quarta-feira, 29 de abril de 2015

Transgénicos Fora


Caros e Caras,

Não posso deixar de intervir sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM), vulgarmente conhecidos como Transgénicos, pois este tema é-me caro e já sobre ele me debato há vários anos, um década talvez.

E quanto a ele afirmo que:

Há provas científicas, ou seja irrefutáveis, i.e. não são questões ideológicas, políticas, interpretativas nem sociais, mas sim de ciências exactas, de que:
1) As plantações não transgénicas são mais rentáveis do que as transgénicas, ou seja, produz-se mais comida com sementes não transgénicas do que o contrário;
2) A ingestão de OGM provocou em ratos, problemas de infertilidade, e problemas renais - "vide" artigos científicos do Seralini;
3) Que o glifosato, o herbicida exclusivo para se poder plantar sementes transgénicas, provoca Cancro - "vide" recente missiva da OMS - Organização Mundial da Saúde.




Sobre isso, acresce que, e a título debatível, por não haver factos exactos, mas opiniões formuladas, com base no bom-senso e/ou na lei que:
4) Pelo princípio da precaução, um dos princípios basilares da União Europeia, e de muitas Constituições, não se deve deixar trilhar o caminho dos transgénicos, pois ele pode hipotecar gerações inteiras, havendo um risco de irreversibilidade nos danos por ele causados na Saúde Pública Humana, Animal e Vegetal. Logo deve aguardar-se mais tempo, vinte ou trinta anos, para se comprovar se os OGM são, talvez, logo se verá, efetivamente seguros. Até lá, ficam fora do mercado;
5) Os OGM não resolvem o problema da fome no mundo. Ver ponto 1 e considerar que são um negócio e não uma Acção de Caridade como por vezes as Multinacionais Agroalimentares dedicadas aos OGM fazem crer;
6) A vida não é patenteável! As empresas de transgénicos fazem pequenas alterações em seres vivos, ou vão buscá-los a lugares remotos como a Amazónia, para depois os patentearem. A vida é registável como sendo de alguém? Se sim, a partir desse momento, sempre que quisermos plantar algo, por exemplo uma semente desse ser vivo, temos que pagar um imposto a essas empresas! E pior, se não o fizermos podemos ser processados em Milhões de Dólares. Há o problema também da polinização cruzada que é incrontrolável. Pesquisar sobre um agricultor americano que foi processado pela Monsanto por, sem ele saber estar a crescer Milho, cujas sementes foram transportados de um campo anexo ao seu, e ele não poder controlar a ação dos Agentes Erosivos.

É estranho, anti-natural, uma negociata autêntica, um vexame à natureza, aos povos, aos guardiões de sementes, e como tal deve ser proibido. Que é, FYI, o que já está a acontecer pela Europa, América Latina e Ásia fora.

Mais informações:
www.stopogm.net - Plataforma Transgénicos Fora!
Uma plataforma portuguesa que luta pelo nosso país livre de transgénicos


Se alguém quiser posso recomendar Biblio e Filmografia sobre este tema, para evitar a maior proliferação de questões erróneas...

Saudações ecológicas!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Madrid em 24 Horas

Crónica publicada em www.jornaldinamo.com/wp/madrid-em-24-horas/

Já passava das cinco da manhã quando entreabri os olhos e esbracejei do colchão para fora até alcançar o despertador digital e desligar o som. “Vamos! Já passa da hora.” Dentro de poucos minutos estávamos no carro e a caminho de Madrid. Íamos os dois celebrar o 14 de Fevereiro mas também visitar o meu irmão que agora está por lá a viver.

Banhado pela aurora matutina, o montado alentejano prolongava-se belo e familiar, desde a nossa margem sul do Tejo até para lá de Elvas. A estrada seguia sempre calma, naquele sábado de manhã. A fronteira já não existia e ainda me admirava como se não o soubesse já de antemão. Confesso que receava algum motivo prepotente para pararem o meu carro. Se a polícia em Portugal é desmedida e desproporcional, nunca se sabe como será a do país vizinho. São cada vez mais síncronas, e as diferenças entre os dois povos não são assim tantas. Deve destacar-se que as auto-estradas por lá não são pagas, e isso, numa viagem já faz a diferença.

Já passava das duas da tarde na hora local, quando transitávamos num dos bairros mais chiques de Madrid, ou como se diz por lá, um dos mais “pirros”. As ruas, as fachadas e as pessoas estavam bem arranjadas. Impressionou-me que os peões assumiam o protagonismo da estrada, dado os passeios serem largos, por haver apenas um sentido automóvel, e mais importante ainda, devido aos veículos só poderem circular a 30 quilómetros por hora, máximo. Zona de velocidade reduzida.

O meu irmão aguardava uma leva de instrumentos musicais que lhe prometera levar. Em complemento ao seu trabalho integral, dedicava-se à música, a sua paixão verdadeira e de longa data. À hora de almoço, era impossível não petiscarmos algo onde ele trabalhava. Tempo apenas para ir até ao nosso Hotel, ali ao lado sito no mesmo bairro, fazer o “check-in” e regressar. Depois de petiscarmos uma tarte de bacalhau acompanhada de uma “caña”, e rematar com um pastel de Nata, Lisboa estava definitivamente para trás e doravante aguardava-nos Madrid.

Ao caminhar até à estação de metro mais próxima, “Vergara” o vento frio e cortante já se fazia sentir no rosto. O “barbeiro” como se diz no norte e se lembrava a Sofia. A cidade situa-se num planalto, sensivelmente na latitude do Porto e está rodeada no horizonte de montanhas repicadas de neve. As ruas mesmo frias conquistavam-me grandes e organizadas que eram. Assim como o Metro, abrangente e funcional, não obstante as estações e as carruagens serem mais espartanas e pragmáticas do que as da nossa cidade natal.

A estação que mais nos deixa no centro chama-se “Sol”, local das famigeradas e revolucionárias acampadas de 2010 e 2011, réplica das do Rossio em Lisboa, refira-se também. Ali, mais do que noutro lugar da urbe, sentia-se o bulício citadino de uma cidade de seis milhões, também em processo de auto-análise política e social. Várias vozes se faziam reclamar na via pública. Por exemplo os movimentos depois assumidos como partidos “Podemos”, ou a sua contra-versão “Ciudadanos”, etc. Mas o Carnaval ainda ludibriava muito as atenções de causas políticas.

Desde as “Puertas del Sol” caminhámos ao todo por duas ou três horas. “Calle Mayor” abaixo, até à respetiva “Plaza Mayor”, enclaustrada por firmes fachadas vermelhas, o tom nacional, e que nos eram recordação de um imaginário construído de imagens televisivas e de vetustas memórias.

Como este fim-de-semana era também de Carnaval, julgámos nós que por isso, havia vários artistas locais que tentavam pregar sustos aos mais incautos. No centro da Plaza Mayor, malabaristas, estátuas humanas e carnavalescos mascarados cirandavam por entre nós, constituindo o centro das atenções daquela bela praça. Logo ali ao lado encontrámos o Mercado de San Miguel, arrebatado por dentro e ladeado por esguias, atraentes e ajeitadas ruas, relembrando algo de Alfama.

No início da nossa caminhada, ainda junto à Praça, deparámo-nos com a invulgar vitrina do “Museu del Jamón Ibérico”. Um amontoado de pernas fumadas de porco, expostas como se de um talho se tratasse. Mas claro que o paladar desta iguaria, tão singular que é pela região ibérica, merece o Museu. Apenas discutiria a sua forma.

Ao fim da avenida principal depara-se com um palácio gigante, possante, até desmedido e exagerado. Como se arranjou espaço para isto? Perguntava-me. Fomos passeando em vez de questionar. De frente para ele, está também a Igreja Catedral da cidade, ponto de onde se avista a extensão urbana sobre um dos ângulos de Madrid. Vadeando o Palácio Real, no qual os atuais reis rejeitaram viver, por ser um excesso de opulência e uma incoerência num país que atravessa também, embora menor, uma crise económica.

Os seus jardins conquistaram-nos por serem abertos ao público, singelos, harmoniosos e nos permitirem tirar uma boa fotografia, cartão postal da cidade. Um simpático casal de Madrilenses acercou-se para me perguntar se queria uma fotografia. Momento de diálogo ecuménico que acabou por ser uma troca de registos fotográficos no “iPhone” de cada um.





Museu Nacional - Centro de Arte - Reina Sofia
De novo no Metro, fizemo-nos valer de um bilhete de 10 viagens, possível de ser partilhado por vários passageiros. Seguimos até à estação “Atocha”, a mesma onde os bárbaros atentados de 11 de Março de 2004 sucederam. Aposto à gare, está o “Museu Reina Sofia”, ao qual por desempate demos primazia sobre o Museu do Prado. Por ser um centro de arte moderna, por ter várias obras de artistas famosos como Salvador Dali, Pablo Picasso, Joan Miró, entre outros mais. Para além disso, apresenta um misto arquitetural de novo e antigo, em duas zonas distintas por onde lá se pode visitar arte. E por termos apenas 24 horas!


No regresso, fomos repastar-nos com um lanche num café / “snack”, momento em que tivemos uma primeira altercação. Sempre dei o meu melhor para comunicar num castelhano o mais completo e percetível que podia, mas não sei se por se notar alguma distonia sonora, se por antipatia crónica, os modos com que nos atenderam nesse lanche e no pequeno-almoço seguinte, deixaram a desejar e colocaram-nos a refletir. Na mesa da janela, contemplava os urbanos locais a circularem nas suas ruas. Estava longe de casa, a cerca de 800 quilómetros, mas ao mesmo tempo eram-me todos algo familiares aqueles semblantes. Mas no fundo falavam outra língua, viam outras notícias, votavam noutros sistemas, e tinham várias origens diferentes. Aí sentia a Madrid cosmopolita, diversa, mesclada.

Logo à saída do Metro, atentara num grupo de jovens ativistas, que ultimavam cartazes de manifestação, pareceu-me de relance que seriam pela liberdade sexual, contra o tradicional dia de São Valentim. Pouco depois, enquanto comíamos uma parca tosta e um chá de “manzanilla” no tal café / “snack”, do outro lado da rua, já se reuniam mais manifestantes. E a polícia municipal já condicionava o trânsito, naquela que é uma das mais movimentadas praças da cidade. No dia seguinte, novamente esta praça estaria interdita devido a um marcha de protesto.

De retorno às carruagens do metro, ecoavam duas vozes, uma masculina que tonitruava estereofonicamente “Próxima Estación”. E uma feminina que logo de seguida anunciava mais singela o nome da estação: “Príncipe de Vergara”. Já não me surpreendia e até despoletava boas memórias, dos “skits” do Manu Chao no seu segundo álbum a “solo”, assim como do do metropolitano de Barcelona.

De regresso, tínhamos que agilizar o jantar, processo que demorado, paciente e indeciso, acabou, como sempre, por se resolver a ele mesmo. Acabámos no bairro de “Salamanca”, num restaurante não programado, depois de algumas tentativas goradas, a jantar carnes grelhadas, acompanhadas de pão branco espanhol e vinho da região demarcada “La Rioja”. A Sofia, o meu irmão e eu, na ampla cave do restaurante “Olvido” também ele “pirro”, não fossemos estar na área do estádio Santiago Barnabéu, do Real.

O melhor da noite ainda estaria para vir, pois era o motivo da nossa deslocação até aquele bairro. O meu irmão ia depois subir ao palco para tocar guitarra numa “jam session” de “blues”. Os dois “solos” de guitarra que nos presenteou foram complexos e dignos de registo. De regresso ao Hotel de táxi, a chuva de pingos frios fez-se sentir numa Madrid molhada em noite de romance.

No dia seguinte, as “calles” asseadas, o ceú limpo e sol impeliram-nos até à Praça “Colón”, onde está a homenagem ao Cristóvão Colombo, aí claro reclamado espanhol e não português de Cuba. De lá avistámos a Praça “Cibeles”, onde tantas vezes se gravam as peças dos enviados especiais da televisão. Com objetivo em mente de aí ingressar num autocarro turístico, aguardámos na paragem ali mais próxima. Os bilhetes não eram convidativos, pelo seu preço e pelos vários cortes no trajeto habitual devido às manifestações no centro. Mas aguardámos na paragem. Um numeroso grupo familiar espanhol apoderou-se do espaço na paragem, passando-nos à frente, e quando o autocarro chegou, subiram primeiro. Quando chegou a nossa vez de comprar os bilhetes a motorista pergunta-me: “Están com esta familia?” Ao que retorqui com a verdade. Momento então que me dizem que já não há lugares. O embate foi desnecessário e injusto, pois fica a estupidez no ar derivada de se que fizéssemos parte do grupo, então já haveria lugar para mais dois. A matemática não pode enganar. E claro que não recomendo este serviço turístico da cidade. De todo. Por dois motivos: - Primeiro porque só existe praticamente um serviço que resulta de uma parceria entre duas das maiores empresas de transporte de pessoas em Espanha. Ou seja, não há concorrência ao contrário de Lisboa; - Depois porque o preço é exorbitante. Além do mais, muitos hotéis só sabem dar informações sobre este serviço. Poderia ser por ser bom, mas não. Antes parecia um suave cartel.

Achara que o áudio-guia que se ouve neste transporte valeria a pena, mas novamente o péssimo atendimento ao turista da cidade, impele-me a desaconselhar. Como alternativa, e como já eram quase as 14 horas locais, pegámos no carro e seguimos nós o trajeto demarcado no mapa do prospeto daquela mesma empresa. Numa lógica “faça você mesmo” que confesso, me devia ter logo lembrado.

No fim, à saída da cidade, procurámos com paciência, tempo e cuidado a saída certa da radial mais interna da cidade, a M30, para a auto-estrada A5-E90 que cruzando alguns parques de energia solar pelo caminho, nos levaria de novo à fronteira, demarcada pelo Rio Guadiana que corre incessante sobre a Ponte José Saramago.

O regresso às portagens, à condução desregrada, à crise social aguda de valores materiais e intangíveis, ao trabalho e à resmunguice. Um fim-de-semana de alinhamento com as viagens, com as minhas paixões, e o meu irmão emigrado dentro de uma união de estados agora sem fronteiras. No fim de contas sentia-me viajado por entre um ambiente fraterno. Retinia a ideia que um amigo meu me dissera semanas antes: “na península ibérica somos principalmente influenciados pela cultura moçárabe”. E acrescentaria eu, apartados por reinados, interesses comerciais e pela legítima auto-determinação, mas também unidos por um passado partilhado de coexistência tanto como de embates entre islâmicos e católicos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Qual é a diferença entre mim e um grego?

Crónica publicada no Jornal Dínamo 04 de Fevereiro de 2015
www.jornaldinamo.com/wp/qual-a-diferenca-entre-mim-e-um-grego


No ensino obrigatório, os gregos estudaram a República de Platão, os Tratados de Geometria de Euclides, os pensamentos de Sócrates, o original, e estudaram a organização democrática da sociedade assim como os pilares do pensamento e das sociedades modernas.

Em Portugal, no ensino obrigatório, eu estudei e com muita fruição, “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, “Os Maias” de Eça de Queiroz e o “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garret, entre outros mais.

Agora tirem-se as conclusões.
Somos diferentes? Somos. Sem dúvida.

Os Gregos têm muito mais cultura democrática, republicana e filosófica do que nós? Sim. Sem sombra para dúvidas.

Os Portugueses vêem as oportunidades passarem-lhes ao lado, porque não exercem com inteligência, racionalismo e convicção o seu direito de decidir os destinos da nação ao votar de quatro em quatro anos?
Sim, é verdade.

Foto de George Rex
Creative Commons























A massa maioritária do eleitorado português é masoquista e gosta de votar, sem qualquer racionalismo e sem questionar, sempre nos mesmos que ao longo das décadas não têm defendido com veemência e democracia os interesses do povo de Portugal?
Sim, a massa lusitana é masoquista e gosta de fazer os mesmos erros várias vezes. Muitos dos votos são mesmo escolhidos com base no clubismo, assim como um benfiquista é inquestionavelmente desse clube até morrer.

O eleitorado grego foi racional, e decidiu desta vez, por exclusão de partes. Tal como no concurso “Quem Quer Ser Milionário”. Ora vejamos como terá pensado um/uma grego/a nas vésperas das eleições:

A hipótese A “PASOK”, nem pensar, dessa tenho a certeza que não. E o resultado ficou à vista: 4% dos votos. Passou de uma maioria a 4% em menos de 5 anos.

A hipótese B “Nova Democracia” já lá esteve também, só piorou a situação social, mais pessoas emigraram do país, mais desemprego jovem, e pior do que isso, continuou a não defender os interesses da Grécia na UE, sempre adoptando uma política de servilismo burro, incondicional e que não questiona ou renegoceia nada.

A hipótese C “Syriza” é a que sobra. Até que tem gente credível. No programa deles, têm propostas razoáveis, dizem que nos vão defender. E nós vimos no Parlamento Europeu que eles nos defendem mesmo. Então vamos votar neles!

Então, minhas amigas e meus amigos portugueses e portuguesas,
do que é que estamos à espera? A resolução de ano novo para 2015 é começar já a preparar o voto para o próximo Setembro/Outubro. Só estamos à espera que senhor Aníbal comunique a data do sufrágio. E desta vez, vamos com racionalismo. Não vamos cometer o mesmo erro duas vezes!


Crónica publicada no Jornal Dínamo 04 de Fevereiro de 2015
www.jornaldinamo.com/wp/qual-a-diferenca-entre-mim-e-um-grego

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Viagem Pessoal

1)

Não interessa o que eles foram
Nem tão pouco o que és.
Portugal é saudade,
Emoção e rigidez.

À teimosia, ignorância
e prepotência
É-lhes dado o espaço para
conquistarem a sociedade.

Ao sentimento, amor
e à liberdade,
é-lhes reservado o papel
de ingratidão, para ripostarem.

Sociedade nossa,
dividida em duas,
e cada vez mais,
bipolarizada.

E o diálogo,
entendimentos,
os sorrisos,
o comprometimento?



2)

Quando nascemos
de nós, nada sabemos.
E quando crescemos
assim nos mantemos.

As noites, as manhãs
e os dias vão-nos moldando
ao nosso próprio corpo,
e assim aprendemos.

Semblante que ganhas
o tom das mesmas palavras
que proferes
e dos olhares que diriges.

Íris que adquires
as tonalidades
de todas as
quatro estações

A sociedade consegue
ser fria,
má juíza e
vingativa.



3)

E na verdade,
não se quer
estar cá para
assistir a isso.

As tempestades por vezes
vêm direito a nós
e pouco ou nada
podemos fazer.

Pouco mais resta
do que escrever.
O sentir, as emoções,
e a comoção.

Ser livre de pensar,
espalhar
e gritar ao mundo
que somos livres de ser livres.



4)

Mas nem tudo é mau.
O que está meio bem
Também está meio mau.

Os meus pais são belos,
exemplares, humanos e irrepreensíveis.
Como lhes gabo as capacidades
Como os admiro, repleto de amor.

Todos vimos de lá.
De uma família, um berço,
do amor criacional
que nos nutre de bem-estar e auto-estima.

Todos vimos de lá,
desse amor
incondicional
que nos mantém vivos.

Todos vimos de lá,
e no final de contas,
não somos mais do que poeira
oriunda das estrelas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O que se passa em Portugal?

Notícias, pessoas, conversas. Passeios no Jardim da Estrela, ao centro de Lisboa. Um frenezim, melancolia e estática. Ao ver as notícias, as pessoas e o mundano, tudo continua igual. Mas cada dia que passa sei que estou certo. Sei que a governação deste país é cronicamente inviável, difícil e muito desempoderadora. 

Há uns anos atrás, numa altura em que visitava uma quinta nas serras algarvias, um alemão cientista auto-didacta (quer isto dizer que desenvolvia tecnologia de plasmas na sua pequena casa na montanha!), e lá a viver há mais anos do que os que estou vivo, me dizia: “Vocês portugueses têm um problema de confiança. Têm medo de conseguir!” E sim, sem dúvida. Cada vez mais concordo com ele. Temos que nos impôr. E sim, cabe-nos mudar a situação atual. É o desafio da nossa geração, de romper com estas teias de mendicidade europeia, a que nos temos agrilhoado ao longo das últimas décadas. 

As pessoas são o essencial em Democracia. Relembrando a etimologia desta palavra, temos “Demos” e “Cratos” em grego. O poder do povo. Mas sabemos que se passa o contrário. Um povo, uma classe política e um país subjugados ao dinheiro, ao lucro, à necessidade de as empresas criarem o capital, do qual, claro está, apenas uma ínfima parte é para pagar os rendimentos dos assalariados. O grande problema disso, é que é negligenciada uma importante parte da equação: as pessoas. Os portugueses não são empoderados. Porque poucas vezes se lembram deles. A começar pelos políticos, depois a continuar pelos próprios portugueses, que poucas se vezes se lembram uns dos outros, enquanto grupo, enquanto colectividade, enquanto povo soberano do seu destino, e claro, porque muitas vezes, nós mesmos, não nos lembramos de nós também. O tempo, o dinheiro, a família, os amigos, o trabalho, os superiores, as notícias. A vida pode dar-nos a felicidade, mas a quantos portugueses é que ela bate à porta?

Neste momento, a nós portugueses, não diria “Sim, podemos”, até porque essa linha tem direitos de autor, e para copiar, os espanhóis já usaram isso num partido da sua sociedade civil. Diria antes, “Portugueses, do que é que estamos à espera?!!!” Não temos que seguir fulano ou fulana. Apenas temos que nos seguir a nós mesmos. Dentro de nós temos a resposta a tantas questões. É a nossa inteligência tanto racional como intuitiva que deve reger as nossas acções e não a de mais ninguém. Se isso não estiver a acontecer, é porque o poder está agregado em excesso, e é porque a nossa opinião está a ser posta de lado, nem sequer indagada.

Nos dias que correm, o grau de instrução dos jovens, mesmo ao nível do ensino obrigatório, permite analisar e decidir o quotidiano com um grau de conhecimento muito acima do que havia há algumas décadas atrás em Portugal, na Europa e no Mundo. No passar dos dias, vão-nos pedindo coisas que não achamos correctas. E claro que há coisas e coisas, e temos que ponderar o seu real valor. Mas não podemos aceitar o que vai para além do razoável. A tua voz conta. E a voz do teu pensamento. A frustração de ir para casa com ideias que não foram expostas ou debatidas, não vale a pena, e na espuma dos dias, degrada este país. Levantemos a nossa voz. Pensamento já o temos. Confia em ti.

Foto de Pete

Foto com licença Creative Commons para Pete - www.flickr.com/photos/comedynose/4643185598

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Programa de Rádio - A Chegada

Programa sobre o dia da chegada a Lisboa. Foram os últimos momentos do périplo ao mundo, ao fim de 19 meses em viagem.

Para este programa convidei familiares e amigos,
para deixarem o seu testemunho.  Também poderás ouvir reportagens que passaram na TV, sobre este projeto. Convidei também o Rodrigo da loja Bivaque, onde comprei uma boa parte do equipamento.

Brevemente, serão publicados todos os programas de rádio, e está neste momento em preparação um livro sobre esta Volta ao Mundo. Em breve nas livrarias!

Bom programa, Boa viagem!
Beijinhos e abraços, 
João



segunda-feira, 9 de abril de 2012

Poema - Primeira Jornada

Dia de chuva em Lisboa
Dia de Carnaval no Mundo
E eu com vontade de viajar à toa
Aprender, conhecer-me a fundo

Quando saí de casa, em mim não acreditaram
Viram-me a sair e depressa exasperaram
Antes de fechar a porta, desejaram-me boa sorte
E esperaram também que passe depressa este corte

Rumei a Foros de Amora
O meu destino por agora
E quando lá chegado ergui o polegar
e logo comecei a perguntar

Até que um casal,
que voltava para Espanha
Me deu boleia,
sem me conhecer nenhuma façanha

Próxima paragem: Andaluzia
Com um passeio pelo meio em Sevilha
E não sei se foi do azar ou da sorte
Mas nesta cidade também me tornei mais forte

Quando um grupo de agentes me apanhou desprevenido
Encostou-me à parede e deixou-me em sentido
Revistaram-me de alto a baixo e pediram-me identificação
Fiz-me difícil e primeiro disse-lhes que não

No final de contas, eu estava legal
pois eu sou um viajante do vizinho Portugal
Ainda me perguntaram para onde é que eu ia
E no final um deles para a viagem me advertia

Chegado ao destino, constato o que se diz
“que em toda a Espanha, o melhor Carnaval é o de Cadiz”
Com os hoteis cheios e sem contactos ali,
Só me resta erguer o polegar e aguardar assim

Aguardo, pergunto e não desisto
Até que me pasmei com o que tinha visto
Uma jovem donzela, com um olhar de anjo
Maquilhada, espanhola, que me conquistou com o seu encanto

Diz-me que me deixa no seu conforto
mas apenas se fizermos um acordo
Vou ter que contar ao seu namorado
que venho da parte de um outro seu contacto

Aceitei,  até porque estava de passagem
e sem sítio onde dormir
E no final ela levou-me à paragem
para o meu caminho prosseguir

E se alguém um dia me perguntar,
o que fui fazer a Tarifa
Posso dizer que lá fui,
e lá me saiu uma rifa

Hospedado pelo Couchsurfing
num Hostel em construção
Enquanto trabalhava
Conheci o fundador de um site de jogos de mão

E lá tive conversas de inspiração
De que somos capazes do que achamos que não
E que é esse mesmo sonho que nos faz alcançar
E do meio do nada, fazer o mundo girar...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Programa de Rádio #5 - Mauritânia abaixo até ao Senegal

Emitido a 5 de Dezembro de 2009

Com o ponto de partida na capital mauritaniana Noakshott, rumo para sul no camião "Frankenstein", conduzido por dois espanhóis bascos que solidários com a viagem me ofereceram boleia. Conduzimos pelas terras arenosas da Mauritânia abaixo até avistar o Rio Senegal, onde a fronteira com o país homónimo deste curso de água, nos aguarda com várias surpresas.


Músicas:
Khalifa Ould Eide & Dimi Mint Abba "Hassanya Love Song" [Música Moura / Mauritânia]
Youssou N'Dour - Set [Mbalax / Senegal]
Cheik N'Digël Lô - Jeunsesse Senegal [Mbalax / Senegal]

Fotos:
Mauritânia - Fevereiro / Março de 2008


Senegal - Março 2008 - Pôr-do-sol sobre o deserto


"Os Meus Descobrimentos" é um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em http://www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã.

Se estás no facebook e não consegues ver o player do programa e as fotos, visita o blog: http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Programa de Rádio #4 - Na terra dos Mouros

Programa #4 - Emissão a 21 de Novembro de 2009

Passeando na terra dos Mouros, a Mauritânia. A entrada no país é atribulada ao ficar com o jipe onde seguia em boleia, preso numa extensão de areia com minas. Da primeira noite no país, dormida em Noadibou com uma grande lagostada na barriga, vamos de boleia até à capital Nokashottt, onde sou recebido num bairro típico da cidade com irrecusáveis sessões de chá.



Músicas:
Khalifa Ould Eide & Dimi Mint Abba "Art's Plum" [Música Moura / Mauritânia]
Nuru Kane [Gnawa fusion / Senegal]
Etran Finatwa "Ildeman" [Blues do deserto / Níger]
Khalifa Ould Eide & Dimi Mint Abba "Hassanya Song for Dancing" [Música Moura / Mauritânia]

Fotos:
Mauritânia - Fevereiro / Março de 2008


"Os Meus Descobrimentos" é um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã.

Se estás no facebook e não consegues ver o player do programa e as fotos, visita o blog: http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Jantar Popular + Cinema + Campanha dos Oceanos da Greenpeace

e-flyer.jpg

No Centro Social do GAIA na Mouraria, 5ª feira, 19 de Novembro:

19h00 - Sessão de vídeos sobre a problemática da pesca intensiva e os seus efeitos na saúde dos oceanos, e apresentação da campanha da Greenpeace para uma pesca sustentável e justa.

20h00 - Jantar Popular: Feijoada com farofa de milho e couve refogada. Fruta da época.

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Sessão de vídeos sobre a problemática da pesca intensiva e os seus efeitos na saúde dos oceanos, e apresentação da campanha da
Greenpeace para uma pesca sustentável e justa.

>> O Fundo da Linha (The Bottom Line), 8min30s
O oceano profundo é o maior ecossistema do planeta, porém continua amplamente inexplorado. Quanto mais desvendamos os seus mistérios, mais descobrimos o quão único este mundo estranho realmente é. Infelizmente o ritmo da sua destruição pela pesca insustentável é superior ao ritmo das descobertas..

>> Do Mar às Prateleiras (From Sea to Shelf), 10min30s
Os oceanos dão vida ao nosso planeta e a nós. Em todo o mundo, as pessoas dependem do peixe como fonte de alimento e de rendimento. Mas nas últimas décadas percebemos que o que podemos tirar do mar tem limite. Será tarde demais?

>> Drop into the Ocean, 2min 28s
Um pequeno mas lindo reminder que o nosso planeta Terra é um planeta Oceano..

>> Campanha dos Oceanos da Greenpeace
A
Greenpeace veio para Portugal para agitar o mercado de peixe, melhorando a informação sobre pesca e pescado e pressionando os grandes retalhistas para adoptarem uma política de compra de peixe sustentável. Acabou de concluir uma RoadTour de sensibilização para a destruição invisível mas dramática dos ecossistemas em alto mar. http://www.greenpeace.pt

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O que é o Jantar Popular?

- Um Jantar comunitário vegano e LIVRE DE OGMs que se realiza todas as Quintas-feiras no Grupo Desportivo da Mouraria
- Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários do Centro Social do Jantar. Para colaborar, cozinhar, montar a sala basta aparecer a uma Quinta-feira a partir das 16h30.
- Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do Centro Social do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
- Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço normal são 3 euros.
- Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
- Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente

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Vê como chegar em http://www.gaia.org.pt/lisboa

Até lá!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Programa de Rádio #3 - Cruzando o Saara Ocidental

Programa #3 - Emissão a 7 de Novembro de 2009

Vamos cruzar o Saara Ocidental, a terra arenosa do povo saauri, hoje em dia ocupada pelo Reino de Marrocos. Desde o sul de Marrocos, em Marrakech até Agadir num autocarro em sérios riscos de ficar a meio do caminho. Saída de Agadir pelas dunas abaixo até à capital do Saara Ocidenal, deitado nas traseiras de um camião de vegetais. De boleia com dois franceses vendedores sazonais de carros, até à fronteira repleta de minas, com a Mauritânia.



Músicas:
Gnawa Difussion "Douga Douga" [Gnawa Fusion / Argélia]
Gravação com Chakir em Fez "Salam Aleikum" [Registo sonoro / Marrocos]
Darga "Bangoro" [Gnawa]
"Lala Aicha" [Gnawa]
Mariem Hassan - mutamanyiat [Música Sahauri / Saara Ocidental]
"Aicha kendicha" [Gnawa]

"Os Meus Descobrimentos" é um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã.

Saara Desert

Se estás no facebook e não consegues ver o player do programa e as fotos, visita o blog: http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Festa do Magusto na Mouraria: Jantar Popular + Filme "Surplus"



Festa do Magusto: Jantar Popular + Filme "Surplus"
12 Novembro, 20h, Mouraria, Lisboa
Centro Social da Mouraria do GAIA
GAIA - Grupo de Acção de Intervenção Ambiental
http://www.gaia.org.pt

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O que é o Jantar Popular?
- Um Jantar comunitário vegano e LIVRE DE OGMs que se realiza todas as Quintas-feiras no Grupo Desportivo da Mouraria
- Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários do Centro Social do Jantar. Para colaborar, cozinhar, montar a sala basta aparecer a uma Quinta-feira a partir das 16h30.
- Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do Centro Social do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
- Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço normal são 3 euros.
- Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
- Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente.

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Quinta-feira projectamoso filme "Surplus", integrado no ciclo "Consumo Consciente". O documentário mostra os excessos da actual produção em massa e o consumo desenfreado que afligem a maioria dos países e culturas mundiais e os problemas que vêm sendo causados ao meio ambiente e para todos que estão nele. John Zerzan é considerado o Guru da anti-globalização e o produtor Eric Gandini baseia-se nos pensamentos de Zerzan para mostrar a destruição das reservas naturais e do meio ambiente que vem sendo causada pela vida consumista que vivemos.
Mais informação em: http://www.atmo.se/film-and-tv/surplus

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Há muito tempo atrás nesta altura do ano, um soldado romano de seu nome Martinho, ao passar a cavalo por um mendigo quase nú, como não tinha nada para lhe dar, cortou a sua capa ao meio com a sua espada e deu-lhe uma das metades. Estava um dia chuvoso e diz-se que, neste preciso momento, parou de chover e o sol radiou, derivando daí a expressão: "Verão de São Martinho". Para celebrar vem jantar e comer castanhas connosco!

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Mais informação e como chegar: http://www.gaia.org.pt/node/14965
Vou estar a organizar o evento e gostaria de te rever lá.
Abraço!


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Programa de Rádio #2: "Em Marrocos"

Emissão a 31 de Outubro de 2009

Em viagem por Marrocos. Desde a fronteira de Tânger no estreito de Gibraltar, passando pela vila de Chefchaouen nas montanhs do Riff, a imperial e labiríntica Fez, a capital Rabat, até ao antigo oásis que hoje em dia se chama Marrakech.

Músicas:
Manu Chao - Clandestino [França/Espanha]
Cheb Khaled - El Arbi [Argélia]
Cheb Khaled - Aicha [Argélia]
Freeman ft. Cheb Khaled - Bladi [França/Argélia]
Fnaire - Lalla Mnana [Marrocos]
Fnaire - Aaz lkhil m'rabetha [Marrocos]
Idir - A vava inouva [Argélia]
Hoba Hoba Spirit - Bienvenue a Casa [Marrocos]
Saha Koyo - Laylaha Lla Lah [Marrocos]

"Os Meus Descobrimentos" é um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã.

Fotos de Marrocos (Fev. 2008):


Se estás no facebook e não consegues ver o player do programa e as fotos, visita o blog: http://osmeusdescobrimentos.blogspot.com

Na Rádio!

Arrancou há poucos dias o programa de rádio "Os Meus Descobrimentos", em que são relatados os episódios da volta ao mundo, partilhadas as músicas das terras por onde passei e contadas as histórias, peripécias e aventuras que me aconteceram durante um ano e meio de viagem pelos cinco continentes.

É um programa semanal na Rádio Zero, que podes escutar online em www.radiozero.pt todos os sábados às 15h e em repetição segundas às 7h da manhã. Ou podes acompanhar neste blog: vou publicando online os programas. Podes escutar no player abaixo.

No primeiro programa são relatados os primeiros dias da viagem, desde Lisboa de boleia até ao sul de Espanha. Passagem por Sevilha, Cádiz, Tarifa e travessia de ferry até Tânger.

Site do podcast: http://osmeusdescobrimentos.podomatic.com

Músicas:
Terrakota - Curruputu [Portugal]
Chambao - Papeles Mojados [Espanha]
Maetschs - Morphology Part I [Alemanha/Espanha]
Master Musicians of Jajouka - The Truth Forever [Marrocos]

Hasta la proxima semana!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vídeo - O Fundo da Linha

São 8 minutos sobre a destruição que está a acontecer nos nossos oceanos.





Produzido pela Greenpeace - http://www.greenpeace.org/portugal/videos/o-fundo-da-linha

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Registo #6 - "Touch-down" na África Austral

Joanesburgo, África do Sul

À chegada por via aérea, vindo de Dakar na South African Airways, companhia aéra nacional sul-africana, sou recebido no aeroporto por Clyde, membro mais novo da família Becker que através da rede Couch Surfing me recebe por uns dias em Joanesburgo, enquanto preparo a minha entrada em Moçambique, via Maputo. Mais tarde voltarei à África do Sul para vivenciar e conhecer melhor o país.

Bandeira sul-africana
Bandeira sul-africana.

Foram três dias durante os quais conheci várias pessoas, observei o modo de vida local e conclui que Joanesburgo é uma grande cidade mergulhada no medo. O medo da morte bate à porta todas as manhãs. A cor da minha pele é branca e por uma imposição social acima das minhas vontades estou no lado branco da sociedade sul-africana, cerca de 10% de toda a população do país. Como “branco” que sou, observei o crime que assola o país deste lado do muro. Quem me conhece pessoalmente sabe nada tenho de racista mas os outros perdoem-me a utilização de termos como “branco” e “negro” neste relato, distinguindo as pessoas pela sua cor da pele. Mas o quotidiano da sociedade sul-africana, mesmo após o fim do Apartheid, assenta ainda muito nesta divisão racial, e para que a possa descrever tenho também que me sujeitar a esta conceptualização.

Os brancos, ricos, de Joanesburgo vivem num mundo à parte da maioria dos negros, pobres. Os brancos têm os seus circuitos, fazem a sua vida evitando a realidade das “townships” como aqui chamam os bairros de lata. Fora do centro, na zona norte da cidade é onde habitam os brancos. A terra é preenchida de grandes vivendas ao estilo americano, com muros de 3 metros, arame electrificado e obrigatoriamente com vigilância de uma companhia de segurança privada, pronta a intervir no local em poucos minutos com seguranças armados de caçadeiras “shot-gun”. Todas as casas são assim, e as que não são, são assaltadas. E as que são, também, mas menos.

Familia de acolhimento em Joanesburgo
Família Becker, que me acolheu por uns dias em Joanesburgo.


Os grandes centro comerciais abundam nas áreas residenciais dos brancos e são o seu refúgio, o local para onde ir em tempo de lazer pois na rua é demasiado perigoso. Todos os brancos com quem falei são próximos de pessoas que foram mortas em troca do seu carro, em muitos dos casos quando parados no semáforo. Clyde, da família que me hospedou conta-me que recentemente, vendo um jovem negro a aproximar-se a pé por trás do seu carro enquanto parado no semáforo, não hesitou e, engatando a marcha atrás, o atropelou. À saída dos parques de estacionamento pedem ao condutor para desligar e voltar a ligar o motor para se certificarem de que o carro não foi roubado. São truques, muitos truques que se vêm nesta cidade para tentar contornar o crime. E em tão pouco tempo escutei tantas histórias e de tanta gente diferente. Em comum tinham os efeitos mortais da criminalidade violenta que assola o país, resultado da sua enorme desigualdade social.

Em Joanesburgo, Joburg ou Jozi, como frequentemente se abrevia o nome da cidade, fazem-se contas à vida, mas também ao dinheiro, e das contas grandes. É o centro financeiro de um país que é responsável por 18% do PIB de todo o continente africano e o dinheiro nesta cidade faz com que tenha a 17ª maior bolsa de valores do mundo. Ao mesmo tempo o crime acontece. É um país de contrastes e contradições e pintado de todas as cores mas que é a todas as horas atacado pela escuridão do crime. É também provavelmente o país mais racista de todo o mundo. O regime do Apartheid acabou em 1995, (apenas há 14 anos?!) mas as marcas deste regime desumano seguem na sociedade e despontam todos os dias numa guerra civil feita de crime violento e gratuito principalmente nas cidades do país.

Constrastes de Joanesburgo
Os contrastes de Joburg.


Bom, amanhã sigo para Maputo, capital de Moçambique!


escrito a 11 de Março de 2008

No contexto:
Filme: Tsotsi
Música: “Stimela” de Hugh Masekela
Livro: “I write what I like” de Steve Biko

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Festa Crítica - celebração do 6º aniversário da MC de Lisboa

Massa Crítica de Lisboa celebra o seu 6º Aniversário

18:30 Marquês de Pombal: Bicicletada

21:00 Magalhães Lima, Portas do Sol, Alfama: Festa!

A Massa Crítica é um passeio mensal pelas ruas da cidade, um ponto e evento de encontro entre ciclistas urbanos. É ao mesmo tempo uma celebração das modos suaves de locomoção e uma forma resgate do espaço público dominado pelos veículos motorizados. Feita de forma tranquila e em pelotão, a bicicletada permite aos iniciados ganhar confiança na utilização de bicicleta na cidade, ao mesmo tempo que convivem e trocam ideias.

Os participantes reunem-se na última Sexta Feira de cada mês, no Parque Eduardo XVII, junto ao marquês de Pombal, pelas 18:00. O percurso decide-se em conjunto e a partida dá-se por volta das 18:30.

O movimento, que funciona sem corpo dirigente, teve origem em São Francisco, e realiza-se hoje em dia em 350 cidades de todo o mundo. Em Portugal, além de Lisboa há bicicletadas deste formato no Porto, Coimbra, Aveiro.

Em Setembro, mês da mobilidade, a Massa Crítica de Lisboa celebrará o seu 6º Aniversário dia 25 de Setembro, e esperam-se muitas dezenas de participantes, com diferentes motivações mas unidos na vontade de celebrar a mobilidade suave. A partida será, como habitual, do Marquês de Pombal pelas 18:30 e, no final, no Centro Cultural Magalhães Lima, junto ao miradouro das Portas do Sol em Alfama, terá lugar a Festa Crítica. Pelas 21:00 começará a animação, com música, comida, bebida, exposições e bicicletas. A entrada é grátis e todos estão convidados.

(notícia e imagem do site www.massacriticapt.net)