui os castelos são sumptuosos e requintados. Têm decorações douradas na fachada, os telhados têm as pontas dobradas, incluindo motivos especiais religiosos nos cantos e possuem vários andares, tomando alturas consideráveis.
Tokyo - Templo no bairro de Asakusa.
O tratamento oferecido ao cliente é de todo invulgar. Quando prestam um serviço, fazem-no com servidão, humildade e dedicando toda a atenção ao cliente. A palavra "acusaimass", significado de respeito e boa-educação é repeitda vezes sem conta num dia passado no Japão. Num museu ou numa casa de hóspedes típica japonesa "Ryokan", onde estou agora instalado, mesmo ao passarem ao teu lado ou nas tuas costas, falam algo incluindo o "acusaimass" como sinal de respeito. Tudo é servido com cuidado e toda a atenção é dedicada ao cliente. É um tratamento único, caregado de delicadeza, atenção e humildade.
Tokyo é uma cidade gigante onde o que salva um estangeiro viajante ocidental é o metro e as suas indicações em inglês, caso contrário seria bem dificil mover-me na cidade. Chegado ao aeroporto recebi a hospitalidade de um jovem casal que estavam no mesmo caminho que eu, e me ajudaram na linha de comboio até ao hostel. Movidos pela generosidade e hospitalidade, tipicamente japonesas, levaram-me até ao hostel. O hostel disponiboizou as facilidades a que me fui habituando durante a viagem (mais na américa do sul) como cozinha comum, internet wireless grátis, mas a diferença de que estava no Japão evidenciou-se, quando o beliche onde ficava a dormir era uma caixa de madeira com uma porta deslizável. E como esta haviam mais quatro, dispostas 2*2.
Hostel e Metro em Tokyo.
A higiene é uma paranóia no Japão. As sanitas têm jatos para limpar o rabo, frequentemente se encontram saboneteiras com alcool para desinfetar as mãos em espaços fechados como museus e estações de metro e comboio, os sapatos ficam sempre à porta do quarto e no hostel onde fiquei em Tokyo na porta da rua(!), são distribuídos pacotes de lenços nas principais ruas de Tokyo (também como estratégia de marketing de algumas lojas), e as máscaras faciais são frequentes, e não são uma precaução adicional devido à tão falada gripe suína - já assim era antes deste surto.
Cruzamento no bairro de Shibuya, Tokyo.
Por vezes vem-me à cabeça o mundo dos anime, dragon ball, sailor moon, tsubasa, e o Japão tem de facto bastante da fantasia que se vê nesses desenhos. É uma sociedade diferente, inovada, "certinha", onde quase tudo acontece rapidamente, eficientemente e com pontualidade ao minuto.
São algumas visões e opiniões da, provavelmente, mais tecnologicamente avançada sociedade do mundo. Amanhã rumo ao Japão mais rural, nas montanhas - à vila património da humanidade - Shirakawa-go.
Música: Music: Lura - Eclipse (Portugal, Cabe Verde)
Filme: Nação Fast Food (E.U.A.)
Livro: Ernesto Sabato - La Resistencia (Argentina)
Com saudade e um abraço.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Dicas
Ontem e hoje chegaram estas mensagens aos meus olhos:
"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar a lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver... Il faut aller voir - é preciso ir ver! É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." - Amyr Klink
"Life is like a book and not travelling is like staying in the first page."
Frase de apresentação de uma agência de viagens em Brisbane, Austrália

"...Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar a lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver... Il faut aller voir - é preciso ir ver! É preciso questionar o que se aprendeu. É preciso ir tocá-lo." - Amyr Klink
"Life is like a book and not travelling is like staying in the first page."
Frase de apresentação de uma agência de viagens em Brisbane, Austrália

segunda-feira, 23 de março de 2009
Na Amazónia Peruana
21 de Março de 2009
Iquitos, Perú
Já faz um bom tempo desde que não me dedico a escrever relatando o que se tem passado no meu quotidiano. Já lá vai desde a África do Sul, há quase um ano, quando quebrei o meu tornozelo. Pois é... longa história!
Cheguei num lodge no meio do nada, a 4 horas de jipe da cidade mais próxima sem estrada, numa baía lindíssima chamada Bulungula, um dos lugares mais bonitos que "descobri" durante esta viagem, onde tudo era eco-amigável e auto-sustentável. Com saltos e correrias de entusiasmo à chegada, escorreguei numas escadas e tive que ser resgatado de helicóptero para a cidade mais próxima e operado de emergência para colocar 7 parafusos no meu tornozelo esquerdo. Mas isso já lá vai. Agora já consigo andar, correr e tudo mais! Num dos próximos relatos a serem publicados, sairá a história completa!
Sento-me em frente ao computador agora, recém-chegado de uma viagem de 3 dias na floresta amazónica peruana. Viagem à selva!
Chegado à cidade de Iquitos, vindo de barco de Manaus, Brasil, busquei agências de turismo que organizassem viagens à selva. Encontrei várias e a que me pareceu melhor foi a "Amazon Adventure Expeditions". (sim, é aquele nome batido, de quem não topa muito de inglês mas quer chamar os camónes... eheheheh ) Fizeram um preço bom, têem vários anos de experiência e boas referências, e por isso decidi ir com eles. Ainda bem que não fiz uma viagem à selva em manaus, no Brasil, pensava para mim, onde o preço era três vezes mais caro, e numa área da Amazónia onde não se encontra tanta vida selvagem, devido à proximidade a um centro urbando maior.
Partimos dia 18 de Março, pelas 8h da manhã, de Iquitos num carro rumo a Nauta, pequena cidade a cerca de 150 km de Iquitos. A viagem foi meio acelerada e com uma alguma dose de adrenalina no volante, mas atingimos com sucesso o nosso destino. À chegada já nos esperavam num pequeno barco a motor, para nos levar até ao albergue na floresta. Chegámos pelas 12h, a tempo do almoço. O lodge era composto por várias casas de madeira construídas a cerca de 2 metros acima do solo, suportadas por estacas. As estações climáticas aqui são apenas duas: O Inverno, quando chove quase todos os dias e como consequência os rios se enchem, transbordam, e alagam terrenos que estão secos na estação seca, o Verão. Este último traz um abaixamento do nível das águas e permite às populações circularem mais a pé e menos de barco, e nalgumas áreas devido ao baixo nível de água, cultivar arroz.
O almoço foi "rico" e como manda a tradição peruana, composto de arroz e pollo! No Brasil me habituei bem ao arroz e feijão por isso o arroz do almoço soube a mel!! Depois de almoço fomos pescar por uns minutos com o Anthony, miúdo de 10 anos que já pesca o seu próprio alimento do rio e se vira que nem um pró na canoa. De seguida seguimos para um passeio à povoação vizinha do nosso lodge "Puerto Miguel" onde todas as casas estão sobre água suspensas por estacas. Uma experiência única foi chegar à "Discobar El Gusano" de barco, sendo essa a única maneira de lá chegar sem molhares pelo menos metade do corpo! Casas, escolas, bar, restaurantes, posto de saúde, etc. são assim ligados, por água, e ter uma canoaita é bom para viver mais facilmente nesta aldeia, que durante a estação chuvosa se cobre de água aos seus pés. De seguida descemos os rios Yarapa e Cumaceba
à procura de golfinhos. Conseguimos avistar vários mas sempre ao longe e nunca vimos mais do que a sua barbatana dorsal. Volvidos ao lodge amazónico, já ao pôr-do-sol, jantámos e descansámos cedo.
Tempo ainda para conversar à mesa com outros viajantes, trocar impressões sobre a selva, jogar uma cartada, aprender novos sotaques e novas línguas.
Dia seguinte seria bem emocionante: Campismo na Floresta!!! Saímos logoo cedo pelas 9h, numa pequena canoa com um motorzeco. Descendo rios, cortando caminho por riachos de água coberta por
plantas, cruzando lagos com jacarés dormindo, chegámos a um pedaço de terra que durante a estação chuvosa fica rodeado de água, uma ilha portanto. Um senhor já nos esperava preparando o almoço.. para varia, arroz e frango! Pollo Diablo!!! ahahahahahha (um abraço para ti mano!) Montei uma rede de dormir entre duas árvores e coloquei uma rede mosquiteira à sua volta e um toldo para a chuva por cima (que útil será!), e depois começou a ação. Pegámos na canoa e fomos até um bosque de árvores antigas semi-submersas em água. Atalhando, e com o conhecimento do nosso guia, o "Lobo", que nasceu, cresceu e trabalha nesta área desde pequeno e conhece tudo como a palma da mão, chegámos a águas onde as piranhas navegam. Lançámos os anzóis à água e tratámos de encontrar o nosso jantar. Pescámos uns 6 peixitos e foi bom para as 6 pessoas que estavam no campismo: um peruano, uma americana, um japonês, eu e dois guias. À chegada ao campismo, seguimos para uma caminhada na selva de cerca de 2 horas até que o sol o pôr-do-sol. Caminhando
por trilhas de lama, cruzando pequenos lagos, detetando pegadas de jaguar, tocas de armadilos (papa-formigas creio), e no meio de milhares de insectos.
Voltámos e já tínhamos piranha grelhada na brasa à nossa espera! Bem bom. É um peixe com pouca carne, mas o sabor a grelhado deu saudades da terra-mãe e foi tudo um sucesso. Depois de jantar pegámos na canoa e fomos de novo aos lagos, desta vez já de noite, apenas com a lanterna
na cabeça do "lobo", buscando jacarés. Quando uns olhos à tona da água brilharem com o reflexo da lanterna, lá estão eles. Mas procurámos e procurámos por um par de horas, e nada. Voltámos ao acampamento pelas 22h mesmo antes de cair uma chuvada forte, que se pararia no dia seguinte,
depis de chegarmos ao lodge. Choveu e choveu nessa noite, a ponto de ter entrada água no motor, e nao termos podido usá-lo para voltar ao lodge. Fomos a remar! Numa canoa ia o guia Santiago, o japonês e eu remando, e no outro o "lobo" e o peruana e a americana (de alabama com sotaque à forrest gump!! ehehehhe que deboxe!!).
Assim foi... acordámos pelas 8h da matina, arrumámos tudo e seguimos nas canoas em modo manual. Eu consegui descansar bem à noite, dada a chuva, os insetos, os barulhos que se escutam no meio da selva, e uma vez que dormi numa rede, foi das melhores noites dormidas numa rede! Seguimos por 2 horas remando nas águas amazónicas sob chuvada, cruzando lagos e estreitamentos coloridos de plantas verdes à tona de água (e que dificultam remar pa caramba!), até que chegámos ao rio, e por sorte estava a nosso favor e poupou mais umas horas de remo. Foi uma aventura! Mas soube bem!
Exercício pela manhã, uma dosezita de adrenalina e um pequeno-almoço tomado no meio do rio cumaceba, sentado numa canoa!
Memorável!
Camarada, até breve.
Estamos juntos, levo-te comigo nesta caminhada pelo Mundo, de volta à Tugolândia.
João Aguiar
Livros: Brave New World, Aldous Huxley
Música: Ya se ha muerto mi avuelo - Juaneco y su combo, Como hago - Kaliente
Filme: Slumdog Millionaire, Danny Boyle
Comida de Iquitos: Sesina y tacacho - carne de uma espéice de javali servida com uma bola feita de banana com pedaços de carne - muy rico!!!
Iquitos, Perú
Já faz um bom tempo desde que não me dedico a escrever relatando o que se tem passado no meu quotidiano. Já lá vai desde a África do Sul, há quase um ano, quando quebrei o meu tornozelo. Pois é... longa história!
Cheguei num lodge no meio do nada, a 4 horas de jipe da cidade mais próxima sem estrada, numa baía lindíssima chamada Bulungula, um dos lugares mais bonitos que "descobri" durante esta viagem, onde tudo era eco-amigável e auto-sustentável. Com saltos e correrias de entusiasmo à chegada, escorreguei numas escadas e tive que ser resgatado de helicóptero para a cidade mais próxima e operado de emergência para colocar 7 parafusos no meu tornozelo esquerdo. Mas isso já lá vai. Agora já consigo andar, correr e tudo mais! Num dos próximos relatos a serem publicados, sairá a história completa!
Sento-me em frente ao computador agora, recém-chegado de uma viagem de 3 dias na floresta amazónica peruana. Viagem à selva!
Chegado à cidade de Iquitos, vindo de barco de Manaus, Brasil, busquei agências de turismo que organizassem viagens à selva. Encontrei várias e a que me pareceu melhor foi a "Amazon Adventure Expeditions". (sim, é aquele nome batido, de quem não topa muito de inglês mas quer chamar os camónes... eheheheh ) Fizeram um preço bom, têem vários anos de experiência e boas referências, e por isso decidi ir com eles. Ainda bem que não fiz uma viagem à selva em manaus, no Brasil, pensava para mim, onde o preço era três vezes mais caro, e numa área da Amazónia onde não se encontra tanta vida selvagem, devido à proximidade a um centro urbando maior.
Partimos dia 18 de Março, pelas 8h da manhã, de Iquitos num carro rumo a Nauta, pequena cidade a cerca de 150 km de Iquitos. A viagem foi meio acelerada e com uma alguma dose de adrenalina no volante, mas atingimos com sucesso o nosso destino. À chegada já nos esperavam num pequeno barco a motor, para nos levar até ao albergue na floresta. Chegámos pelas 12h, a tempo do almoço. O lodge era composto por várias casas de madeira construídas a cerca de 2 metros acima do solo, suportadas por estacas. As estações climáticas aqui são apenas duas: O Inverno, quando chove quase todos os dias e como consequência os rios se enchem, transbordam, e alagam terrenos que estão secos na estação seca, o Verão. Este último traz um abaixamento do nível das águas e permite às populações circularem mais a pé e menos de barco, e nalgumas áreas devido ao baixo nível de água, cultivar arroz.
O almoço foi "rico" e como manda a tradição peruana, composto de arroz e pollo! No Brasil me habituei bem ao arroz e feijão por isso o arroz do almoço soube a mel!! Depois de almoço fomos pescar por uns minutos com o Anthony, miúdo de 10 anos que já pesca o seu próprio alimento do rio e se vira que nem um pró na canoa. De seguida seguimos para um passeio à povoação vizinha do nosso lodge "Puerto Miguel" onde todas as casas estão sobre água suspensas por estacas. Uma experiência única foi chegar à "Discobar El Gusano" de barco, sendo essa a única maneira de lá chegar sem molhares pelo menos metade do corpo! Casas, escolas, bar, restaurantes, posto de saúde, etc. são assim ligados, por água, e ter uma canoaita é bom para viver mais facilmente nesta aldeia, que durante a estação chuvosa se cobre de água aos seus pés. De seguida descemos os rios Yarapa e Cumaceba
à procura de golfinhos. Conseguimos avistar vários mas sempre ao longe e nunca vimos mais do que a sua barbatana dorsal. Volvidos ao lodge amazónico, já ao pôr-do-sol, jantámos e descansámos cedo.
Tempo ainda para conversar à mesa com outros viajantes, trocar impressões sobre a selva, jogar uma cartada, aprender novos sotaques e novas línguas.
Dia seguinte seria bem emocionante: Campismo na Floresta!!! Saímos logoo cedo pelas 9h, numa pequena canoa com um motorzeco. Descendo rios, cortando caminho por riachos de água coberta por
plantas, cruzando lagos com jacarés dormindo, chegámos a um pedaço de terra que durante a estação chuvosa fica rodeado de água, uma ilha portanto. Um senhor já nos esperava preparando o almoço.. para varia, arroz e frango! Pollo Diablo!!! ahahahahahha (um abraço para ti mano!) Montei uma rede de dormir entre duas árvores e coloquei uma rede mosquiteira à sua volta e um toldo para a chuva por cima (que útil será!), e depois começou a ação. Pegámos na canoa e fomos até um bosque de árvores antigas semi-submersas em água. Atalhando, e com o conhecimento do nosso guia, o "Lobo", que nasceu, cresceu e trabalha nesta área desde pequeno e conhece tudo como a palma da mão, chegámos a águas onde as piranhas navegam. Lançámos os anzóis à água e tratámos de encontrar o nosso jantar. Pescámos uns 6 peixitos e foi bom para as 6 pessoas que estavam no campismo: um peruano, uma americana, um japonês, eu e dois guias. À chegada ao campismo, seguimos para uma caminhada na selva de cerca de 2 horas até que o sol o pôr-do-sol. Caminhando
por trilhas de lama, cruzando pequenos lagos, detetando pegadas de jaguar, tocas de armadilos (papa-formigas creio), e no meio de milhares de insectos.
Voltámos e já tínhamos piranha grelhada na brasa à nossa espera! Bem bom. É um peixe com pouca carne, mas o sabor a grelhado deu saudades da terra-mãe e foi tudo um sucesso. Depois de jantar pegámos na canoa e fomos de novo aos lagos, desta vez já de noite, apenas com a lanterna
na cabeça do "lobo", buscando jacarés. Quando uns olhos à tona da água brilharem com o reflexo da lanterna, lá estão eles. Mas procurámos e procurámos por um par de horas, e nada. Voltámos ao acampamento pelas 22h mesmo antes de cair uma chuvada forte, que se pararia no dia seguinte,
depis de chegarmos ao lodge. Choveu e choveu nessa noite, a ponto de ter entrada água no motor, e nao termos podido usá-lo para voltar ao lodge. Fomos a remar! Numa canoa ia o guia Santiago, o japonês e eu remando, e no outro o "lobo" e o peruana e a americana (de alabama com sotaque à forrest gump!! ehehehhe que deboxe!!).
Assim foi... acordámos pelas 8h da matina, arrumámos tudo e seguimos nas canoas em modo manual. Eu consegui descansar bem à noite, dada a chuva, os insetos, os barulhos que se escutam no meio da selva, e uma vez que dormi numa rede, foi das melhores noites dormidas numa rede! Seguimos por 2 horas remando nas águas amazónicas sob chuvada, cruzando lagos e estreitamentos coloridos de plantas verdes à tona de água (e que dificultam remar pa caramba!), até que chegámos ao rio, e por sorte estava a nosso favor e poupou mais umas horas de remo. Foi uma aventura! Mas soube bem!
Exercício pela manhã, uma dosezita de adrenalina e um pequeno-almoço tomado no meio do rio cumaceba, sentado numa canoa!
Memorável!
Camarada, até breve.
Estamos juntos, levo-te comigo nesta caminhada pelo Mundo, de volta à Tugolândia.
João Aguiar
Livros: Brave New World, Aldous Huxley
Música: Ya se ha muerto mi avuelo - Juaneco y su combo, Como hago - Kaliente
Filme: Slumdog Millionaire, Danny Boyle
Comida de Iquitos: Sesina y tacacho - carne de uma espéice de javali servida com uma bola feita de banana com pedaços de carne - muy rico!!!
sábado, 21 de março de 2009
Na Amazónia Peruana
Iquitos, Perú
Já faz um bom tempo desde que não me dedico a escrever relatando o que se tem passado no meu quotidiano. Já lá vai desde a África do Sul, há quase um ano, quando quebrei o meu tornozelo. Pois é... longa história!
Cheguei num lodge no meio do nada, a 4 horas de jipe da cidade mais próxima sem estrada, numa baía lindíssima chamada Bulungula, um dos lugares mais bonitos que "descobri" durante esta viagem, onde tudo era eco-amigável e auto-sustentável. Com saltos e correrias de entusiasmo à chegada, escorreguei numas escadas e tive que ser resgatado de helicóptero para a cidade mais próxima e operado de emergência para colocar 7 parafusos no meu tornozelo esquerdo. Mas isso já lá vai. Agora já consigo andar, correr e tudo mais! Num dos próximos relatos a serem publicados, sairá a história completa! Sento-me em frente ao computador agora, recém-chegado de uma viagem de 3 dias na floresta amazónica peruana. Viagem à selva!
Chegado à cidade de Iquitos, vindo de barco de Manaus, Brasil, busquei agências de turismo que organizassem viagens à selva. Encontrei várias e a que me pareceu melhor foi a "Amazon Adventure Expeditions". (sim, é aquele nome batido, de quem não topa muito de inglês mas quer chamar os camónes... eheheheh ) Fizeram um preço bom, têem vários anos de experiência e boas referências, e por isso decidi ir com eles. Ainda bem que não fiz uma viagem à selva em manaus, no Brasil, pensava para mim, onde o preço era três vezes mais caro, e numa área da Amazónia onde não se encontra tanta vida selvagem, devido à proximidade a um centro urbando maior.
Partimos dia 18 de Março, pelas 8h da manhã, de Iquitos num carro rumo a Nauta, pequena cidade a cerca de 150 km de Iquitos. A viagem foi meio acelerada e com uma alguma dose de adrenalina no volante, mas atingimos com sucesso o nosso destino. À chegada já nos esperavam num pequeno barco a motor, para nos levar até ao albergue na floresta. Chegámos pelas 12h, a tempo do almoço. O lodge era composto por várias casas de madeira construídas a cerca de 2 metros acima do solo, suportadas por estacas. As estações climáticas aqui são apenas duas: O Inverno, quando chove quase todos os dias e como consequência os rios se enchem, transbordam, e alagam terrenos que estão secos na estação seca, o Verão. Este último traz um abaixamento do nível das águas e permite às populações circularem mais a pé e menos de barco, e nalgumas áreas devido ao baixo nível de água, cultivar arroz.

Albergue na selva.

Anthony, o jovem pescador da selva.
O almoço foi "rico" e como manda a tradição peruana, composto de arroz e pollo! No Brasil me habituei bem ao arroz e feijão por isso o arroz do almoço soube a mel!! Depois de almoço fomos pescar por uns minutos com o Anthony, miúdo de 10 anos que já pesca o seu próprio alimento do rio e se vira que nem um pró na canoa. De seguida seguimos para um passeio à povoação vizinha do nosso lodge "Puerto Miguel" onde todas as casas estão sobre água suspensas por estacas. Uma experiência única foi chegar à "Discobar El Gusano" de barco, sendo essa a única maneira de lá chegar sem molhares pelo menos metade do corpo! Casas, escolas, bar, restaurantes, posto de saúde, etc. são assim ligados, por água, e ter uma canoaita é bom para viver mais facilmente nesta aldeia, que durante a estação chuvosa se cobre de água aos seus pés. De seguida descemos os rios Yarapa e Cumaceba à procura de golfinhos. Conseguimos avistar vários mas sempre ao longe e nunca vimos mais do que a sua barbatana dorsal. Volvidos ao lodge amazónico, já ao pôr-do-sol, jantámos e descansámos cedo. Tempo ainda para conversar à mesa com outros viajantes, trocar impressões sobre a selva, jogar uma cartada, aprender novos sotaques e novas línguas.
Dia seguinte seria bem emocionante: Campismo na Floresta!!! Saímos logoo cedo pelas 9h, numa pequena canoa com um motorzeco. Descendo rios, cortando caminho por riachos de água coberta por plantas, cruzando lagos com jacarés dormindo, chegámos a um pedaço de terra que durante a estação chuvosa fica rodeado de água, uma ilha portanto. Um senhor já nos esperava preparando o almoço.. para varia, arroz e frango! Pollo Diablo!!! ahahahahahha (um abraço para ti mano!) Montei uma rede de dormir entre duas árvores e coloquei uma rede mosquiteira à sua volta e um toldo para a chuva por cima (que útil será!), e depois começou a ação. Pegámos na canoa e fomos até um bosque de árvores antigas semi-submersas em água. Atalhando, e com o conhecimento do nosso guia, o "Lobo", que nasceu, cresceu e trabalha nesta área desde pequeno e conhece tudo como a palma da mão, chegámos a águas onde as piranhas navegam. Lançámos os anzóis à água e tratámos de encontrar o nosso jantar. Pescámos uns 6 peixitos e foi bom para as 6 pessoas que estavam no campismo: um peruano, uma americana, um japonês, eu e dois guias. À chegada ao campismo, seguimos para uma caminhada na selva de cerca de 2 horas até que o sol o pôr-do-sol. Caminhando por trilhas de lama, cruzando pequenos lagos, detetando pegadas de jaguar, tocas de armadilos (papa-formigas creio), e no meio de milhares de insectos.

Cruzando os lagos cobertos de plantas flutuantes.
Montando a rede de dormir no campismo.
Voltámos e já tínhamos piranha grelhada na brasa à nossa espera! Bem bom. É um peixe com pouca carne, mas o sabor a grelhado deu saudades da terra-mãe e foi tudo um sucesso. Depois de jantar pegámos na canoa e fomos de novo aos lagos, desta vez já de noite, apenas com a lanterna na cabeça do "lobo", buscando jacarés. Quando uns olhos à tona da água brilharem com o reflexo da lanterna, lá estão eles. Mas procurámos e procurámos por um par de horas, e nada. Voltámos ao acampamento pelas 22h mesmo antes de cair uma chuvada forte, que se pararia no dia seguinte, depois de chegarmos ao lodge. Choveu e choveu nessa noite, a ponto de ter entrada água no motor, e nao termos podido usá-lo para voltar ao lodge. Fomos a remar! Numa canoa ia o guia Santiago, o japonês e eu remando, e no outro o "lobo" e o peruana e a americana (de alabama com sotaque à forrest gump!! ehehehhe que deboxe!!).

O guia "Lobo" pescou mais um para o jantar.

Bosque amazónico semi-coberto de água.

Na pescaria amazónica!
Pegada de jaguar, durante a caminhada na selva.
Assim foi... acordámos pelas 8h da matina, arrumámos tudo e seguimos nas canoas em modo manual. Eu consegui descansar bem à noite, dada a chuva, os insetos, os barulhos que se escutam no meio da selva, e uma vez que dormi numa rede, foi das melhores noites dormidas numa rede! Seguimos por 2 horas remando nas águas amazónicas sob chuvada, cruzando lagos e estreitamentos coloridos de plantas verdes à tona de água (e que dificultam remar pa caramba!), até que chegámos ao rio, e por sorte estava a nosso favor e poupou mais umas horas de remo. Foi uma aventura! Mas soube bem! Exercício pela manhã, uma dosezita de adrenalina e um pequeno-almoço tomado no meio do rio cumaceba, sentado numa canoa!
Memorável!

Na Amazónia.
Lago.
Camarada, até breve.
Estamos juntos, levo-te comigo nesta caminhada pelo Mundo, de volta à Tugolândia.
João Aguiar
Livros: Brave New World, Aldous Huxley
Música: Ya se ha muerto mi avuelo - Juaneco y su combo, Como hago - Kaliente
Filme: Slumdog Millionaire, Danny Boyle
Comida de Iquitos: Sesina y tacacho - carne de uma espéice de javali servida com uma bola feita de banana com pedaços de carne - muy rico!!!
Já faz um bom tempo desde que não me dedico a escrever relatando o que se tem passado no meu quotidiano. Já lá vai desde a África do Sul, há quase um ano, quando quebrei o meu tornozelo. Pois é... longa história!
Cheguei num lodge no meio do nada, a 4 horas de jipe da cidade mais próxima sem estrada, numa baía lindíssima chamada Bulungula, um dos lugares mais bonitos que "descobri" durante esta viagem, onde tudo era eco-amigável e auto-sustentável. Com saltos e correrias de entusiasmo à chegada, escorreguei numas escadas e tive que ser resgatado de helicóptero para a cidade mais próxima e operado de emergência para colocar 7 parafusos no meu tornozelo esquerdo. Mas isso já lá vai. Agora já consigo andar, correr e tudo mais! Num dos próximos relatos a serem publicados, sairá a história completa! Sento-me em frente ao computador agora, recém-chegado de uma viagem de 3 dias na floresta amazónica peruana. Viagem à selva!
Chegado à cidade de Iquitos, vindo de barco de Manaus, Brasil, busquei agências de turismo que organizassem viagens à selva. Encontrei várias e a que me pareceu melhor foi a "Amazon Adventure Expeditions". (sim, é aquele nome batido, de quem não topa muito de inglês mas quer chamar os camónes... eheheheh ) Fizeram um preço bom, têem vários anos de experiência e boas referências, e por isso decidi ir com eles. Ainda bem que não fiz uma viagem à selva em manaus, no Brasil, pensava para mim, onde o preço era três vezes mais caro, e numa área da Amazónia onde não se encontra tanta vida selvagem, devido à proximidade a um centro urbando maior.
Partimos dia 18 de Março, pelas 8h da manhã, de Iquitos num carro rumo a Nauta, pequena cidade a cerca de 150 km de Iquitos. A viagem foi meio acelerada e com uma alguma dose de adrenalina no volante, mas atingimos com sucesso o nosso destino. À chegada já nos esperavam num pequeno barco a motor, para nos levar até ao albergue na floresta. Chegámos pelas 12h, a tempo do almoço. O lodge era composto por várias casas de madeira construídas a cerca de 2 metros acima do solo, suportadas por estacas. As estações climáticas aqui são apenas duas: O Inverno, quando chove quase todos os dias e como consequência os rios se enchem, transbordam, e alagam terrenos que estão secos na estação seca, o Verão. Este último traz um abaixamento do nível das águas e permite às populações circularem mais a pé e menos de barco, e nalgumas áreas devido ao baixo nível de água, cultivar arroz.
Albergue na selva.
Anthony, o jovem pescador da selva.
O almoço foi "rico" e como manda a tradição peruana, composto de arroz e pollo! No Brasil me habituei bem ao arroz e feijão por isso o arroz do almoço soube a mel!! Depois de almoço fomos pescar por uns minutos com o Anthony, miúdo de 10 anos que já pesca o seu próprio alimento do rio e se vira que nem um pró na canoa. De seguida seguimos para um passeio à povoação vizinha do nosso lodge "Puerto Miguel" onde todas as casas estão sobre água suspensas por estacas. Uma experiência única foi chegar à "Discobar El Gusano" de barco, sendo essa a única maneira de lá chegar sem molhares pelo menos metade do corpo! Casas, escolas, bar, restaurantes, posto de saúde, etc. são assim ligados, por água, e ter uma canoaita é bom para viver mais facilmente nesta aldeia, que durante a estação chuvosa se cobre de água aos seus pés. De seguida descemos os rios Yarapa e Cumaceba à procura de golfinhos. Conseguimos avistar vários mas sempre ao longe e nunca vimos mais do que a sua barbatana dorsal. Volvidos ao lodge amazónico, já ao pôr-do-sol, jantámos e descansámos cedo. Tempo ainda para conversar à mesa com outros viajantes, trocar impressões sobre a selva, jogar uma cartada, aprender novos sotaques e novas línguas.
Dia seguinte seria bem emocionante: Campismo na Floresta!!! Saímos logoo cedo pelas 9h, numa pequena canoa com um motorzeco. Descendo rios, cortando caminho por riachos de água coberta por plantas, cruzando lagos com jacarés dormindo, chegámos a um pedaço de terra que durante a estação chuvosa fica rodeado de água, uma ilha portanto. Um senhor já nos esperava preparando o almoço.. para varia, arroz e frango! Pollo Diablo!!! ahahahahahha (um abraço para ti mano!) Montei uma rede de dormir entre duas árvores e coloquei uma rede mosquiteira à sua volta e um toldo para a chuva por cima (que útil será!), e depois começou a ação. Pegámos na canoa e fomos até um bosque de árvores antigas semi-submersas em água. Atalhando, e com o conhecimento do nosso guia, o "Lobo", que nasceu, cresceu e trabalha nesta área desde pequeno e conhece tudo como a palma da mão, chegámos a águas onde as piranhas navegam. Lançámos os anzóis à água e tratámos de encontrar o nosso jantar. Pescámos uns 6 peixitos e foi bom para as 6 pessoas que estavam no campismo: um peruano, uma americana, um japonês, eu e dois guias. À chegada ao campismo, seguimos para uma caminhada na selva de cerca de 2 horas até que o sol o pôr-do-sol. Caminhando por trilhas de lama, cruzando pequenos lagos, detetando pegadas de jaguar, tocas de armadilos (papa-formigas creio), e no meio de milhares de insectos.
Cruzando os lagos cobertos de plantas flutuantes.
Montando a rede de dormir no campismo.
Voltámos e já tínhamos piranha grelhada na brasa à nossa espera! Bem bom. É um peixe com pouca carne, mas o sabor a grelhado deu saudades da terra-mãe e foi tudo um sucesso. Depois de jantar pegámos na canoa e fomos de novo aos lagos, desta vez já de noite, apenas com a lanterna na cabeça do "lobo", buscando jacarés. Quando uns olhos à tona da água brilharem com o reflexo da lanterna, lá estão eles. Mas procurámos e procurámos por um par de horas, e nada. Voltámos ao acampamento pelas 22h mesmo antes de cair uma chuvada forte, que se pararia no dia seguinte, depois de chegarmos ao lodge. Choveu e choveu nessa noite, a ponto de ter entrada água no motor, e nao termos podido usá-lo para voltar ao lodge. Fomos a remar! Numa canoa ia o guia Santiago, o japonês e eu remando, e no outro o "lobo" e o peruana e a americana (de alabama com sotaque à forrest gump!! ehehehhe que deboxe!!).
O guia "Lobo" pescou mais um para o jantar.
Bosque amazónico semi-coberto de água.
Na pescaria amazónica!
Pegada de jaguar, durante a caminhada na selva.
Assim foi... acordámos pelas 8h da matina, arrumámos tudo e seguimos nas canoas em modo manual. Eu consegui descansar bem à noite, dada a chuva, os insetos, os barulhos que se escutam no meio da selva, e uma vez que dormi numa rede, foi das melhores noites dormidas numa rede! Seguimos por 2 horas remando nas águas amazónicas sob chuvada, cruzando lagos e estreitamentos coloridos de plantas verdes à tona de água (e que dificultam remar pa caramba!), até que chegámos ao rio, e por sorte estava a nosso favor e poupou mais umas horas de remo. Foi uma aventura! Mas soube bem! Exercício pela manhã, uma dosezita de adrenalina e um pequeno-almoço tomado no meio do rio cumaceba, sentado numa canoa!
Memorável!
Na Amazónia.
Lago.
Camarada, até breve.
Estamos juntos, levo-te comigo nesta caminhada pelo Mundo, de volta à Tugolândia.
João Aguiar
Livros: Brave New World, Aldous Huxley
Música: Ya se ha muerto mi avuelo - Juaneco y su combo, Como hago - Kaliente
Filme: Slumdog Millionaire, Danny Boyle
Comida de Iquitos: Sesina y tacacho - carne de uma espéice de javali servida com uma bola feita de banana com pedaços de carne - muy rico!!!
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Terra Brasilis
Em Terra Brasilis, por Terras de Vera Cruz...
Depois de vários meses de ausência.. peço desculpa!, volto a escrever.
Tudo bem. Peripéçias de saúde na África do Sul, vôo de Joanesburgo até o Dubai e depois então para São Paulo. Busca de um emprego em São Paulo. Trabalho no Casa Club www.casaclub.com.br . Viagem até às Cataratas de Iguaçu. Saída brusca do emprego. Tudo vai bem, apesar de algumas dificuldades.. sabia elas iriam aparecer no percurso.
Escrevo da casa de amigos, que alojam agora por uns dias, até que os meus pais cheguem de Lisboa para passarmos juntos o meu aniversário e o natal. Só a vinda deles é já o melhor presente que poderia ter. Obrigado por tudo.
E escrevo para deixar por escrito que estou de volta, e os relatos dos últimos e dos próximos meses estão chegando logo menos! ;)
No quotidiano:
Leitura: Ensaio sobre a Cegueira
Música: Grupo Fundo de Quintal, Seu Jorge Seu Jorge - Mina do condominio (remix)
Filme: Diários da Motocicleta
Fotos: http://flickr.com/photos/juaumaguiar
Um Abraço forte carregado de saudade,
do vosso amigo João
terça-feira, 22 de abril de 2008
De Pretória até Durban
Durban, África do Sul
Depois de 5 dias em Pretoria, mudei-me para Durban, a terceira maior cidade da Africa do sul, localizada na costa este, capital da provincia Kwazulu-Natal. - Natal porque Vasco da Gama pos ca o pe no dia de Natal e entao ficou o nome! O povo portugues e grande! Todos os paises africanos por onde passei teem historia escrita por maos portuguesas, e ee triste constatar que, hoje em dia, o estado letargico do povo portugues nao nos deixa sequer escrever a nossa propria historia... Mas este assunto tem pano para mangas, e gostaria de voltar a ele mais tarde... Inch a Lah!
Voltando atras... ate Pretoria, capital administrativa do pais, construida num vale todo rodeado por colinas. Bastante mais historica que a capital comercial, Joanesburgo, o centro de cidade expoe edificios oitocentistas, heranca da colonia holandesa Zuid Africa. Ha zonas a evitar no centro, tal como o bairro Sunnyside, considerado o mais perigoso da cidade, e mal-afamado pelo pais fora... onde estou a dormir!, Riana, a minha anfitria do couch surfing, diz-me que a zona de Sunnyside onde estamos e calma, e de facto assim parece, mas um gajo faz sempre figas e, ao fim do dia espera que tudo corra bem na jornada seguinte.

Pretoria - de dia e de noite
Riana e a embaixadora do couch surfing na Africa do Sul, o que quer dizer que estou instalado na Embaixada! Este seu estatudo nao e para qualquer um, e justifica-se com o simples de facto de durante os 5 dias que la fiquei, ter ido a 4 encontros locais do couchsurfing e ter conhecido 7 membros! Ela esta sempre a organizar encontros, passeios, jantares... Levou-me ao Lion Park, nos arredores de Joburg, onde pude ver os Leoes que nao vi no Kruger Park, e ate pude fazer festinhas a leoes bebes! Foi "maningue nice", dir-se-ia em Mocambique!

Lion park and host @ Pretoria
A cena ficou mais "hectic" (aqui estao sempre a dizer isto, e ee um calao que quer dizer "marado") quando fui dar uma volta a pe de Sunnyside ate aos Union Builiding, onde esta instaladado o governo nacional. Pelo caminho sou varias vezes olhado de alto a baixo, como quem pensa "o que e que este branco faz aqui sozinho?!". Muito poucos brancos andam na rua, mas encontrei alguns no caminho,
o que me deixava sempre um pouco mais descansado... Pah! Sabem bem que nao sou racista, mas a minha ideia e que se nao ha muitos brancos na rua, e em percentagem, eles sao mais ricos que os negros, e porque ha algum perigo nas ruas! "Nao ha fumo sem fogo", diz-se ai na tuga! Tenho esta ideia, tambem, depois de ter ido a varios centro comerciais e restaurantes, onde 70% das pessoas sao brancas. E contudo, falacioso, pois apenas 10% dos sul-africanos sao brancos!
A caminhar para os Union Buildings, encontro um maluco branquela no meio da rua a tirar fotos a tudo o que encontra a sua frente. Nao e facil.. eu, por exemplo, andava com a minha no bolso.. discreto, para evitar problemas. Mais a frente no caminho, num parque rodeado de predios com fachada em tijolo, ao estilo britanico, (que me lembram tambem bairros de New York, que via nos clips de hip-hop quando adolescente... Queens sytle!), encontro jovens brancas a falar na rua. O nivel de stress diminui de novo um pouco. Chegado aos Union Buildings, sou capturado pela esplendida vista sobre toda a cidade. Os "Edificios da Uniao" sao belos, com uma fachada trabalhada ao estilo oitocentista. A voltar a casa, incursando pelo mesmo caminho, encontro de novo as jovens brancas, desta vez a meterem conversa comigo. Afinal sao prostitutas!!! Onde raio e que me fui meter?!
Entre varios olhares enviesados e suspeitos, assedios de prostitutas brancas, sai do Parque de Arcadia e alinhei-me na rua da casa de Riana. (o meu livro-guia Lonely Panet nao lista este parque como uma das zonas a evitar na cidade, mas quando fores a Pretoria, nao ponhas la o pe!) Nao esperava... insconscientemente, fui associando a riqueza neste pais a comunidada branca, mas nao... ja vi sem-abrigos e prostitutas de raca branca. E o estado da "Rainbow Nation", assim lhe chamou Mandela, onde coexistem cerca de 10 tribos negras diferentes - 70%, mulatos - 10%, indianos - 10%, brancos - 10% (aproximadamente.. azzz azzzz!)
Deixo para tras Pretoria no autocarro Translux, rumo a Durban. Tenho a minha espera Catherine e a sua familia, membros do couch surfing. O seu pai e baixista e e um autentico guru musical! Fa de Moody Blues, BB King, Eric Clapton... Assisti a um concerto da sua banda de blues, em Umlhanga, nas cercanias a norte de Durban.

Union Buildings, Pretória. Vista de Durban da praia.
Dias depois mudo-me para a casa de Karl e Adriana, dois jovens irmaos de espirito libertino que me acolhem a 100%. Relaxados, calmos e sabedores. Sabado a noite rumamos a festa de reggae na universidade! Aqueceu, aqueceu o clima! Quando chegamos o dance hall estava parco, mas foi enchendo, enchendo, ate estar full! Sentado na bancada do campo de raguebi, socializavmos com as diferentes comunidadas da "rainbow nation"... grupos de brancos, grupos de negros, grupos de indianos. Travei conversa com os amigos de Karl, estudantes de ciencias sociais, cantei com um grupo de negros "i wanna give you some good good lovin'" de ziggy marley e lauryn hill, e dancei com uma negra ao som das selecoes ragga dos selectas!! Bombaclaat! Me a gwan broda! Todos admirados de eu saber as letras da musica do ziggy, e de rapar as liricas de Eric B e Rakim "Paid in Full".. "You're the man", ouvia no caminho para o dance floor! Mas o melhor estava para vir... quando comeco a ouvir a nossa lingua portuguesa a brotar das colunas do sound system "Puxa la, puxa la... Puxa la, Puxa la..." o ultimo tune dos Cool Hiponoise! Levanto-me, vou a correr para a mesa dos DJs e descubro que sao Mocambicanos! Uma rapariga a servir no bar tambem e! Tem maningue por aqui, brother!! Eheheheh

Poster da festa de reggae.. e os meus anfitrioes em Durban!
O unico calcado que tenho sao umas botas de caminhada (ofereci os meus tenis a um broda no senegal!) e nao dao jeito nenhum para bailar, pelo que as tirei e pedi a uma rapariga russa no bar, para as guardar. Chamava-se Maria, e no dia seguinte, lembro-me que tinha pedido a uma Maria, russa, em Durban para me acolher atraves do couch surfing. Manha seguinte, recebo uma sms e descubro que era ela! O Mundo e pequeno, meu irmao!
Sexta-feira rumo aos picos da Africa do Sul - Drakensberg!
Ate ja!
Um abraco,
vosso
Joao Aguiar
Depois de 5 dias em Pretoria, mudei-me para Durban, a terceira maior cidade da Africa do sul, localizada na costa este, capital da provincia Kwazulu-Natal. - Natal porque Vasco da Gama pos ca o pe no dia de Natal e entao ficou o nome! O povo portugues e grande! Todos os paises africanos por onde passei teem historia escrita por maos portuguesas, e ee triste constatar que, hoje em dia, o estado letargico do povo portugues nao nos deixa sequer escrever a nossa propria historia... Mas este assunto tem pano para mangas, e gostaria de voltar a ele mais tarde... Inch a Lah!
Voltando atras... ate Pretoria, capital administrativa do pais, construida num vale todo rodeado por colinas. Bastante mais historica que a capital comercial, Joanesburgo, o centro de cidade expoe edificios oitocentistas, heranca da colonia holandesa Zuid Africa. Ha zonas a evitar no centro, tal como o bairro Sunnyside, considerado o mais perigoso da cidade, e mal-afamado pelo pais fora... onde estou a dormir!, Riana, a minha anfitria do couch surfing, diz-me que a zona de Sunnyside onde estamos e calma, e de facto assim parece, mas um gajo faz sempre figas e, ao fim do dia espera que tudo corra bem na jornada seguinte.
Pretoria - de dia e de noite
Riana e a embaixadora do couch surfing na Africa do Sul, o que quer dizer que estou instalado na Embaixada! Este seu estatudo nao e para qualquer um, e justifica-se com o simples de facto de durante os 5 dias que la fiquei, ter ido a 4 encontros locais do couchsurfing e ter conhecido 7 membros! Ela esta sempre a organizar encontros, passeios, jantares... Levou-me ao Lion Park, nos arredores de Joburg, onde pude ver os Leoes que nao vi no Kruger Park, e ate pude fazer festinhas a leoes bebes! Foi "maningue nice", dir-se-ia em Mocambique!
Lion park and host @ Pretoria
A cena ficou mais "hectic" (aqui estao sempre a dizer isto, e ee um calao que quer dizer "marado") quando fui dar uma volta a pe de Sunnyside ate aos Union Builiding, onde esta instaladado o governo nacional. Pelo caminho sou varias vezes olhado de alto a baixo, como quem pensa "o que e que este branco faz aqui sozinho?!". Muito poucos brancos andam na rua, mas encontrei alguns no caminho,
o que me deixava sempre um pouco mais descansado... Pah! Sabem bem que nao sou racista, mas a minha ideia e que se nao ha muitos brancos na rua, e em percentagem, eles sao mais ricos que os negros, e porque ha algum perigo nas ruas! "Nao ha fumo sem fogo", diz-se ai na tuga! Tenho esta ideia, tambem, depois de ter ido a varios centro comerciais e restaurantes, onde 70% das pessoas sao brancas. E contudo, falacioso, pois apenas 10% dos sul-africanos sao brancos!
A caminhar para os Union Buildings, encontro um maluco branquela no meio da rua a tirar fotos a tudo o que encontra a sua frente. Nao e facil.. eu, por exemplo, andava com a minha no bolso.. discreto, para evitar problemas. Mais a frente no caminho, num parque rodeado de predios com fachada em tijolo, ao estilo britanico, (que me lembram tambem bairros de New York, que via nos clips de hip-hop quando adolescente... Queens sytle!), encontro jovens brancas a falar na rua. O nivel de stress diminui de novo um pouco. Chegado aos Union Buildings, sou capturado pela esplendida vista sobre toda a cidade. Os "Edificios da Uniao" sao belos, com uma fachada trabalhada ao estilo oitocentista. A voltar a casa, incursando pelo mesmo caminho, encontro de novo as jovens brancas, desta vez a meterem conversa comigo. Afinal sao prostitutas!!! Onde raio e que me fui meter?!
Entre varios olhares enviesados e suspeitos, assedios de prostitutas brancas, sai do Parque de Arcadia e alinhei-me na rua da casa de Riana. (o meu livro-guia Lonely Panet nao lista este parque como uma das zonas a evitar na cidade, mas quando fores a Pretoria, nao ponhas la o pe!) Nao esperava... insconscientemente, fui associando a riqueza neste pais a comunidada branca, mas nao... ja vi sem-abrigos e prostitutas de raca branca. E o estado da "Rainbow Nation", assim lhe chamou Mandela, onde coexistem cerca de 10 tribos negras diferentes - 70%, mulatos - 10%, indianos - 10%, brancos - 10% (aproximadamente.. azzz azzzz!)
Deixo para tras Pretoria no autocarro Translux, rumo a Durban. Tenho a minha espera Catherine e a sua familia, membros do couch surfing. O seu pai e baixista e e um autentico guru musical! Fa de Moody Blues, BB King, Eric Clapton... Assisti a um concerto da sua banda de blues, em Umlhanga, nas cercanias a norte de Durban.
Union Buildings, Pretória. Vista de Durban da praia.
Dias depois mudo-me para a casa de Karl e Adriana, dois jovens irmaos de espirito libertino que me acolhem a 100%. Relaxados, calmos e sabedores. Sabado a noite rumamos a festa de reggae na universidade! Aqueceu, aqueceu o clima! Quando chegamos o dance hall estava parco, mas foi enchendo, enchendo, ate estar full! Sentado na bancada do campo de raguebi, socializavmos com as diferentes comunidadas da "rainbow nation"... grupos de brancos, grupos de negros, grupos de indianos. Travei conversa com os amigos de Karl, estudantes de ciencias sociais, cantei com um grupo de negros "i wanna give you some good good lovin'" de ziggy marley e lauryn hill, e dancei com uma negra ao som das selecoes ragga dos selectas!! Bombaclaat! Me a gwan broda! Todos admirados de eu saber as letras da musica do ziggy, e de rapar as liricas de Eric B e Rakim "Paid in Full".. "You're the man", ouvia no caminho para o dance floor! Mas o melhor estava para vir... quando comeco a ouvir a nossa lingua portuguesa a brotar das colunas do sound system "Puxa la, puxa la... Puxa la, Puxa la..." o ultimo tune dos Cool Hiponoise! Levanto-me, vou a correr para a mesa dos DJs e descubro que sao Mocambicanos! Uma rapariga a servir no bar tambem e! Tem maningue por aqui, brother!! Eheheheh
Poster da festa de reggae.. e os meus anfitrioes em Durban!
O unico calcado que tenho sao umas botas de caminhada (ofereci os meus tenis a um broda no senegal!) e nao dao jeito nenhum para bailar, pelo que as tirei e pedi a uma rapariga russa no bar, para as guardar. Chamava-se Maria, e no dia seguinte, lembro-me que tinha pedido a uma Maria, russa, em Durban para me acolher atraves do couch surfing. Manha seguinte, recebo uma sms e descubro que era ela! O Mundo e pequeno, meu irmao!
Sexta-feira rumo aos picos da Africa do Sul - Drakensberg!
Ate ja!
Um abraco,
vosso
Joao Aguiar
quinta-feira, 6 de março de 2008
Registo #4 - Dakar, Senegal
Dakar, Senegal
Começo este registo com uma auto-crítica: Tenho escrito pouco. Pouco e sem regularidade, sem regra nem disciplina. Tenho que mudar isso, pois tem acontecido tanta coisa dia após dia, e quero poder, para sempre, ler e ressentir um pouco que seja os momentos que vivi. Comprometo-me portanto a escrever um registo de viagem por semana, à quarta-feira. Já é o dia do comprimido da malária e passa também a ser o dia de escrever.
Escrevo de Dakar, capital do Senegal. Um cidade aparentemente pacífica e muito mais segura do que muitas cidades europeias. Paris, por exemplo, onde habitam muitos senegaleses e imigrantes da áfrica ocidental, é de certeza mais insegura, violenta e assustadora do que Dakar. Deixa-me a pensar como arrogância dos países mais poderosos do mundo serve para espezinhar as nações mais pobres, propagandeando que são países de guerra. Parece-me que o dinheiro (ou a falta dele) é um dos principais motivos para o crime. “Onde há probreza, há crime”, várias vezes concluímos em conversas de amigos. Quando a falta dinheiro acontece num ambiente de riqueza, num país com uma economia forte, riqueza abundante, leva com certeza ao crime. São disparidades sociais, que originam sentimentos de inveja e ganância. Em áfrica, especialmente na áfrica negra, a pobreza é geral, a solidariedade maior e a entre-ajuda entre irmãos mais presente. A vontade política é determinante também para o estado da nação, e no Senegal, a estabilidade política e ausência de guerras desde há várias décadas, contribuem para um país pacífico, estável e de solidariedade. Quando se entra no Senegal lê-se num cartaz exatamente estas qualidades, e várias vezes ouvi falar da palavra "Teranga", que descreve exatamente o espírito acolhedor e pacífico dos senegaleses.

Mapa do Senegal. Dakar é a ponta mais à esquerda, a vermelho.
Cheguei a Dakar há uma semana no camião dos dois espanhóis, o Frankenstein, como o batizaram. Eles ficaram instalados na pousada Chez Soukeye, na Baía de Ngor, a zona de praias em Dakar (Carcavelos lá do sítio!). Quando cheguei, contatei o primo de Bourama, um amigo senegalês que conheci no projeto de alfabetização de imigrantes, no Bairro 6 de Maio (www.csb6maio.pt.vu), e que me tinha dado contatos da sua família no Senegal. Djerdjef mon ami! O seu primo Amadou mora em Cambéréne, um bairro periférico de Dakar, numa casa simples, com apenas uma divisão e uma varanda, onde guarda uma galinha de estimação. As casas-de-banho no prédio são em átrios comuns e partilhadas pelos habitantes de cada piso. Ao sair do prédio pisam-se estradas de areia que ligam as ruas do bairro.
Fiquei instalado num colchão no pequeno espaço sobrante da casa de Amadou. Sua casa é pequena, mas viver lá é um pequeno esforço até que sua nova casa, uma vivenda nos subúrbios rurais de Dakar, esteja construída. Com ela pretende iniciar um pequeno negócio hoteleiro, alugando os quartos a viajantes, à semelhança da casa onde os espanhóis ficaram: “Chez Soukeye”. A maior sorte te desejo Amadou! Depois de uma noite um casa de Amadou, percebi que era difícil manter-me instalado por lá, e por isso volvi à zona balnear de Dakar – Ngor, e fiquei na casa de hóspedes que os espanhóis me tinham mostrado. Boa onda, bom vibe se sente neste local.


A mulher, a criança e o homem senegaleses.
Depois de dois dias por lá, deixei as ondas do mar e fui surfar para o sofá! Falei com o David, um rapaz americano do Couch Surfing que está a fazer um trabalho de investigação sobre a SIDA no Senegal. Bem, já passaram 5 dias e conheci os seus vizinhos, os seus amigos, mas nem sinal dele! Anda por Louga no norte do país (boas memórias guardo de lá) a trabalhar no seu projeto. Ele não estava em Dakar para me receber mas deixou-me a porta de sua casa “aberta”. Há boa gente no mundo.
Há dois dias estive em casa de uma amiga de David, a Rozy, uma americana de San Francisco, finalizando a sua tese de doutoramento no Senegal. Cozinhei um “Caril Vegetariano à Moda Portuguesa”, pois ela é vegetariana, para todos os seus amigos. A malta curtiu do pitéu, disseram-me eles. Nessa noite conheci uma italiana que tinha feito Erasmus (programa de intercâmbio universitário europeu) em Lisboa, e o modo como falava da cidade mostrava o encanto que guardava de lá. Foi também bom conhecer o seu namorado, que é brasileiro, e deu para matar um pouco a saudade de ouvir a nossa língua.
No dia seguinte fui explorar a Ilha de Gorée, ao largo de Dakar. Um pequeno pedaço de terra rodeado por água, utilizado por nós, portugueses para reter, classificar e enviar escravos africanos para o “Novo Mundo”. Que episódio negro do nosso passado é esse. Foi um dia amargo, sentindo o aprisionamento e o abuso das vidad de milhares de africanos. O homem branco chegou às suas terras, fez-se amigo deles, capturou-os, separou vidas, família e amores, fez o que quis, e enviou-os para o outro lado do mundo. É forte e triste visitar a casa onde os escravos eram aprisionado e depois triados de acordo com a sua altura e peso, e cruzarem então a “Porta sem Retorno” e serem enviados num navio até às Américas. Homens numa sala, mulheres e crianças noutra. Os homens que têm mais do que 1,70 para um lado, os outros para o outro. Os que pesam mais do que 80 kg para um lado, os outros para o outro. Iam nos barcos os que têm maior altura e mais peso, para poderem sobreviver à dureza da viagem.
Casa dos Escravos - Ilha de Gorée, Dakar.
Porta sem Retorno - Ilha de Gorée, Dakar.
Uma amargura do passado pairou forte em mim ao longo de todo o dia. Sem saber bem porquê senti-me no dever de pedir desculpa pelas atrocidades que o povo de onde eu venho cometeu aos africanos. Pedi desculpa à Magi, senegalesa, amiga da Laura italiana que conheci há dias, e que nos deu uma visita guiada à ilha com tratamento V.I.P. . Sim, digo “nos” pois visitei a ilha juntamente com o Masa e a Oh Jiyon, um jovem casal de viajantes orientais. Reparei neles ao comprar o bilhete de barco e salto à vista que ele tinha uma mochila igual à minha. Não tinha visto nenhuma até então e isso foi o motivo da conversa. Ao conversarmos descobri que estamos todos no Couch Surfing e que eles estavam também hospedados em casa de alguém em Dakar. Eles são boa onda e ele vai rumar também ao sul do Senegal, Casamance e depois ao Mali. Parece que já tenho companhia para a viagem!
Ao final do dia, depois de visitar a ilha, fui ao Mercado Sendaga levantar o Boubou (roupa típica da áfrica ocidental) que tinha encomendado. Vejam as fotos!
Escola de Ngor - Dakar, Senegal.


T-shirt de Portugal na escola. Bou-bou - roupa tradicional da África Ocidental.
Ficam algumas palavras da língua local Wolof:
Djeredjef – obrigado, Nanga def? – como estás?, Magnifiré – muito bem, Hamga – na paz, Djamarek – estás a ver?, Tuti-tuti – um pouco, Alhamdulilah – graças a Alá, Bakha trop – muito bom, Nekhna – bonito, Basubá – ate amanhã, Inch a Lah – Se Deus (Alá) quiser.
E assim chegou ao fim o Lisboa-Dakar 2008, de boleia e em transportes públicos! Parece que afinal não foi cancelado e foi mais ecológico! ahahahah ;)
Abraços, João Aguiar
Música: Youssou N'Dour - Set, Toumani Diabaté - Ya Fama
Leitura: On the Road - Jack Kerouak, Lone Planet West Africa, Lonely Planet Southern Africa
Começo este registo com uma auto-crítica: Tenho escrito pouco. Pouco e sem regularidade, sem regra nem disciplina. Tenho que mudar isso, pois tem acontecido tanta coisa dia após dia, e quero poder, para sempre, ler e ressentir um pouco que seja os momentos que vivi. Comprometo-me portanto a escrever um registo de viagem por semana, à quarta-feira. Já é o dia do comprimido da malária e passa também a ser o dia de escrever.
Escrevo de Dakar, capital do Senegal. Um cidade aparentemente pacífica e muito mais segura do que muitas cidades europeias. Paris, por exemplo, onde habitam muitos senegaleses e imigrantes da áfrica ocidental, é de certeza mais insegura, violenta e assustadora do que Dakar. Deixa-me a pensar como arrogância dos países mais poderosos do mundo serve para espezinhar as nações mais pobres, propagandeando que são países de guerra. Parece-me que o dinheiro (ou a falta dele) é um dos principais motivos para o crime. “Onde há probreza, há crime”, várias vezes concluímos em conversas de amigos. Quando a falta dinheiro acontece num ambiente de riqueza, num país com uma economia forte, riqueza abundante, leva com certeza ao crime. São disparidades sociais, que originam sentimentos de inveja e ganância. Em áfrica, especialmente na áfrica negra, a pobreza é geral, a solidariedade maior e a entre-ajuda entre irmãos mais presente. A vontade política é determinante também para o estado da nação, e no Senegal, a estabilidade política e ausência de guerras desde há várias décadas, contribuem para um país pacífico, estável e de solidariedade. Quando se entra no Senegal lê-se num cartaz exatamente estas qualidades, e várias vezes ouvi falar da palavra "Teranga", que descreve exatamente o espírito acolhedor e pacífico dos senegaleses.
Mapa do Senegal. Dakar é a ponta mais à esquerda, a vermelho.
Cheguei a Dakar há uma semana no camião dos dois espanhóis, o Frankenstein, como o batizaram. Eles ficaram instalados na pousada Chez Soukeye, na Baía de Ngor, a zona de praias em Dakar (Carcavelos lá do sítio!). Quando cheguei, contatei o primo de Bourama, um amigo senegalês que conheci no projeto de alfabetização de imigrantes, no Bairro 6 de Maio (www.csb6maio.pt.vu), e que me tinha dado contatos da sua família no Senegal. Djerdjef mon ami! O seu primo Amadou mora em Cambéréne, um bairro periférico de Dakar, numa casa simples, com apenas uma divisão e uma varanda, onde guarda uma galinha de estimação. As casas-de-banho no prédio são em átrios comuns e partilhadas pelos habitantes de cada piso. Ao sair do prédio pisam-se estradas de areia que ligam as ruas do bairro.
Fiquei instalado num colchão no pequeno espaço sobrante da casa de Amadou. Sua casa é pequena, mas viver lá é um pequeno esforço até que sua nova casa, uma vivenda nos subúrbios rurais de Dakar, esteja construída. Com ela pretende iniciar um pequeno negócio hoteleiro, alugando os quartos a viajantes, à semelhança da casa onde os espanhóis ficaram: “Chez Soukeye”. A maior sorte te desejo Amadou! Depois de uma noite um casa de Amadou, percebi que era difícil manter-me instalado por lá, e por isso volvi à zona balnear de Dakar – Ngor, e fiquei na casa de hóspedes que os espanhóis me tinham mostrado. Boa onda, bom vibe se sente neste local.
A mulher, a criança e o homem senegaleses.
Depois de dois dias por lá, deixei as ondas do mar e fui surfar para o sofá! Falei com o David, um rapaz americano do Couch Surfing que está a fazer um trabalho de investigação sobre a SIDA no Senegal. Bem, já passaram 5 dias e conheci os seus vizinhos, os seus amigos, mas nem sinal dele! Anda por Louga no norte do país (boas memórias guardo de lá) a trabalhar no seu projeto. Ele não estava em Dakar para me receber mas deixou-me a porta de sua casa “aberta”. Há boa gente no mundo.
Há dois dias estive em casa de uma amiga de David, a Rozy, uma americana de San Francisco, finalizando a sua tese de doutoramento no Senegal. Cozinhei um “Caril Vegetariano à Moda Portuguesa”, pois ela é vegetariana, para todos os seus amigos. A malta curtiu do pitéu, disseram-me eles. Nessa noite conheci uma italiana que tinha feito Erasmus (programa de intercâmbio universitário europeu) em Lisboa, e o modo como falava da cidade mostrava o encanto que guardava de lá. Foi também bom conhecer o seu namorado, que é brasileiro, e deu para matar um pouco a saudade de ouvir a nossa língua.
No dia seguinte fui explorar a Ilha de Gorée, ao largo de Dakar. Um pequeno pedaço de terra rodeado por água, utilizado por nós, portugueses para reter, classificar e enviar escravos africanos para o “Novo Mundo”. Que episódio negro do nosso passado é esse. Foi um dia amargo, sentindo o aprisionamento e o abuso das vidad de milhares de africanos. O homem branco chegou às suas terras, fez-se amigo deles, capturou-os, separou vidas, família e amores, fez o que quis, e enviou-os para o outro lado do mundo. É forte e triste visitar a casa onde os escravos eram aprisionado e depois triados de acordo com a sua altura e peso, e cruzarem então a “Porta sem Retorno” e serem enviados num navio até às Américas. Homens numa sala, mulheres e crianças noutra. Os homens que têm mais do que 1,70 para um lado, os outros para o outro. Os que pesam mais do que 80 kg para um lado, os outros para o outro. Iam nos barcos os que têm maior altura e mais peso, para poderem sobreviver à dureza da viagem.
Uma amargura do passado pairou forte em mim ao longo de todo o dia. Sem saber bem porquê senti-me no dever de pedir desculpa pelas atrocidades que o povo de onde eu venho cometeu aos africanos. Pedi desculpa à Magi, senegalesa, amiga da Laura italiana que conheci há dias, e que nos deu uma visita guiada à ilha com tratamento V.I.P. . Sim, digo “nos” pois visitei a ilha juntamente com o Masa e a Oh Jiyon, um jovem casal de viajantes orientais. Reparei neles ao comprar o bilhete de barco e salto à vista que ele tinha uma mochila igual à minha. Não tinha visto nenhuma até então e isso foi o motivo da conversa. Ao conversarmos descobri que estamos todos no Couch Surfing e que eles estavam também hospedados em casa de alguém em Dakar. Eles são boa onda e ele vai rumar também ao sul do Senegal, Casamance e depois ao Mali. Parece que já tenho companhia para a viagem!
Ao final do dia, depois de visitar a ilha, fui ao Mercado Sendaga levantar o Boubou (roupa típica da áfrica ocidental) que tinha encomendado. Vejam as fotos!
T-shirt de Portugal na escola. Bou-bou - roupa tradicional da África Ocidental.
Ficam algumas palavras da língua local Wolof:
Djeredjef – obrigado, Nanga def? – como estás?, Magnifiré – muito bem, Hamga – na paz, Djamarek – estás a ver?, Tuti-tuti – um pouco, Alhamdulilah – graças a Alá, Bakha trop – muito bom, Nekhna – bonito, Basubá – ate amanhã, Inch a Lah – Se Deus (Alá) quiser.
E assim chegou ao fim o Lisboa-Dakar 2008, de boleia e em transportes públicos! Parece que afinal não foi cancelado e foi mais ecológico! ahahahah ;)
Abraços, João Aguiar
Música: Youssou N'Dour - Set, Toumani Diabaté - Ya Fama
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Registo #3 - Mauritânia-Senegal
Saint-Louis, Senegal
Amdulah, Amdulah! (Graças a Deus! em árabe)
A sorte tem sido generosa comigo até aqui. Posso até dizer que a minha fé em Deus aumentou desde que saí de Lisboa. Muito provavelmente também tocado pela forte presença da religião em Marrocos e na Mauritânia. Afinal de contas o nosso Deus é o mesmo deles! Para quê tantas guerras? Enfim, isso é uma outra discussão com pano para mangas...
Cheguei a Noakshott, capital da Mauritânia com os 2 franceses que me deram boleia desde Marrocos, Layoune. Mohamed, do couchsurfing encontrou-se comigo num albergue na cidade. Estava com ele, estava com Deus, percebi em poucos instantes. Instalou-me num quarto que ele próprio aluga para receber amigos seus do couch surfing. Levou-me à casa da sua família, onde me sentei no chão com eles, confraternizando e vendo as notícias e a novela na TV (estão em todo o planeta!). Ofereceu-me peixe grelhado de almoço, improvisámos música com dois baldes, uma guitarra e batendo palmas. Que mais se pode ter numa recepção? Belisquei a pele e senti de novo a realidade do sonho que estou a viver.

Roupa típica da Mauritânia. Pôr-do-sol. Nouakshott, Mauritânia.
O quarto onde pernoito é humilde e fica num subúrbio de Noakshott - Sebkha. O prédio tem um grande átrio de entrada, partilhado pelos seus dois pisos e para o qual todos os quartos são virados. Famílias de quatro e mais pessoas vivem todas num só quarto igual ao meu, com cerca de 4mX4m. Vive-se mal e a áfrica negra está cada vez mais próxima e real.
A tradição do chá é muito forte na Mauritânia. Sentadas no chão, as pessoas reunem-se em torno de um fervedor de água, partilhando o chá em pequenos copos de "shot". É impossível recusar um convite para sentar e tomar um chá, pois tal é visto como ofensivo, e mesmo que se fique impressionado pelo modo como se lavam os copos há que sentar, beber e tentar comunicar mesmo que não falemos a mesma língua! É que, para lavar os copos, apenas os molham na mesma água, não potável, que usaram para lavar, pelos menos o dia todo! O chá é super concentrado e mega doce, e o modo como o preparam é algo único. Ficam vertendo o chá de um copo para outro, com uma mão a um metro de altura da outra, durante vários minutos até que se forme uma espuma no topo do copo. Diferente! É uma tradição cultural e todos os mauritanianos sabem fazer isto. Não quero recusar os convites mas sei também que não posso abusar desta bebida, pois muito provavelmente é feita com água da torneira, ainda que fervida.

Quarto em Nouakshott. Tenda do lado da estrada onde certamente se bebe muito chá.
Durante a noite acordei com o barulho de baratas mexendo as patas por baixo do plástico que cobre o chão do quarto. Antes de me deitar borrifei o quarto com o pesticida Biokill e a meio da noite elas iam aparecendo por baixo do chão de plástico sem mais local para onde ir. Posso dizer que foi uma noite bem "barata" (Comé Xô Barata??) mas mal dormida. O meu visto na Mauritânia estava a acabar em dois dias, e então decidi ficar essas noites noites no Auberge du Sahara. As condições no quarto onde estava não eram as melhores e tinha urgentemente que encontrar alguém que estivesse também a descer até o Senegal. E assim foi! Amdulah!
Dois amigos espanhóis, do País Basco estavam a descer até Dakar! Que bem, que sorte senti ter. Graças a Deus, a Alá, o que quer que seja! Senti sorte. Estava apertado na Mauritânia, sem confiar muito no transporte que teria que fazer até à fronteira e com a maioria do pessoal nos albergues a descer noutras rotas, para o Mali e Burkina Faso. Mas deu certo! Ah ah! Os espanhóis eram muito gente boa. Jantámos juntos, bebemos uns copitos com malta francesa no hostel e rimo-nos muito enquanto tocámos guitarra e djambé pela noite fora... que bien!

Festa no Albergue, com exercícios de equilíbrio à mistura!
Dia seguinte: rumo ao Senegal! E assim foi. Um dia atribulado, desgastante, mas foi possível. Saímos de Noakshott pelas 9h da manhã e chegámos a Rosso, cidade fronteiriça com o Senegal pelas 12h. Miúdos armados em guardas alfandegários apareceram do nada à nossa volta, querendo tratar da nossa papelada para cruzar a fronteira, a troco de uma comissão... por supuesto! Igor, um dos espanhóis vacilou e passou os nossos documentos. Caraças! No final, lá nos safámos e a troco dumas oguyas (moeda da mauritânia). Mas não aconselho que faças o mesmo, se cá vieres. Não dês ouvidos a ninguém que não seja polícia, e reza também para que eles sejam sérios. Tivemos os 3 sorte: Igor, Gregory e eu. A saída da Mauritânia foi um pouco atribulada mas fez-se. O pior estava agora para vir... a entrada no Senegal! De novo, pseudo-alfandegários chegam perto de ti para enganarem, mas é tudo falso. Não dês ouvidos a ninguém nesta fronteira. Fala apenas com polícias e oficiais da alfândega e reza para que tudo corra bem.
Tinham-nos dito que íríamos pagar muito para que o camião onde seguíamos viagem entrasse no Senegal, mas não, correu tudo bem. Pagámos cerca de 4 euros para entrar e cerca de 30 euros pelo seguro. Os pseudo-alfandegários queriam vender por muito mais. De qualquer das formas, é muito dinheiro para os locais. Aproveito também para vos apresentar o Frankenstein, ou antes, Franki, como abreviavam os dois bascos. Camião Iveco, comprado por Igor e Gregory em Espanha, e afinado às ncessidades da viagem: porta-cargas virou roulote, onde tinham uma cama de beliche, um fogão, bancada e vários armários de cozinha. Genial! Tinham tudo ali, viviam ali e eles é que alteraram tudo. Cobriram a estrutura metálica do porta-cargas do camião com espuma (aquela que fica sólida e serva e de isolante entre paredes) e cobriram tudo por fora com a coberta original verde de plástico grosso. O sistema de som estava na cabine e ia até ao quarto. Bombava a toda a hora Peter Tosh em alto som, e era por isso alimentado por quatro baterias! História virá por causa disto... ;)
Frankenstein a.k.a. Franki e Grego, no seu interior preparando o jantar.
Depois de 4 horas na fronteira, atrapalhados por trafulhas e maltrapilhos, e sempre com uma mão no bolso e outra na bolsa à cintura tateando o passaporte, seguimos para St. Loius, bela cidade colonial francesa no norte da costa senegalesa. Poucos kilómetros depois da fronteira, numa paragem para controle policial, a bateria, ou antes as baterias foram-se abaixo! Fomos 7 a empurrar o Franki. Dois polícias, 3 locais que pararam o carro na estrada, o Igor e eu. O Gregory rodava a chave na ingição até o camião ligar. E ligou, ao fim de algumas tentativas. A sua idade de 20 anos já não perdoa, e daqui para a frente viriam mais problemas...
Desta vez, o alternador. Estragou-se, e acomo consequência a bateria não recarrega. O lindo pôr-do-sol no saara no horizonte, e nós se bateria nem alternador! Ah pois, solução: colámo-nos que nem parasitas a uma Toyota Hiace com umas 20 pessoas, que seguia na nossa frente. Suas luzes nos ajudaram na a estrada mais esburacada e menos iluminada do meu Lisboa-Dakar! Fiquei admirado como o pessoal conduzia no Senegal. Bem mais certinho do que em Portugal: a carinha que seguia na nossa frente fazia os piscas sempre que ia curvar. Talvez devido às más condições da estrada, o pessoal fique mais solidário. Foram 80km de Rosso até St. Louis, com algum nervosismo, mas também firmeza e otimismo. Temos que estar assim! "Tudo vai pelo melhor", me dizia o Igor várias vezes ao longo da viagem e assim foi. Amdulah!

Pôr-do-sol no Saara, Senegal.
Chegados a St. Louis, ligámos a um amigo de um amigo dos espanhóis. Ele recebeu-nos como se fosse um hotel de cinco estrelas. Ofereceu-nos uma enorme travessa de frango e cus-cus, deu um quarto enorme com casa-de-banho e ar condicionado a cada um de nós, deixou-nos usar a internet e ainda nos ajudou a arranjar o camião no dia seguinte. E nenhum de nós, o conhecia pessoalmente antes de chegar a St. Louis. "Quando a esmola é muita, o pobre desconfia" e até fico a filmar se este homem não tem negócios ilícitos em Espanha com o amigo dos espanhóis! Sei lá, me perdoem se estou a falar asneira!

Anfitrião em St. Louis, Grego, Igor e eu.
Bom, tem tudo corrido mais do que bem até aqui. Uma verdadeira caixa de surpresas, tem sido esta viagem. Hoje rumamos a Dakar, a última etapa! INCH A LAH!
Um abraço do vosso amigo,
João Aguiar
Música: Peter Tosh - Legalize it, Manu Chao - El viento
Leitura: Lonely Planet West Africa
Amdulah, Amdulah! (Graças a Deus! em árabe)
A sorte tem sido generosa comigo até aqui. Posso até dizer que a minha fé em Deus aumentou desde que saí de Lisboa. Muito provavelmente também tocado pela forte presença da religião em Marrocos e na Mauritânia. Afinal de contas o nosso Deus é o mesmo deles! Para quê tantas guerras? Enfim, isso é uma outra discussão com pano para mangas...
Cheguei a Noakshott, capital da Mauritânia com os 2 franceses que me deram boleia desde Marrocos, Layoune. Mohamed, do couchsurfing encontrou-se comigo num albergue na cidade. Estava com ele, estava com Deus, percebi em poucos instantes. Instalou-me num quarto que ele próprio aluga para receber amigos seus do couch surfing. Levou-me à casa da sua família, onde me sentei no chão com eles, confraternizando e vendo as notícias e a novela na TV (estão em todo o planeta!). Ofereceu-me peixe grelhado de almoço, improvisámos música com dois baldes, uma guitarra e batendo palmas. Que mais se pode ter numa recepção? Belisquei a pele e senti de novo a realidade do sonho que estou a viver.
Roupa típica da Mauritânia. Pôr-do-sol. Nouakshott, Mauritânia.
O quarto onde pernoito é humilde e fica num subúrbio de Noakshott - Sebkha. O prédio tem um grande átrio de entrada, partilhado pelos seus dois pisos e para o qual todos os quartos são virados. Famílias de quatro e mais pessoas vivem todas num só quarto igual ao meu, com cerca de 4mX4m. Vive-se mal e a áfrica negra está cada vez mais próxima e real.
A tradição do chá é muito forte na Mauritânia. Sentadas no chão, as pessoas reunem-se em torno de um fervedor de água, partilhando o chá em pequenos copos de "shot". É impossível recusar um convite para sentar e tomar um chá, pois tal é visto como ofensivo, e mesmo que se fique impressionado pelo modo como se lavam os copos há que sentar, beber e tentar comunicar mesmo que não falemos a mesma língua! É que, para lavar os copos, apenas os molham na mesma água, não potável, que usaram para lavar, pelos menos o dia todo! O chá é super concentrado e mega doce, e o modo como o preparam é algo único. Ficam vertendo o chá de um copo para outro, com uma mão a um metro de altura da outra, durante vários minutos até que se forme uma espuma no topo do copo. Diferente! É uma tradição cultural e todos os mauritanianos sabem fazer isto. Não quero recusar os convites mas sei também que não posso abusar desta bebida, pois muito provavelmente é feita com água da torneira, ainda que fervida.
Quarto em Nouakshott. Tenda do lado da estrada onde certamente se bebe muito chá.
Durante a noite acordei com o barulho de baratas mexendo as patas por baixo do plástico que cobre o chão do quarto. Antes de me deitar borrifei o quarto com o pesticida Biokill e a meio da noite elas iam aparecendo por baixo do chão de plástico sem mais local para onde ir. Posso dizer que foi uma noite bem "barata" (Comé Xô Barata??) mas mal dormida. O meu visto na Mauritânia estava a acabar em dois dias, e então decidi ficar essas noites noites no Auberge du Sahara. As condições no quarto onde estava não eram as melhores e tinha urgentemente que encontrar alguém que estivesse também a descer até o Senegal. E assim foi! Amdulah!
Dois amigos espanhóis, do País Basco estavam a descer até Dakar! Que bem, que sorte senti ter. Graças a Deus, a Alá, o que quer que seja! Senti sorte. Estava apertado na Mauritânia, sem confiar muito no transporte que teria que fazer até à fronteira e com a maioria do pessoal nos albergues a descer noutras rotas, para o Mali e Burkina Faso. Mas deu certo! Ah ah! Os espanhóis eram muito gente boa. Jantámos juntos, bebemos uns copitos com malta francesa no hostel e rimo-nos muito enquanto tocámos guitarra e djambé pela noite fora... que bien!
Festa no Albergue, com exercícios de equilíbrio à mistura!
Dia seguinte: rumo ao Senegal! E assim foi. Um dia atribulado, desgastante, mas foi possível. Saímos de Noakshott pelas 9h da manhã e chegámos a Rosso, cidade fronteiriça com o Senegal pelas 12h. Miúdos armados em guardas alfandegários apareceram do nada à nossa volta, querendo tratar da nossa papelada para cruzar a fronteira, a troco de uma comissão... por supuesto! Igor, um dos espanhóis vacilou e passou os nossos documentos. Caraças! No final, lá nos safámos e a troco dumas oguyas (moeda da mauritânia). Mas não aconselho que faças o mesmo, se cá vieres. Não dês ouvidos a ninguém que não seja polícia, e reza também para que eles sejam sérios. Tivemos os 3 sorte: Igor, Gregory e eu. A saída da Mauritânia foi um pouco atribulada mas fez-se. O pior estava agora para vir... a entrada no Senegal! De novo, pseudo-alfandegários chegam perto de ti para enganarem, mas é tudo falso. Não dês ouvidos a ninguém nesta fronteira. Fala apenas com polícias e oficiais da alfândega e reza para que tudo corra bem.
Tinham-nos dito que íríamos pagar muito para que o camião onde seguíamos viagem entrasse no Senegal, mas não, correu tudo bem. Pagámos cerca de 4 euros para entrar e cerca de 30 euros pelo seguro. Os pseudo-alfandegários queriam vender por muito mais. De qualquer das formas, é muito dinheiro para os locais. Aproveito também para vos apresentar o Frankenstein, ou antes, Franki, como abreviavam os dois bascos. Camião Iveco, comprado por Igor e Gregory em Espanha, e afinado às ncessidades da viagem: porta-cargas virou roulote, onde tinham uma cama de beliche, um fogão, bancada e vários armários de cozinha. Genial! Tinham tudo ali, viviam ali e eles é que alteraram tudo. Cobriram a estrutura metálica do porta-cargas do camião com espuma (aquela que fica sólida e serva e de isolante entre paredes) e cobriram tudo por fora com a coberta original verde de plástico grosso. O sistema de som estava na cabine e ia até ao quarto. Bombava a toda a hora Peter Tosh em alto som, e era por isso alimentado por quatro baterias! História virá por causa disto... ;)
Frankenstein a.k.a. Franki e Grego, no seu interior preparando o jantar.
Depois de 4 horas na fronteira, atrapalhados por trafulhas e maltrapilhos, e sempre com uma mão no bolso e outra na bolsa à cintura tateando o passaporte, seguimos para St. Loius, bela cidade colonial francesa no norte da costa senegalesa. Poucos kilómetros depois da fronteira, numa paragem para controle policial, a bateria, ou antes as baterias foram-se abaixo! Fomos 7 a empurrar o Franki. Dois polícias, 3 locais que pararam o carro na estrada, o Igor e eu. O Gregory rodava a chave na ingição até o camião ligar. E ligou, ao fim de algumas tentativas. A sua idade de 20 anos já não perdoa, e daqui para a frente viriam mais problemas...
Desta vez, o alternador. Estragou-se, e acomo consequência a bateria não recarrega. O lindo pôr-do-sol no saara no horizonte, e nós se bateria nem alternador! Ah pois, solução: colámo-nos que nem parasitas a uma Toyota Hiace com umas 20 pessoas, que seguia na nossa frente. Suas luzes nos ajudaram na a estrada mais esburacada e menos iluminada do meu Lisboa-Dakar! Fiquei admirado como o pessoal conduzia no Senegal. Bem mais certinho do que em Portugal: a carinha que seguia na nossa frente fazia os piscas sempre que ia curvar. Talvez devido às más condições da estrada, o pessoal fique mais solidário. Foram 80km de Rosso até St. Louis, com algum nervosismo, mas também firmeza e otimismo. Temos que estar assim! "Tudo vai pelo melhor", me dizia o Igor várias vezes ao longo da viagem e assim foi. Amdulah!
Pôr-do-sol no Saara, Senegal.
Chegados a St. Louis, ligámos a um amigo de um amigo dos espanhóis. Ele recebeu-nos como se fosse um hotel de cinco estrelas. Ofereceu-nos uma enorme travessa de frango e cus-cus, deu um quarto enorme com casa-de-banho e ar condicionado a cada um de nós, deixou-nos usar a internet e ainda nos ajudou a arranjar o camião no dia seguinte. E nenhum de nós, o conhecia pessoalmente antes de chegar a St. Louis. "Quando a esmola é muita, o pobre desconfia" e até fico a filmar se este homem não tem negócios ilícitos em Espanha com o amigo dos espanhóis! Sei lá, me perdoem se estou a falar asneira!
Anfitrião em St. Louis, Grego, Igor e eu.
Bom, tem tudo corrido mais do que bem até aqui. Uma verdadeira caixa de surpresas, tem sido esta viagem. Hoje rumamos a Dakar, a última etapa! INCH A LAH!
Um abraço do vosso amigo,
João Aguiar
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